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Como fica a situação dos trabalhadores do transporte público diante de uma Pandemia?

Pablo Artes

Politiza

Jovem e mãe, Iza Lourença é feminista negra marxista. Iza tem 26 anos, trabalha no metrô de Belo Horizonte e coordena o projeto Consciência Barreiro – um cursinho popular na região onde mora. É ativista do movimento anticapitalista Afronte e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Nesses últimos dias, um debate tem ocupado a cabeça, as conversas e os grupos de whatsapp da categoria metroviária de Belo Horizonte: o metrô deve ou não paralisar?
De um lado, a compreensão de que o transporte público é uma atividade essencial e, assim como os hospitais, farmácias e supermercados, não pode parar. Afinal, quem transportará a atendente da farmácia, a trabalhadora da limpeza e a técnica de enfermagem do hospital, o caixa do supermercado etc?
Do outro lado, a defesa da paralisação total do metrô, a fim de diminuir os riscos de contaminação não só da saúde dos funcionários e seus familiares, como da população belorizontina que utiliza o metrô e pode ser contaminada dentro dele.
Tendo em vista a compreensão de que o metrô é uma atividade essencial e ao mesmo tempo considerando a preocupação com a segurança dos trabalhadores e usuários do metrô, o sindicato cobrou intervenções da empresa.
O Sindimetro pressionou a CBTU e conseguiu as seguintes medidas: liberação das pessoas que estão no grupo de risco, fornecimento de álcool em gel e luvas para as estações, disponibilidade de sabonete não diluído nos banheiros, entre outras medidas. Além de parar a circulação dos trens novos por causa do ar condicionado e realizar limpeza nos trens após cada viagem. Essas medidas começaram a ser implementadas na última  quarta-feira.
Uma comissão foi criada entre sindicato e empresa para acompanhar as medidas adotadas e o Sindimetro, através da diretora sindical Alda Lúcia, tenta garantir que funcionários que moram com pessoas que estão dentro do grupo de risco também sejam liberadas.
O Sindimetro também apresentou para a empresa a proposta de fechar as estações para a população em geral e permitir a entrada apenas de funcionários que trabalham em atividades essenciais, mediante apresentação de crachá. Isso combinado com horário reduzido de circulação do metrô, de 6h às 20h, e trens circulando a cada uma hora. Dessa forma, seria possível um rodízio maior de escala de trabalho entre os funcionários. Até o momento, a empresa não respondeu sobre essa proposta.
Hoje, a direção da CBTU decidiu por reduzir os horários de funcionamento do metrô, que passará a funcionar apenas em horários de pico. Essa medida ocorreu de acordo com a diminuição da quantidade de pessoas circulando, uma vez que o prefeito Alexandre Kalil decretou o fechamento de grande parte do comércio em Belo Horizonte.
A medida da CBTU passa a valer a partir de amanhã e requer nosso acompanhamento e avaliação com calma. Além disso, precisamos cobrar o rodízio de funcionários, que a superintendência afirmou que começará a partir de segunda-feira.
Podemos também observar as medidas adotadas por outros países. O melhor exemplo, na minha opinião, aconteceu em Londres, onde houve uma restrição também parcial do metrô – fechou as estações que não atendiam hospitais.
Acredito que prestar o serviço para quem precisa sem expor os trabalhadores e usuários do metrô ao risco, é a missão do transporte público. Vamos acompanhar as medidas para fazermos as devidas avaliações e correções.