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Colunas

Bolsonaro atacou Boulos, nós devemos contra-atacar

Foto: Agência Brasil / Divulgação

Travesti Socialista

Travesti socialista que adora debates polêmicos, programação e encher o saco de quem discorda (sem gulags nem paredões pelo amor de Inanna). Faz debates sobre feminismo, diversidade de gênero, cultura e outros assuntos. Confira o canal no Youtube.

“A liberdade é sempre a liberdade de quem pensa diferente. Não por causa de qualquer conceito fanático de justiça, mas porque tudo o que é instrutivo, saudável e purificador na liberdade política depende dessa característica essencial, e sua eficácia desaparece quando a liberdade’ se torna um privilégio especial.”

Rosa Luxemburgo

Guilherme Boulos, candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSOL, foi intimado pela Polícia Federal para ‘esclarecer’ críticas feitas a Jair Bolsonaro. Isso foi divulgado por Boulos nas redes sociais na segunda-feira, 28/09. Isso é um grave ataque à liberdade de expressão, onde a máquina pública é utilizada pelo presidente para fins eleitorais e de propaganda ideológica. Nós, que lutamos contra o fascismo, precisamos criar um movimento contra o bolsonarismo nessas eleições.

Não é a primeira vez que o Bolsonaro utiliza seu cargo político para fins eleitorais ou de propaganda ideológica. Em 2018, antes das eleições o então deputado federal utilizou verbas de seu cargo (como o cartão corporativo) para viajar e realizar palestras por todo o país, para se promover como figura pública. Durante as eleições, empresas aliadas de Bolsonaro dispararam mensagens em massa via Whatsapp para expalhar notícias falsas, o que é contra as leis eleitorais.

Ao assumir o cargo de presidente, Bolsonaro passou a utilizar a máquina pública para fins ideológicos, o que transgide inclusive os princípios constitucionais. Por exemplo, seu ataque à Ancine (Agência Nacional do Cinema) foi justificado por sua opinião pessoal que era contrária a alguns filmes produzidos, principalmente ‘Bruna Surfistinha’. Mas esse órgão tem como objetivo o fomento ao cinema nacional, e não das opiniões pessoais do presidente.

Outro exemplo foi a proibição de um comercial do Banco do Brasil, simplesmente porque nele apareciam alguns garotos negros e LGBTIs. A justificativa de combate a uma suposta ‘ideologia de gênero’, além de bizarra, é puramente ideológica. Afinal, como é que a mera existência de jovens negros e LGBTIs num comercial pode ser classificada como ‘ideologia de gênero’?

Ainda pior foi quando, em plena pandemia de COVID-19, Bolsonaro utilizou seu cargo e sua influência pública para disseminar informações, combater as medidas necessárias e emergencias que eram apontadas pela OMS, incentivar o público a desrespeitar o isolamento social e a não utilizar máscaras, demitir o então Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta para que terminasse o isolamento social geral, entre outros.

A popularidade de Bolsonaro cresceu nos últimos meses, principalmente devido ao auxílio emergencial. Acontece que Bolsonaro era contra o auxílio emergencial, mas foi obrigado a implementá-lo pela Câmara dos Deputados, onde a oposição venceu os partidos que apoiavam o governo e que votaram contra o auxílio.

No ataque a Boulos, Bolsonaro se utilizou do aparelho repressivo do Estado para fins eleitorais e de propaganda ideológica. Isso é um ataque frontal à democracia e à liberdade de expressão que foram conquistadas a duras penas pelas mobilizações contra a Ditadura Militar. Pessoas foram feridas, presas, torturadas e mortas na luta contra a ditadura. É preciso honrar esse sacrifício.

O ataque de Bolsonaro a Boulos não é pessoal, é um ataque público. Por isso, nós precisamos reagir contra o movimento bolsonarista, que está ganhando força no país. Nessas eleições, devemos fazer campanha contra o bolsonarismo no país. É preciso que a esquerda, assim como todas as pessoas que defendem a liberdade de expressão, faça campanha contra Bolsonaro. Acredito que Boulos e as outras candidaturas pelo PSOL são as que melhor representam essa campanha, mas, independente de partido, a tarefa principal é derrotar os candidatos que estão no campo político do Bolsonaro.

Live semanal pelo Instagram do EOL

A partir do dia 30/09, estarei ao vivo pelo Instagram @esquerdaonline [https://www.instagram.com/esquerdaonline/ ] às quartas-feiras, 20h. Na primeira live, farei uma discussão sobre a COVID-19 no mundo, sobre as políticas de combate à pandemia, com destaque no nosso país.

Participe da discussão pelo Instagram do EOL!

A live estará disponível no horário marcado por esse link:

https://www.instagram.com/esquerdaonline/live/