Pular para o conteúdo
BRASIL

Comitê contra a fome em Fortaleza: uma experiência vitoriosa

Fábio Queiróz, de Fortaleza, CE

Na segunda metade do mês de abril, criou-se em Fortaleza o Comitê Operário, Popular e Juvenil Contra a Fome, com o objetivo de desenvolver uma campanha voltada para ações de solidariedade, pensando, principalmente, nas trabalhadoras e trabalhadores que, vivendo em comunidades muito pobres, enfrentam enormes dificuldades em meio à pandemia.

O comitê foi ganhando forma pouco a pouco. Realizaram-se várias reuniões virtuais e a campanha ganhou os corações das pessoas que se somaram a essa luta. Segundo Flávio Patrício, operário da construção civil e integrante da Resistência do Conjunto Habitacional Miguel Arraes, “diversas entidades se somaram ao movimento, dentre elas os sindicatos dos trabalhadores da construção civil, de rodoviários, da confecção feminina e a juventude do Afronte-UECE”.

o comitê operário e popular adquiriu 210 cestas básicas

Das reuniões surgiram iniciativas de buscar o apoio de organizações sindicais da cidade, do Estado e até de outras partes do país. Esse primeiro movimento redundou na arrecadação de um fundo, depositado em uma conta na Caixa Econômica. Com os recursos em mão, o comitê operário e popular adquiriu 210 cestas básicas e organizou a sua distribuição, dando prioridade às mulheres e famílias desempregadas.

Nas palavras de Nestor, coordenador do sindicato dos trabalhadores da construção civil, “considerando o tamanho das famílias alcançadas, 840 pessoas foram beneficiadas. Em geral, são trabalhadores e trabalhadoras da construção civil, do transporte público e da confecção, que estão desempregados(as) e não receberam o auxílio emergencial”.

Os beneficiados pela campanha residem em alguns dos bairros mais fortemente atingidos pela transmissão do novo coronavírus na capital cearense: José Walter, Planalto Airton Sena, Cidade Jardim, Genibaú, Miguel Arraes/Bom Jardim, Autran Nunes, Conjunto Ceará, Conjunto Fluminense, Canindezinho e Parque Santa Rosa.

Durante o trabalho de distribuição das cestas básicas, Santana, dirigente histórica do sindicato das trabalhadoras da confecção feminina, manifestou a sua indignação diante do abandono das pessoas que moram na periferia e, muitas vezes, se veem obrigadas a sair de casa e arriscar a vida para não permitir que os filhos morram de fome. Para a líder sindical, “é lamentável ver as pessoas sofrendo com a demora na análise de seus pedidos do auxílio emergencial e, pior ainda, é notar como os erros no sistema produzem filas intermináveis nas agências bancárias”. Por fim, responsabilizou o governo de Jair Bolsonaro por complicar – de modo deliberado – a vida de milhões de seres humanos, especialmente das mulheres.

Aliás, o movimento conta com forte presença feminina, a exemplo de Gladys (Afronte), Iracema (confecção feminina) e Jovânia (construção civil). Nas visitas aos bairros, elas entraram em contato com muitas companheiras e se identificaram com as suas falas, além de testemunharem as dificuldades e aflições da vida de cada uma delas. Notaram, enfim, como as mulheres, que são a linha de frente da luta contra a pandemia nos postos de saúde e nos hospitais, são as que, nos bairros populares, mais sentem os horrores desses tempos tão difíceis.

O comitê seguirá arrecadando durante todo o mês de maio, com o objetivo de ajudar mais 200 famílias. As pessoas e entidades que queiram contribuir com as ações de solidariedade têm uma conta para as doações:

CEF – Caixa Econômica Federal
Agência: 0752
conta poupança: 60272-1
Operação 013
Francisco Clésiberto dos Santos Sobrinho
CPF: 187.103.363.20