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O corona só avança: a culpa é do vizinho sem noção?

Marcos Corrêa/PR

(Brasília – DF, 27/05/2020) Presidente da República Jair Bolsonaro,participa de videoconferência com o senhor Andrzej Sebastian Duda, Presidente da Polônia.Foto: Marcos Corrêa/PR

Politiza

Jovem e mãe, Iza Lourença é feminista negra marxista. Iza tem 26 anos, trabalha no metrô de Belo Horizonte e coordena o projeto Consciência Barreiro – um cursinho popular na região onde mora. É ativista do movimento anticapitalista Afronte e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Não, não é. Pelo menos não principalmente.

Nós vivemos em um momento de enorme dificuldade, no qual, há poucos meses, nenhum de nós imaginava que ia viver. Ter um neo-fascista com tendências supremacistas brancas no Governo Federal já era péssimo. Mas, o surgimento de uma pandemia levou essa situação ao limite.

O coronavírus precipitou uma crise econômica que já vinha sendo gestada há anos e era, dia após dia, agravada pelos devaneios pseudo liberais das elites herdeiras dos escravocratas. Tentaram transformar precarização em empreendedorismo e retirada de direitos em progresso. Não ia dar certo, é óbvio, mas o corona acelerou tudo isso.

Com a sua entrada avassaladora de país em país, as respostas ao mesmo demonstraram que a política no seu combate fariam toda a diferença. No Brasil, a combinação da gana da elite racista, da hipocrisia neoliberal e a degeneração moral que gerou o neo-fascismo, produziu um dos piores, se não o pior, cenário mundial.

Esse texto está longe de ter como objetivo de passar pano pro “tiozão do churrasco” sem noção, que por que acha que é muito homem, não precisa de quarentena. Ao contrário. Mas a ideia é debater quem são os principais responsáveis por esse cenário de filme de apocalipse.

Jair Bolsonaro defendeu que tratássemos o anormal, o inaceitável, com tranquilidade. Fez isso por que aprendeu nos porões da ditadura e nas mansões da Barra da Tijuca a esconder corpos e a disfarçar os óbitos. Acenou para os escravagistas mais desavergonhados do Brasil, dizendo: Confie em mim, sou cria dos mais habilidosos genocidas de nossa história.

O descaramento do presidente foi tamanho, que fez com que figuras sinistras como João Dória e Wilson Witzel parecerem razoáveis. Aqui em BH, para a extrema direita, Kalil em quatro semanas passou de empresário anti-política a Comunista com C maiúsculo.

Mas Jair tem requintes de crueldade, aprendeu com seus mestres. Foi contra o auxílio emergencial até o fim, nada fez pelos pequenos empresários, pelos donos de bares, pelos donos de banca de jornal. Por que sabia, se a única alternativa que tiverem for ficar em casa e passar fome, ou lutar pelo seu sustento, vão escolher a segunda.

Bolsonaro fez mais, incitou suas hordas nas ruas, os neofascistas raivosas vociferam: “Comunista”, para qualquer um que anda de máscara na rua. Todo mundo aqui já foi na padaria e passou pela desagradável situação de ter um homem branco de meia idade quase babando ao seu lado, sem máscara, de propósito, quase que dizendo: “Eu não ligo de morrer, diferente de você, seu covarde”. Nós ligamos sim de morrer, nossas vidas importam.

Não se enganem, cedo ou tarde, e nós temos que lutar para que seja cedo, Bolsonaro e sua política frente à pandemia irão entrar para a história da humanidade. Vai estar junto com os ditadores, genocidas obscurantistas, dos inimigos da liberdade, do conhecimento, dos inimigos do povo.

Bolsonaro é culpado por cada vida a mais que for perdida nessa pandemia. No entanto Jair tem cúmplices, Romeu Zema, apesar de usar sapatênis e não botina militar, vai para o mesmo lugar na história, talvez com a única diferença de ser ainda mais covarde.

Eles nos colocaram entre o vírus e a doença. Está todo mundo liberado para ficar com raiva e até xingar o vizinho sem noção. Mas nunca tirem da cabeça que os responsáveis pelo desastre que ocorre no Brasil, é Bolsonaro, seu governo e a elite escravocrata e racista que o apoia. O encontro deles está marcado com a história.