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Discurso de Grandizo Munis no enterro de Trotsky

Discurso pronunciado por Grandizo Munis, no Panteão Moderno, ante o cadáver de Trotsky, no dia 22 de agosto de 1940

Camaradas, simpatizantes, amigos, todos: Ao nos vermos na trágica necessidade de falar ao lado do corpo já inerme de quem foi um grande líder do movimento operário mundial, as ideias se embaralham em nosso cérebro e as palavras ficam presas em nossas gargantas. León Trotsky já não existe! O homem que deu um poderoso impulso à revolução proletária, o mestre querido que alentou os primeiros passos de nossa infância política, jaz aqui, mudo para sempre. A mão assassina de Stalin conseguiu, a partir do Kremlin, dar o golpe definitivo. Mas o chacal que reside em Moscou não poderá conseguir seu objetivo. León Trotsky deixa amigos, ideias, uma organização que saberão elevar-se perante a história e vingar sua morte, mediante a ação revolucionária das massas, na cabeça de todos os opressores. Desde esta tribuna fúnebre, nós, seus discípulos, seus amigos, seus continuadores, assumimos perante o proletariado mundial o compromisso solene de levar a cabo vitoriosamente as ideias da IV Internacional. Ainda que universalmente reconhecida sua estatura gigantesca, a figura histórica de Trotsky merece aqui uma ligeira recordação. Nascido em um século em que a sociedade capitalista entra em sua fase de putrefação, Trotsky, como todos os grandes homens, de espirito inquieto e magnânimo, busca uma saída ao conflito de seu tempo e não tarda em encontrá-la no movimento operário internacional. Muito jovem, colocou-se ao lado dele, colaborando ativamente em seu desenvolvimento. Mas a perspectiva de sua adesão não podia se limitar a uma atitude genérica e incolor. Dentro do mundo proletário de princípios do século, em que o reformismo socialdemocrata havia capturado solidamente a maioria dos representantes operários, Trotsky se levanta, paralelamente a Lenin, como una vigorosa figura polêmica, regeneradora do movimento operário. A partir da primeira década do século, sua contribuição teórica ao marxismo revolucionário é de primeira categoria, ocupando assim, por direito próprio, um lugar eminentíssimo entre os grandes pensadores revolucionários. Nenhuma das categorias do reformismo tiveram impacto nele. Como seu inimigo irredutível, pelo contrário, combatendo-o sem descanso, atravessa toda a primeira etapa de sua vida, até se unir definitivamente a Lenin com as primeiras explosões da grande revolução russa. Com a Revolução de Outubro, o gênio já maduro de Trotsky, gênio que une às extraordinárias qualidades intelectuais uma grande energia e um dinamismo comunicativos, projeta-se imenso, impressionante, com toda sua capacidade de realização. Trotsky é o artífice do golpe de estado e quando a revolução, acossada em todas direções pelos exércitos brancos e imperialistas coligados, necessitou extrair um exército revolucionário de um país despedaçado pela miséria e extenuado por quatro anos de guerra, a capacidade criativa de Trotsky fez prodígios de realização. Do nada, construiu um exército que salvou a revolução, aniquilando os exércitos brancos. Seus detratores e assassinos de hoje não conseguirão apagar da história o nome de quem, como Trotsky, foi um dos primeiros contribuintes, em esforço e gênio, à vitória da maior revolução conhecida até hoje. Por causas que não é preciso analisar neste momento, a revolução de Outubro degenerou, caindo em mãos da oligarquia burocrática parasitária que ainda hoje usurpa o poder. Trotsky, como ele mesmo disse recentemente, recebeu numerosas ofertas da burocracia para que se decidisse a representá-la, em lugar de Stalin. Mas o temperamento revolucionário de Trotsky, seu pensamento honrado e fiel ao marxismo, não poderia se envilecer traindo a causa dos pobres pela dos burocratas. Como antes contra o czarismo, novamente se levanta iradamente contra a nova casta usurpadora, em aberta reivindicação dos de baixo. Desterros, perseguições, atentados, assassinatos de amigos e familiares, expulsões de um país a outro, Trotsky afrontou a tudo com exemplar dignidade revolucionária e continuou incansavelmente sua luta contra a burocracia stalinista da URSS e da Internacional Comunista. Como resultado desta atividade, em oposição à corrupção crescente do que foi a III Internacional, nasce o corpo da doutrina e a organização da IV Internacional. Trotsky dedicou a ela seus melhores e finais esforços. Sabia que a crise social do régime capitalista, surpreendendo o proletariado mundial sem uma organização autenticamente revolucionária, transformaria os partidos e grupos hoje minúsculos da IV Internacional em organizações de massas, dirigentes da revolução social. A figura de Trotsky adquire assim contornos titânicos ao longo dos anos. Forjador de uma revolução, atravessa incólume, sem manchas, o redemoinho da corrupção burocrática, se enfrenta ao Termidor stalinista e, desafiando uma das mais pérfidas e terríveis perseguições registradas na história, funda um novo movimento internacional, chamado a dar o segundo e definitivo impulso à revolução proletária mundial. E este homem foi assassinado pelos capangas de Stalin! Ei-lo aqui, eternamente mudo! Stalin o assassinou porque tem consciência plena do valor revolucionário da IV Internacional, nesta época de guerra. A insistência e a precipitação derradeiras para assassinar Trotsky, não podem significar senão que a situação de Stalin na URSS é catastrófica. O poder dos usurpadores cambaleia e pretendem evitar o fantasma das massas em insurreição, assassinando o homem que poderia lhes dar maior impulso e clareza. Mas se as balas, os punhais e as picaretas de Stalin puderam abater o corpo de Trotsky, as ideias de Trotsky acertarão seu alvo no coração dos tiranos, tanto os da contrarrevolução burguesa como os da contrarrevolução stalinista.

Publicado em Revolución, Órgano del Grupo Español no México da IV Internacional, nº. 6-7, agosto/setembro 1945 (Extraído de Documentação histórica do trotskismo espanhol, Edições La Torre, Madrid, 1996, páginas 343-345) e na internet, em http://grupgerminal.org/?q=system/files/DicursoFuneraTrosky-Munis-1940.pdf

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leon trotsky