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Dia de caos em São Paulo. A culpa é da chuva?

Silvia Ferraro

Silvia Ferraro

Feminista e educadora. Professora de História da Rede Municipal de São Paulo e integrante do Diretório Nacional do PSOL. Ex-candidata ao Senado por São Paulo. Formada pela Unicamp.

Este é o portão principal da escola que eu trabalho. Nesta segunda, saí de manhã pra ir à escola, mas não consegui nem chegar por causa de vários pontos de alagamentos na Marginal Tietê. Os professores que conseguiram chegar ficaram com seus carros embaixo d’água e ilhados. Uma professora teve a casa alagada. Mães e pais que podiam, foram buscar os filhos.

Mas este é só um pequeno exemplo do que aconteceu em São Paulo na manhã de ontem. Outras fotos mostram um pouco do drama de morar em uma cidade que quando chove um pouco mais da conta, alaga.

Mas a culpa das enchentes é da chuva? Isso é o que diz o prefeito Bruno Covas tentando se isentar da responsabilidade. Com uma rápida pesquisa, vemos que as verbas para contenção de enchentes não estão sendo aplicadas como deveriam, pelo menos desde 2017. Quando Dória estava prefeito, ele cortou 30 milhões das verbas para contenção de enchentes e ônibus, e desviou para o seu projeto de privatização da cidade. Agora com Bruno Covas não foi diferente. De 2017 à 2019, foi reduzido 16,2% do valor orçamentário para este fim. Mas não é só isso. Dos 973 milhões que deveriam ter sido investidos em 2019, apenas 48% foi utilizado. A prefeitura contesta estes dados, mas não mostra como gastou o dinheiro.

Bruno Covas afirmou: “A gente não tem como sumir com a água”, mas pelo visto tem como sumir com o dinheiro, já que as verbas estão sendo reduzidas a cada ano.

A questão é que falta um planejamento estratégico e mais do que isso, falta um projeto político de inversão do que tem sido feito até agora, sem resultado. O crescimento de São Paulo priorizou o asfaltamento, cada vez mais solos impermeáveis, com o tamponamento de rios e criação dos piscinões. Porém, cidades pelo mundo que estão conseguindo combater os efeitos das enchentes estão indo no caminho inverso. É preciso criar solos permeáveis e não permitir que a especulação imobiliária continue arrebentando com as áreas verdes, priorizar o transporte coletivo e não virar as costas para os rios, pois eles se voltam contra esse sistema que quer matá-los. Quem acaba sofrendo mais com tudo isso são as populações mais pobres, que moram em áreas de risco e nos bairros mais distantes.