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Biografias: Pantelis Pouliopoulos (1900 – 1943), uma vida a serviço dos trabalhadores da Grécia e do internacionalismo

Por LUCHAS, Liga Unitária Chavista Socialista. Tradução: Célia Regina Barbosa Ramos

Considerado a maior figura do comunismo revolucionário da Grécia, seu nome está ligado a todo o desenvolvimento do movimento comunista na Grécia desde seu início, pouco depois da vitória da Revolução de Outubro, em 1917.

Nascido em Tebas, no distrito de Beotia, Pouliopoulos inscreveu-se na Universidade de Atenas em 1919, onde estudou Direito. Nesse ano, ele se juntou ao Partido Trabalhista Socialista da Grécia (SEKE), precursor do Partido Comunista da Grécia (KKE). Em 1920, foi convocado pelo exército para combater na guerra entre a Grécia e a Turquia.

Influenciado pelas ideias da Revolução Russa, denunciou o caráter imperialista da guerra, agitando a favor da confraternização com os soldados turcos e organizando os primeiros grupos comunistas no exército. Foi preso em 1922 por seu ativismo contra a guerra e liberado ao final da mesma. Logo ele se tornou o líder do jovem KKE, fundado em 1920, eleito para seu Comitê Central e para o Burô Político. Depois da derrota da Grécia na guerra, em 1922, organizou o movimento de veteranos da guerra e foi eleito presidente da Federação Pan-helênica de Veteranos, em 1924, imprimindo a esta uma orientação revolucionária.

Em agosto de 1925, Pouliopoulos foi processado em Atenas, junto com mais 23 militantes, sob a acusação de promover a autonomia da Macedônia e da Trácia. No julgamento, fez sua defesa oral por cinco horas. O julgamento recomeçou em fevereiro de 1926, mas as acusações foram retiradas. Mesmo assim, foi exilado junto com os demais para as remotas ilhas gregas, até a queda da ditadura, em setembro do mesmo ano.

Polinopoulos representou o KKE no V Congresso da Internacional Comunista. Foi secretário geral do partido de 1925 a 1927, quando estourou a crise no Partido Comunista da União Soviética (PCUS) entre a Oposição de Esquerda, liderada por León Trotsky, e a fração de Stalin. Polinopoulos tomou posição resolutamente a favor da Oposição de Esquerda, o que levou a sua expulsão do partido. Fundou o jornal Spartakos, que publicou documentos fundamentais da Oposição de Esquerda, e continuou sua luta ao lado de centenas de trabalhadores, ex-militantes do KKE. Estes se uniram sem reservas na formação da IV Internacional, participando com um delegado no seu congresso de fundação em 1938, adotando suas decisões sobre a unificação do movimento trotskista na Grécia.

Em 1936, instaurou-se a ditadura do General Metaxas, agente do Rei Jorge II, que aboliu o parlamento e lançou uma guerra à morte contra as organizações revolucionárias, que tiveram que passar à clandestinidade.

A ditadura lançou uma caçada contra Poliopoulos, oferecendo recompensas por sua captura. Conseguiu escapar da polícia até 1939, ano em que foi capturado e enclausurado na prisão de Aiginia. Em 1940, foi transferido para a fortaleza medieval de Acronaupie, onde organizou o debate, entre os camaradas presos, sobre a guerra imperialista.

Sobreviventes dessa época recordam que, ao sair da prisão, ficaram surpreendidos pela semelhança dos argumentos de Pouliopoulos com as teses sustentadas por Trotsky em seu famoso livro “Em defesa do marxismo”, apesar de ambos não terem tido contato um com outro.

Frente ao pelotão de fuzilamento, ele fez um discurso em italiano, apelando aos soldados para que não cometessem um crime contra seus irmãos de classe, servindo ao bestial imperialismo.

Em 1943, ele foi transferido para um hospital, por ter contraído tuberculose, onde tramou sua fuga. Em maio daquele ano, depois de um atentado com dinamite feito pelos partisans, as autoridades alemãs e italianas ordenaram o fuzilamento de centenas de prisioneiros. Polinopoulos foi escolhido, junto a outros líderes trotskistas como J. Makris, J. Xypolytos e Costas Yannakos. Frente ao pelotão de fuzilamento, ele fez um discurso em italiano, apelando aos soldados para que não cometessem um crime contra seus irmãos de classe, servindo ao bestial imperialismo. Os soldados se recusaram a cumprir as ordens e se travou uma luta entre estes e seus oficiais. Testemunhas asseguram que Polinopoulos caiu por mãos dos oficiais. Essa história é bem conhecida hoje em dia na Grécia, e o sacrifício heroico de Polinopoulos é objeto de veneração pela vanguarda revolucionária do país.

Polinopoulos também possuía vasta cultura. Falava vários idiomas – alemão, francês, inglês, italiano, entre eles – e traduziu para o grego obras fundamentais do marxismo, como O Capital, Crítica da Economia Política, o Anti-During e obras de Trotsky. Também foi um profícuo escritor de artigos, panfletos e livros sobre questões gerais da teoria marxista. Fundamental, entre eles, “Realeza, República, Comunismo”. No curso de sua carreira revolucionária, Polinopoulos foi detido, sentenciado e preso várias vezes.

Toda sua vida é um exemplo de ardor revolucionário, colocando sua vida e seu intelecto a serviço da emancipação dos trabalhadores gregos e do proletariado internacional.