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BRASIL

Neste domingo, quem mandou nas ruas de Porto Alegre foi a oposição ao Bolsonaro

Por Lucas Fogaça, de Porto Alegre, RS

Durante alguns meses bolsonaristas fizeram manifestações pelo país pedindo a intervenção militar, um novo AI-5 e o fim do isolamento social. Durante esse período, a esquerda e os movimentos sociais respeitavam a quarentena e por isso não iam às ruas. Mas toda paciência tem limite: inspirados na revolta antirrascista nos EUA e revoltados com o governo Bolsonaro, dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas num dia nacional de protestos no Brasil.

Em Porto Alegre (RS), algumas milhares de pessoas enfrentaram os riscos da repressão policial, a violência dos bandos de extrema direita, a contaminação da COVID-19, e marcharam na capital gaúcha nesse domingo (7/6). Saindo da Esquina Democrática (Zaire) e percorrendo as ruas do Centro Histórico até o Largo Zumbi dos Palmares, durante cerca de 2h os manifestantes entoaram cantos em defesa das liberdades democráticas, contra Bolsonaro e Mourão e porque Vidas Negras Importam.

Uma preocupação dos manifestantes foi o distanciamento social e as medidas contra o coronavírus. Todos presentes usavam máscaras, e os ativistas auto-organizados distribuíam álcool gel e pediam para que se mantivesse a distância – uma medida difícil de por em prática.

Das janelas um apoio massivo dos moradores mostrando nas ruas o que as pesquisas de opinião já mostravam: somos ampla maioria contra o governo. As redes sociais também serviram pra mensurar a simpatia em escala de milhões que os protestos atraíram.

Em Porto Alegre esse movimento começou fazem quatro domingos e poderíamos dizer que uma primeira grande vitória foi conquistada: a expulsão dos bolsonaristas das ruas. Depois de meses desfilando em defesa da ditadura militar, neste domingo não houve manifestação bolsonarista em Porto Alegre.

É uma vitória transitória, mas importante. Por um lado porque sinaliza pra imensa maioria da população que está contra o governo que há um movimento que vai lutar até o fim pra defender as liberdades democráticas e os direitos dos trabalhadores e dos oprimidos. Que retirar Bolsonaro e Mourão do governo é uma questão de vida ou morte. Por outro lado porque manda um recado para os bolsonaristas: “quem com ferro fere, com ferro será ferido. Em legítima defesa, vamos revidar!”

As manifestações também tem outra grande simbologia: a esquerda se apresentou na luta de classes como força política independente. Durante meses vimos o protagonismo da oposição burguesa na luta contra Bolsonaro, essa oposição que tem entre seus expoentes o Jornal Nacional, a Folha de São Paulo, Dória, Moro e o STF. A partir desse domingo, a esquerda entrou na cena política nacional e agora disputa com esses setores a liderança da oposição. O que é uma ótima notícia, pois embora a oposição burguesa brigasse com Bolsonaro, abraçava Paulo Guedes.

No próximo domingo (14/6) já há manifestações sendo organizadas. O movimento negro articula uma grande mobilização contra o racismo e porque Vidas Negras Importam. 7 anos depois, um junho quente parece despontar no país para animar a esperança de milhões.

Foto: Alina Souza

Live do ato de Porto Alegre