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BRASIL

Com Bruno Daniel (PSOL), outra Santo André (SP) é possível!

No último fim de semana o PSOL de Santo André realizou prévias em Rosi Santos foi escolhida como vice de Bruno Daniel na chapa para a prefeitura. Numa decisão equivocada, o partido definiu a coligação com a REDE Sustentabilidade na chapa majoritária.

Lígia Gomes, de Santo André, SP

Pedro Augusto e Daniel

Bruno Daniel já era nome certo para o PSOL há algum tempo. Nome histórico na luta por uma Santo André mais justa e menos desigual, é irmão do prefeito assassinado em 2002 e filho de Bruno Daniel, figura de tal importância na vida da cidade que foi homenageado com seu nome atribuído ao Estádio de futebol de Santo André. “O Bruno Daniel é o melhor nome para construir uma Santo André para a maioria da população, além de muito capaz, pode levar o nome e programa do partido mais longe em nossa cidade.” Afirma Pedro Augusto, pré-candidato a vereador pelo PSOL e militante da Resistência na cidade do ABC paulista.

Partido vivo e dinâmico

Houve três candidaturas para vice-prefeitura da cidade, Rosi Santos, Tatiana Landi e Ubimara Ding. Inicialmente a proposta da direção do partido era que a definição do nome fosse feita pelos membros do diretório, no entanto, a base do partido cresceu bastante nos últimos anos e exigiu participar da definição da candidata a vice de Bruno Daniel. “O PSOL de Santo André hoje é muito vivo, realiza reuniões mensais com os filiados, possuiu setoriais de mulheres, negras e negros, ecossocialista, o programa para as eleições foi construído por grupos de trabalho temáticos, então nada mais justo do que essa base que constrói o partido no dia a dia definir quem levaria o nome do partido das eleições.”, ressalta Pedro Augusto, destacando que é na rica vida interna e democracia no funcionamento do partido que reside sua principal força.

Por isso, as prévias foram realizadas no dia 5 de setembro, véspera da convenção oficial do partido. Durante a semana a candidatura de Tatiana Landi foi retirada em favor da de Rosi Santos, visando “a unificação do partido para que possamos fazer essa disputa histórica com toda a força da nossa militância”, conforme a nota publicada por várias correntes em apoio à candidatura de Rosi Santos. O resultado foi a vitória de Rosi Santos por 71 votos a 31, com uma abstenção.

Pedro Augusto avalia que a realização das prévias e os debates que a antecederam favoreceram o partido, porque “no processo democrático, nas discussões e debates construímos sínteses que são superiores às ideias de cada um dos militantes e filiados individualmente, por isso saímos muito mais confiantes!”.

Os perigos da coligação com a REDE Sustentabilidade

As prévias também deliberaram sobre a coligação com a REDE Sustentabilidade na cidade. Foi, novamente, uma exigência da base de participar da decisão — que de outro modo teria sido tomada apenas pelos membros do diretório — e, desta vez, o resultado foi mais apertado: 46 contrários e 56 favoráveis.

Michele, assistente social e militante da Resistência destacou que sua entrada “no PSOL ocorreu para fazer parte de uma renovação política comprometida com a defesa dos interesses e direitos dos trabalhadores, do povo preto, das mulheres e de todos os setores oprimidos, como expresso no programa do partido, e que a REDE Sustentabilidade não compartilha necessariamente com esse projeto, como vimos quando votou a favor do golpe de 2016 e apoiou a eleição de Paulinho Serra (PSDB) à prefeitura de Santo André no mesmo ano”.

Aqueles que defendem a coligação apontam que o partido trocou sua direção na cidade e se tornou oposição ao PSDB. Sobre isso, Pedro Augusto destacou que as alianças do partido devem se dar com aquelas organizações que defendem como programa fundamental a defesa intransigente das trabalhadoras e trabalhadores, das mulheres e negras e negros, pois não se pode ficar à mercê do entendimento de uma ou outra direção. “Por exemplo, mesmo que estejam na oposição ao Bolsonaro, a REDE votou favorável à reforma da previdência imposta por João Dória aos servidores estaduais. Apoiaram a mesma política de Paulo Guedes e Bolsonaro, contra os trabalhadores. É temerário e arriscado construir alianças assim”.

Contudo, embora arriscada e temerária, parcela dos filiados defendia que era necessária a aliança para fazer frente ao bolsonarismo e crescimento da extrema-direita. João Gabriel, petroleiro e militante da Resistência destaca que embora a preocupação seja justa — pois a derrota da extrema direita é o maior desafio político do PSOL no momento — não é verdade que a coligação da REDE no primeiro turno de Santo André é uma forma dessa “unidade entre os progressistas”. Primeiramente porque no primeiro turno nossos adversários não são apenas a extrema direita. “Há diversas candidaturas, sendo a principal Paulinho Serra, do PSDB, e também candidatura do PT e outras muito mais à direita no espectro político e é justamente essa dispersão das candidaturas que mostra que ganharemos mais espaço conforme sejamos capazes de levar nosso programa mais longe e de maneira mais coerente. A coligação com a REDE não contribui com a coerência, e dificilmente amplia nossa voz.”

A coisa seria diferente, segundo João Gabriel, no caso de um segundo turno contra candidato da extrema direita. “Aí sim teríamos que construir uma ação unitária, no caso um voto, na alternativa capaz de derrotar a extrema-direita e o bolsonarismo”. Quanto ao primeiro turno, João Gabriel finaliza afirmando que “nossa tarefa no primeiro turno é levar nosso programa, fortalecer o PSOL, disputar as consciências justamente para aumentar nossa força e capacidade de derrotar as ameaças neo-fascistas.”