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MUNDO

Tragédia humanitária no Líbano e solidariedade internacional

Micaias Sousa, de Fortaleza, CE
Um bombeiro, caminha em direção ao prédio ao local da explosão, de onde sai fumaça
Defesa Civil Líbano / Fotos Públicas

Fumaça, muita fumaça…depois uma explosão colossal com uma onda de choque arrasadora e registrada até por observatórios sismológicos estrangeiros. Os primeiros vídeos começam a circular e espantam pela força das imagens e pelo drama daqueles que presenciaram de diferentes perspectivas sem saber ao certo o que ou mesmo o porquê do que tinha se passado. Antes das primeiras notícias dos principais portais de notícias mundo afora, uma coisa era certa: uma tragédia de enormes proporções havia atingido o já tensionado Líbano.

São momentos como esse, com a explosão ocorrida no Líbano, que pela sua dimensão catastrófica e trágica, possuem a capacidade de interligar milhões e milhões de pessoas ao redor do mundo através de uma gama de sentimentos e sensações: preocupação, tristeza, espanto, luto,aflição etc. Nessa situação, é colocada à prova a verdadeira capacidade de empatia e solidariedade que nós, na condição de seres humanos que compartilhamos o mesmo mundo dominado pela barbárie capitalista e suas convulsões, temos de ter e expressar. O povo libanês, acometido por tensões internas e externas, uma crise econômica e um histórico de guerras civis devastadoras relativamente recentes, para não falar nos impactos da pandemia de COVID-19, é agora acometida por uma explosão no porto da capital Beirute que até o momento deixou milhares de vítimas, entre mortos, feridos e desaparecidos. Isso para não se deter nos danos infraestruturais que comprometeram o abrigo de milhares de pessoas, bem como o atendimento adequado nos hospitais e prejuízos econômicos de vasta natureza.

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É permitido, senão necessário, chorar. Nesse instante e no porvir, além da tristeza que nos aflige e da necessária empatia, lembremos da obrigação crucial de que tenhamos solidariedade internacional e nos debrucemos sobre aquela região e os problemas que a acometem, contextualizando o incidente na história do povo libanês e refletindo sobre o impacto disso tudo para os trabalhadores e trabalhadoras daquele país. Essa solidariedade internacional não é um fato dado, um evento automaticamente consequente ao ocorrido ou uma empatia em abstrato em relação ao povo de outro país. É uma construção coletiva, que demanda atitude, reflexão, ação e a percepção de que para além da empatia com os problemas enfrentados no presente decorrentes da tragédia, os povos, diferentes e distantes que estejam, se conectam através do passado chegando ao presente, e tem seus destinos futuros interligados, em maior ou menor medida.

Esse texto não tem a pretensão de ser uma análise detida sobre a história do Líbano e o fato recente, ou uma “politização da tristeza e do luto” mas sim o de gerar a reflexão de que não só empatia é necessária, mas também a solidariedade internacional mais sincera, forte e brilhante, que irradie até o povo libanês e os aqueça com o sincero abraço coletivo de um povo irmão que sente a tragédia humanitária que se passa. O sofrimento pelas tragédias nos conectam mas a solidariedade internacional gera laços de lealdade e amor que amparam e fortalecem a todos na condição de cidadãos do mundo. O fato recente vêm lançar ainda mais incógnitas sobre o futuro do Líbano e de seu povo já descontente com a situação vivida. Estejamos atentos e apoiemos o povo libanês na sua jornada futura de reconstrução e reivindicações.

Solidariedade internacional ao povo libanês!

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Líbano