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Série Revolução Espanhola: como Stálin e a Frente Popular abriram portas da Espanha ao fascismo – Parte 1

Dos antecedentes ao surgimento da Frente Popular

Bruno Rodrigues*

As trincheiras dos soldados fascistas e dos milicianos estão muito próximas umas das outras. No meio da luta se discute aos gritos: “Vocês são filhos de camponeses e operários”, grita um miliciano. “Vocês deveriam estar aqui do nosso lado, lutando pela república, onde existe democracia e liberdade. A resposta é imediata: é o argumento que camponês utilizou para contestar os chamados reformistas desde o início da república em 1931. “A república matou sua fome? O que a república fez para a gente, para que a gente deva lutar por ela? ” Neste incidente pontual, surgido ocasionalmente na imprensa, se encontra a essência do problema da guerra civil. Felix Morrow, Revolution and counter revolution in spain

“As revoluções são contagiosas, e se tivéssemos conseguido ter sucesso aqui, e poderíamos ter tido, nós teríamos mudado o mundo. Mas não importa, nosso dia chegará.” David, personagem de Ian Hart, no filme Terra e Liberdade [1], de Ken Loach, 1995

Dos antecedentes ao surgimento da Frente Popular | A guerra civil espanhola esteve entre os eventos mais importantes do século XX, sendo o seu desfecho decisivo para a deflagração da II Guerra Mundial, logo na sequência. Nas ruas e nas barricadas, nas montanhas e no campo, se enfrentaram revolução e contrarrevolução em combates encarniçados por vários meses, entre os anos de 1936 e 1939. Contudo, ao fim e ao cabo, o exército do general Franco, com o apoio de tropas de infantaria italiana e da aviação alemã, termina por derrotar militarmente o bloco composto por burgueses republicanos, socialistas, comunistas e anarquistas para, logo em seguida, impor sobre a Espanha uma ditadura, cuja duração se estendeu por quase quatro décadas.

Entretanto, cabe perguntar, a vitória de Franco era um desenlace fatalmente inevitável? Era possível aos trabalhadores vencer um inimigo tão poderoso e impedir que seu país caísse nas mãos dos fascistas? Que ensinamentos e sínteses da luta contra o fascismo, na Espanha dos anos 30, podemos extrair para a luta contra o neofascismo no século XXI?

Antecedentes

Domínio Público
Alfonso XIII e Primo de Rivera

Tendo 70% de sua população mergulhada no campo, de um total de 23 milhões de habitantes, a Espanha era um dos países mais atrasados da Europa. Não mais que poucas famílias de grandes e médios proprietários detinham o controle de ⅔ das terras cultiváveis do país, sendo a Igreja Católica e a alta oficialidade militar parte dos grandes proprietários fundiários.

Além de possuir vastas extensões de terras, a Igreja também exercia controle sobre a educação e sobre a vida política do país. Com 25.000 padres e 90.000 frades e freiras, a Espanha tinha mais líderes religiosos do que jovens matriculados no ensino médio ou no ensino superior e metade da população era analfabeta

Diante de um quadro no qual os índices de produtividade agrícola estavam entre os mais baixos do continente europeu, a fome era uma realidade bem comum para a maioria do povo.

Assim, a Espanha chega à década de 30 sofrendo os efeitos amargos da crise de 1929 e, portanto, acumulando profundo descontentamento social.

A monarquia cai de podre

Até à queda do rei Alfonso XIII, em 1931, o país havia passado quase toda a última década sob a ditadura do General Primo de Rivera, que governava com apoio da burguesia, da Igreja, dos militares, além do próprio rei. Mas, diante do quadro profundamente instável pelo qual passava o país, as agitações encabeçadas por socialistas e anarquistas eram cada vez mais frequentes. Desgastado e isolado em seu governo, Rivera apresenta sua renúncia em 1930.

Representação simbólica da II República

As eleições municipais convocadas para abril de 1931 são marcadas pela polarização. Vereadores monarquistas e reacionários em geral conquistam ampla maioria de votos no país, mas os republicanos e setores de esquerda concentram ampla maioria de votos nas grandes cidades. O historiador Pierre Broué (1973, p. 13) caracteriza essas eleições como sendo um verdadeiro “maremoto eleitoral”, dado o contexto de fortes mobilizações populares e antimonárquicas no qual elas se realizam. Assustado diante do crescimento eleitoral dos setores republicanos e das intensas agitações populares, o rei Alfonso se vê suspenso no ar e resolve abandonar o país. Ao cair a monarquia, é proclamada a chamada II° República Espanhola em abril de 1931. A presidência é assumida provisoriamente por Niceto Alcalá-Zamora que, pressionado pelas mobilizações populares, aprova a contragosto uma constituição com certo verniz anticlerical.

A República é recebida pela população com enorme entusiasmo, mas seguem em atraso a adoção de inúmeras reformas sociais de importância estrutural para o país, sendo a principal delas uma ampla reforma agrária, mas também a independência do Marrocos e demais colônias em África, a autodeterminação para os povos catalães e bascos, a separação do estado e da Igreja, etc.

Multidão celebra a proclamação da república na Praça do Sol, em Madrid

Neste tocante, foi indispensável o papel desempenhado pelo PSOE* que, conciliando com católicos e burgueses republicanos e evitando ao máximo que fosse tocada a estrutura privilegiada das castas militares e clericais, atuou para que a constituição formulada para conceber a II° República tivesse um conteúdo moderado.

Uma República marcada por convulsões permanentes 

Sem dúvidas, a revolução política simbolizada pela queda da monarquia em abril de 1931 e a subsequente proclamação da República, não resolveu os problemas sociais seculares que marcavam a história moderna da sociedade espanhola. Diante de tal situação, o país se mantinha em um equilíbrio altamente instável e suas contradições sociais só se agudizavam. Assim, a curta história da II° República que, como formulado nas linhas de sua Constituição, se proclamava a República de “trabalhadores de todas as classes”, também foi a história de crises, complôs militares, tentativas de golpes e rebeliões populares.

Já em agosto de 1932, a pouquíssimos meses de instaurada a República, o general pró-monárquico e comandante da guarda-civil, José Sanjurjo, proclama um golpe militar contra o então governo do republicano de esquerda Manoel Azaña. A chamada Sanjurjada fracassa e o general líder do golpe é condenado à prisão perpétua. Em janeiro de 1933, em Casas Viejas, um povoado agrário na Andaluzia, explode uma rebelião camponesa que exigia terras para o povo. Os camponeses, impacientes ante a paralisia de dois anos do governo republicano, queimam os títulos de propriedade das grandes fazendas e decretam o comunismo libertário, mas a rebelião liderada pela central sindical anarquista, CNT, é severamente reprimida pelo governo Azaña. Em Castelblanco e Arnedo já haviam ocorrido rebeliões camponesas que, igualmente isoladas, terminaram banhadas em sangue pelas mãos guarda-civil republicana, tal como em Casas Viejas.

A guarda de assalto republicana é convocada a intervir contra o golpe do general Sanjurjo

A incapacidade de atender às reivindicações populares faz os socialistas moderados caírem em descrédito e a direita ganhar destaque no cenário político. Assim, a Espanha chega ao fim de 1933, quando ocorrem eleições para as Cortes, em um quadro de ofensiva dos setores conservadores. A direita nacionalista alcança uma vitória contundente nestas eleições não só porque consegue capitalizar parte da insatisfação com os republicanos, mas também porque a CNT, hegemonizada pelos anarquistas, intervém no processo eleitoral com uma tática cujo eixo era convocar os trabalhadores a se absterem. A CEDA, um bloco de partidos católicos liderado pelo ultrarreacionário Gil Robles, se destaca como a principal força nas Cortes conseguindo amealhar duzentas e sete cadeiras, seguida dos republicanos de direita, que ficam com cento e sessenta e sete. Por outro lado, os socialistas e republicanos, de esquerda, que estavam à frente do governo anterior, amargam juntos uma humilhante minoria: apenas noventa e nove cadeiras. O governo será encabeçado pelo republicano conservador, Alejandro Lerroux. Para aproveitar os ventos favoráveis, neste mesmo ano José Primo de Rivera, filho do ex-ditador Miguel Primo de Rivera e simpatizante de Mussolini, funda a Falange, um partido abertamente fascista com atuação parlamentar, mas que também atua como tropa de choque contra as organizações operárias.

Da Comuna das Astúrias ao biênio negro

Em setembro de 1934, a CEDA, que já era a principal bancada no parlamento, passa também a fazer parte do governo central ocupando três ministérios. Tal fato foi interpretado pelos setores republicanos e de esquerda como uma manobra golpista para a fascistização da República, mas sob o véu da legalidade republicana. Como resposta, na madrugada do dia 4 de outubro a UGT declara greve geral, que é revidada pelo governo Lerroux com um decreto de Lei Marcial no país. A CNT, sob inspiração dos anarco-sindicalistas, mantém-se à margem em todas as regiões de Espanha, a exceção da regional Astúrias, alegando não se envolver em greves de cunho político. Ao fim e ao cabo, a greve geral termina derrotada, mas, nas Astúrias, ela chega ao ponto de fervor quando os trabalhadores da bacia carbonífera de Cuenca, armados com dinamites, encabeçam uma insurreição que marcará a história da cambaleante II° República. Ali, já nos primeiros dias da greve geral, os operários ocupam a capital, Oviedo, assaltam 98 quartéis da guarda-civil e uma fábrica de canhões, montam uma guarda vermelha para a ordem pública, expropriam fábricas e chegam, de fato, a tomar o poder na região durante duas semanas. Tomam parte nesta insurreição a UGT, a seção local da CNT, o PSOE, o grupo Esquerda Comunista dirigido por Andreu Nin, o Bloco Operário e Camponês e o Partido Comunista Espanhol.

Surge a figura do oficial reacionário Francisco Franco, um jovem general católico que havia feito uma prestigiada carreira militar em África e que estava incumbido de esmagar a insurreição nas Astúrias. Ao final de quinze dias de resistência, Franco adentra o território e desata um morticínio sobre os operários isolados e já rendidos. A derrota da comuna das Astúrias consolida todo um período defensivo para o movimento operário espanhol, conhecido como biênio negro, que perdura por dois anos. A repressão do governo conservador se estende a todo o país e, mesmo as lideranças moderadas e conciliadoras, como Manoel Azãna, Largo Caballero e o líder catalão Lluís Companys, são perseguidas e presas. Outras são expulsas ou mesmo assassinadas. O saldo de 3.000 operários mortos pela repressão nas Astúrias, o fechamento dos sindicatos e mais de 70.000 presos pelo governo, sendo 30.000 somente de mineiros asturianos, são reveladores quanto à disposição do governo conservador diante de qualquer iniciativa autônoma e independente por parte da classe trabalhadora.

Domínio Público
20.000 soldados foram enviados para reprimir a insurreição nas Astúrias

A exigência de anistia aos presos políticos será o grande eixo mobilizador por trás das convocações do 1° de maio de 1935, que se realiza no marco de uma grande paralisação no país. Mas será só no ano seguinte que o movimento operário conseguirá reorganizar suas forças.

Surge a Frente Popular

Em fevereiro de 1936, realizam-se as últimas eleições gerais da II° República. No marco de um processo de retomada das lutas operárias e de rechaço à administração dos conservadores, assume uma coalizão batizada de Frente Popular. Esta coalizão é composta por socialistas moderados e burgueses republicanos com apoio tácito dos anarquistas que, sem declarar apoio de maneira explícita, liberam o voto de suas bases na Frente Popular. O PCE, cuja postura ao longo dos anos anteriores se caracterizava por recusar toda e qualquer unidade com os demais setores da esquerda, a quem acusava de fascistas (social-fascistas no caso dos militantes do PSOE e anarco-fascistas no caso dos militantes anarquistas), acompanha o ziguezague político operado por Stalin no movimento comunista mundial e abandona a linha anterior [2] para também se integrar à Frente Popular. Largo Caballero, dirigente do PSOE e da UGT, é quem encabeça a coalizão.

Propaganda da Frente Popular

O programa eleitoral sustentado pela Frente Popular adota um pálido verniz de esquerda, mas na essência é moderado até a medula, pois promete garantir a inviolabilidade da propriedade privada, estabilizar a república, assegurar o “princípio da autoridade” e Rechaça taxativamente “as medidas de nacionalização dos bancos propostas pelos partidos operários” e os “princípios de nacionalização da terra e sua entrega aos camponeses” [3]. Contudo, setores golpistas da direita conspiram já nos dias seguintes às eleições, levantando contra a Frente Popular a acusação de fraude eleitoral.

Entre a população trabalhadora, a vitória do novo governo é recebida com enorme entusiasmo: “Grandes manifestações operárias enchiam as ruas, exigindo pão, trabalho, terra, liquidação do fascismo e vitória total da revolução. (Maidanik apud Claudín, 1996, p. 194). Sem sequer esperar a posse, os operários impõem à força o programa de anistia prometido pela Frente Popular e retiram das prisões os milhares de presos políticos e reincorporam na marra outros tantos milhares de operários demitidos por razões políticas. Tem destaque a luta dos metalúrgicos da Catalunha e os operários da construção civil de Madrid, que colocam na ordem do dia uma série de reivindicações trabalhistas. No campo, os trabalhadores avançam sobre as grandes propriedades e começam a tomar terras.

Para acalmar as classes dominantes, o presidente Azaña profere discursos em que endossa sua promessa de respeitar os limites moderados do programa do seu governo e de dar uma basta nas greves e ocupações de terra. Tais declarações lhe valem o voto de confiança de líderes da própria extrema direita, como o deputado monarquista Calvo Sotelo, que assim recebeu os discursos de Azaña: “Expressou-se como um verdadeiro conservador. Sua declaração de respeito à lei e à Constituição devem impressionar favoravelmente a opinião pública” (apud Morrow, 1963). Já Ventosa, o porta-voz dos proprietários de terra catalães, declara: “Azaña é o único homem capaz de oferecer ao país a segurança e a defesa de todos os direitos legais” (apud Morrow, 1963). Azaña e Companys, dispostos a conciliar com a burguesia, perseguem e prendem sindicalistas e militantes de esquerda por todo o país. Depois de distúrbios em Madrid envolvendo militantes da CNT e a guarda-civil local, a central sindical anarquista convoca uma nova greve geral. No começo de julho saem às ruas mais de um milhão de trabalhadores.

Sobre esses acontecimentos, M. Casanova (1939, p. 24) pondera: “Os impasses iam crescendo. O representante clarividente da burguesia espanhola, Gil Robles, se deu conta de que, com o parlamentarismo não havia mais nada o que fazer. Alguns meses antes do golpe de julho de 1936 saiu do parlamento batendo na porta. E isso era muito mais que um gesto. Era a ruptura da grande burguesia com a democracia”.

*Bruno Rodrigues é estudante de Letras da UFC e militante da Resistência-PSOL e do Afronte em Fortaleza-CE

Notas

[1] Terra e liberdade (Land and freedom, 1994) é um dos principais filmes do cineasta socialista britânico Ken Loach. Neste filme é narrada a história de David Carr (Ian Hart), um comunista britânico que resolve servir como voluntário na luta contra Franco. Nas zonas republicanas, David testemunha o desmonte da revolução e, como parte dela, a repressão sobre as milícias operárias por parte do governo e a tomada da central telefônica da Catalunha em maio de 1937. Disponível em https://ok.ru/video/218451348032, com legenda em português.

[2] Essa linha teve consequências graves para o movimento operário mundial. Se na Espanha ela havia deixado o PCE na completa marginalidade até, pelo menos, 1935, na Alemanha ela foi particularmente desastrosa em 1933. Ali, o Partido Comunista, sob orientação de Moscou, recusa qualquer possibilidade de erguer uma frente única em conjunto com os socialdemocratas, para impedir a chegada dos nazistas ao poder. Daí em diante, a história é bem conhecida: Hitler chega ao poder em 1933 sem que seja disparado um só tiro de resistência vindo da esquerda. Esses eventos são explicados de forma detalhada no artigo: CANARY, Henrique, As lições de Trotsky na luta contra o fascismo, portal Esquerda online, 03/02/2017. Disponível em http://bit.ly/36b0zyj. Acessado em julho de 2020.

[3] Manifiesto del Frente Popular, 16/01/1936. Disponível em https://bit.ly/2CJKmWT, acessado em junho de 2020. Trad. Bruno Rodrigues

 

 *Siglas e referências

Generalitat – Governo catalão

Cortes – Parlamento espanhol

PSOE – Partido Socialista Operário Espanhol

CNT-FAI – Confederação Nacional do Trabalho-Federação Anarquista Ibérica

CEDA – Confederação Espanhola de Direitas Autônomas

UGT – União Geral dos Trabalhadores

POUM – Partido Operário de Unificação Marxista

PCE – Partido Comunista Espanhol

PSUC – Partido Socialista Unificado da Catalunha

 

Referências bibliográficas

BROUÉ, Pierre, La revolution espagnole (1931-1939), Paris, Flammarion, 1973. Trad. Bruno Rodrigues

BROUÉ, Pierre et TÉMINE, Émile, La révolution et la guerre d’espagne, Paris, Les Éditions de minuit, 1961. Trad. Bruno Rodrigues

CASANOVA, M. [Mieczyslaw Bortenstein], La revolución en España, 1939. Disponível em https://bit.ly/2DgmZVh, acessado em junho de 2020. Trad. Bruno Rodrigues

CLAUDÍN, Fernando, A crise do movimento comunista Vol.1 – A crise da internacional comunista, São Paulo, Global Editora, 1996.

DURGAN, Andy, Revolutionary Anarchism in Spain: the CNT 1911–1937, International Socialism – Quarterly journal of socialist theory of the Socialist Workers Party, pp. 93–110, 1981. Disponível em https://bit.ly/3gj3ngR, acessado em julho de 2020. Trad. Bruno Rodrigues

DURGAN, Andy, The Spanish Trotskyists and the Foundation of the POUM, Ph.D. thesis, London University, 1989. Disponível em https://bit.ly/34cyIz7, acessado em julho de 2020. Trad. Bruno Rodrigues

ENGELS, Friedrich, Sobre a autoridade, 1873. Disponível no Marxist Internet Archives, 2005: https://bit.ly/34E7zFz. Acessado em julho de 2020.

HOBSBAWM, Eric J., The Age of Extremes: A History of the World, 1914-1991, New York, Vintage Books, 1996.

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PAZ, Abel [Diego Camacho Escámez], La cuestión de Marruecos y la República española, Madrid, Fundación de Estudios Libertarios Anselmo Lorenzo, 2000.

TROTSKI, Leon, A Revolução Espanhola – COMPILAÇÃO, São Paulo, Iskra, 2014.

 

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