Pular para o conteúdo
BRASIL

#SOSMãesSolo: A solidariedade é substantivo feminino

Anna Karina Cavalcante, de Fortaleza, CE

A pandemia afeta mais a mulheres do que a homens. E isso é assim por vários motivos. Seja pelo aumento da violência doméstica, seja pelas perdas dos empregos, subempregos, bicos… nós mulheres sempre corremos mais perigos e riscos em uma sociedade machista como a nossa.

Faz parte dessa conta a própria divisão social do trabalho. O papel de cuidar do outro na sociedade machista é essencialmente feminino. Cuidamos dos lares, dos velhos, dos doentes, de maridos e filhos em situação de privação de liberdade, enfim, estamos sempre cuidando dos outros e quase ninguém está por nós. Não à toa cotidianamente sentimos o peso do mundo em nossas costas. E estamos em todas as linhas de frentes, seja como mães, avós, irmãs, esposas, domésticas, faxineiras, babás, cuidadoras de idosos, enfermeiras, professoras. E claro, nessa pandemia estamos ainda mais fragilizadas e com medo, muito medo.

Mas entre nós, mulheres, existem aquelas em situação de maior precariedade: as mães solo. Não à toa, as e os parlamentares do PSOL fizeram muita pressão pra ser aprovada pelo Congresso como parte do projeto da Renda Básica Emergencial, a inclusão dessas mulheres com o teto do auxílio que é de R$ 1.200,00. E como não podia ser diferente, o governo genocida de Jair Bolsonaro resolveu dificultar essa conquista exigindo que seus filhos tenham CPFs.

No Ceará, o número de mulheres que chefiam lares, teve um crescimento de 37,5% para 47,1% de 2012 para 2018. No último levantamento feito pelo IBGE (em 2015) os números de lares compostos apenas pelas mães  foram de 11,6 milhões de famílias com mulheres com uma carga de trabalho extenuante, exaustiva e emocionalmente enfrentando ainda muitos preconceitos. São mulheres nas mais variadas condições que são colocadas na situação de chefiar suas famílias e que agora passam por dificuldades ainda maiores.

Em Fortaleza, aquelas e aqueles que constroem a campanha Por Todas Nós, militantes da Resistência/PSOL e da juventude Afronte, nos lançamos a levar um pouco de solidariedade à parte dessas mulheres em nossas periferias, afinal, a fome não espera a burocracia do governo. Quem tem fome tem pressa! Decidimos impulsionar uma campanha de financiamento de distribuição de kits básicos de alimentação e limpeza com a hashtag #SosMãesSolo. E já distribuímos, com ajuda de muitas e muitos amigas e amigos, 60 kits.

 

No domingo, 12 de abril, levamos solidariedade ao coletivo Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD), no bairro Paupina, onde muitas lideranças são mulheres na luta por moradia no Conjunto Habitacional Machado de Assis. Foram 25 kits básicos de alimentação com 1 kg de feijão, sal, açúcar, macarrão, 2 kg de arroz, 2 pacotes de massa de milho, café em pó, óleo, farinha, bolachas e leite em pó. Diante da pandemia achamos importante acrescentar kit de limpeza e higiene como alvejante, sabonete e absorvente feminino. Pode parecer pouco, e de fato é, mas diante da fome a ajuda tem sido importante e não falta quem precisa. Neste domingo, dia 19 de abril, foi a vez de levar solidariedade a mulheres do conjunto habitacional Miguel Arraes, no bairro Bom Jardim, e entregamos mais 25 kits.

A campanha continua enquanto for possível. É bom lembrar que o secretário de saúde do Ceará projeta, só para Fortaleza, um número de 250 mortes por dia no mês de maio: o mês das mães. A solidariedade não pode parar. No próximo fim de semana o #SosMãesSolo pretende chegar a mães e esposas de pessoas em situação de privação de liberdade e precisa de sua ajuda, seja divulgando nossas ações, seja contribuindo financeiramente através de algumas das contas disponibilizadas por nossos militantes. Àquelas e aqueles que já contribuíram nosso muito, muito obrigado. Sigamos juntas. Por todas nós!