Diga sim à vida: vença o Bolsonavírus!

Bolsonaro, ao lado de Pazuello, em um carro de som, no ato dos motociclistas
Fernando Frazão/Agencia Brasil

Paulo César de Carvalho

Paulo César de Carvalho, o Paulinho, é bacharel em Direito (USP), mestre em Linguística e Semiótica (USP), professor de Língua Portuguesa (lecionou na ECA-USP) e autor de materiais didáticos de Gramática, Redação e Interpretação de Texto. Publicou seis livros de poesia, constando em antologias literárias no Brasil e em Portugal (como em É agora como nunca, da Companhia das Letras, organizada por Adriana Calcanhoto). Compositor, tem canções gravadas por diversos músicos da cena contemporânea. Foi militante da organização trotskista Convergência Socialista.

Ele protesta contra o isolamento social e promove aglomerações antidemocráticas. Ele nega a pesquisa científica e ignora as medidas preventivas da Organização Mundial de Saúde. Ele desmente os dados oficiais e dissemina “fake news”: “O pânico é uma doença e isso foi massificado quase que no mundo todo, e no Brasil não foi diferente”. Ele desdenha da gravidade da pandemia e deprecia a Covid-19 como “gripezinha” e “resfriadinho”. Ele ridiculariza a letalidade do vírus igualando-o a uma inofensiva chuva: “Ela vem e você vai se molhar, mas não vai morrer afogado”. Ele chama de medroso quem se protege e preserva a saúde do outro: “Não tem que se acovardar com esse vírus na frente”. Ele acha que não é “macho” quem foge do perigo: “O vírus tá aí, vamos ter de enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, pô, não como moleque”. Para ele, 450 mil mortes não são uma tragédia, mas uma mera estatística.

Ele faz propaganda de remédios ineficazes e distribui drogas contraindicadas à sociedade: “[Há tempos] venho falando do uso da hidroxicloroquina no tratamento do covid-19. Cada vez mais o uso da cloroquina se apresenta como algo eficaz”. Ele diz que o “corona” é um vírus fabricado em laboratório e que a doença é resultado de uma “guerra química”. Ele agride os chineses e rotula a CoronaVac como “vaChina comunista”. Ele segue pregando, indiferente à progressão das mortes, que a economia é mais importante do que a vida. Ele conclama criminosamente as pessoas a voltarem ao trabalho desprezando os enormes riscos que todos correm: “Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. É a vida. Você não pode parar uma fábrica de automóveis porque há mortes nas estradas todos os anos”. Ele é o mito do gado e defende a imunidade de rebanho: “O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo. Uma nação como o Brasil só estará livre quando certo número de pessoas for infectado e criar anticorpos”. Para ele, 450 mil vidas perdidas não são uma tragédia, mas uma mera estatística.

Ele é aquele facínora deputado “Capitão Fosfoetanolamina” promovido a presidente genocida “Capitão Cloroquina”: “Estive à frente para aprovar a fosfoetanolamina. Cura ou não cura, não sei. Sou capitão do Exército, a minha especialidade é matar, não é curar ninguém. Mas apresentei junto com mais alguns colegas e aprovamos. Dá certo ou não dá? Vamos dar a chance daquele que tem o dia marcado para morrer tomar a pílula [do câncer]”. Ele foi eleito fazendo “arminha” e disparando pra todo lado que ele é preparado para matar: “Se eu não fosse preparado para matar, eu não seria militar. Você teria jogado dinheiro fora (…). Aprendi a atirar com tudo que é tipo de armas, sou paraquedista, sou mergulhador profissional. Sei fazer sabotagem, sei mexer com explosivo. Vocês nos treinam, nos pagam para isso”. Ele declara despudorada e impunemente, desconsiderando as evidências dos milhares de mortos, que “muito do que falam é fantasia, isso não é crise”. Para ele, não é uma tragédia a morte de 4, 45, 450, 4.500, 45.000 ou 450.000 pessoas, mas uma mera estatística.

Ele inferioriza o povo, humilha o cidadão, animaliza o brasileiro, ironizando ofensivamente a miséria: “O brasileiro tem de ser estudado, não pega nada. O cara pula em esgoto, sai, mergulha e não acontece nada”. Ele esteve em Goiás em março, em pleno pico da pandemia, repetindo a irresponsável discurseira negacionista: “Vocês não ficaram em casa. Não se acovardaram. Temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?”. Ele deu de ombros confrontado com a progressão geométrica de mortes, retrucando desrespeitosamente sarcástico: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”; “Eu não sou coveiro, tá certo?”. Ele é o neofascista genocida que diz e faz o que quer com a imperdoável conivência das autoridades, sempre protegido pela escancarada impunidade. Nesta descarada desordem institucional, bandido não precisa de máscara para matar. Para ele, 450.000 mil mortes não são 450.000 vidas perdidas: 450.000 não são uma tragédia, mas uma mera estatística.

Ele é adversário da vacina porque o coronavírus é aliado da sua necropolítica. Ele é o criminoso responsável pelos 44% de mortos na América Latina. A moral desta infausta fábula fúnebre é óbvia ululante: para combater o terrível agente pandêmico, é medida sanitária urgente defenestrar o nefasto Bolsonavírus neofascista!