Governo Hélder Barbalho silencia a imprensa no Pará

José Emílio Almeida*, de Belém (PA)
Marcelo Camargo / Ag. Brasil

Helder Barbalho, em 2017, como ministro da Integração Nacional

Com a eleição de Hélder Barbalho (MDB) ao governo do Pará, ocorreu junto o silenciamento da Imprensa no Estado na medida em que sua família é dona de boa parte dos meios de comunicação em vários municípios e as empresas concorrentes foram todas compradas pelos contratos de publicidade do governo do estado.
Com isso, denúncias de todo o tipo e das mais diversas regiões do Estado, ficaram sem repercussão. E, como se aqui o povo não tivesse direito a reclamar, a imprensa não divulga mais as queixas da população.
Cerca de 3.800 professores aprovados fora das vagas em concurso público promovido pela administração anterior, não conseguem repercutir na imprensa local as suas inúmeras manifestações de protesto contra o governo.
Esses professores ficaram sem o direito às vagas, ocupadas por pessoas contratados de forma temporária, indicadas por deputados estaduais e federais da base de apoio do governador. Até prefeitos e vereadores de municípios do interior do Estado têm as suas reivindicações atendidas pelo governador, através da secretária de Educação, Leila Freire, que, inclusive, chegou a desfazer negociação acertada entre a Associação dos Concursados do Pará (Asconpa) e o chefe da Casa Civil, Parsifal Pontes, garantindo a chamada de 1.043 professores do concurso.
Ao invés das nomeações, o Estado promoveu mais processos seletivos simplificados, mais conhecidos como seleção dos indicados pelos políticos ligados ao governador. Essas contratações atingiram quantitativo impensável e jamais visto, mesmo durante o governo do tucano Simão Jatene. Helder abriu a porteira das contratações de temporários no Estado, não apenas na Seduc. Em todos os órgãos da sua administração, a entrada de trabalhadores pela janela já supera as contratações feitas por Jatene.
Na Seduc (Secretaria de Educação), ocorre todo tipo de irregularidades. Lá é comum o desvio de função (prática ilegal de professores de uma disciplina assumindo carga horária de outra disciplina). Professores de Matemática, por exemplo, estão dando aula de Física e vice-versa; “amigos” de deputados tomam posse fora do prazo estabelecido; contratações, para o sistema Mundiar, de professores que também trabalham no regular.
Diversas reuniões, protestos e ações judiciais têm sido feitas pelos concursados, mas sem o êxito esperado, em parte devido ao silêncio dos órgãos de imprensa. As sugestões de pauta enviadas para TVs, rádios e jornais paraenses são desprezadas pelos jornalistas, que veiculam apenas as ações do governo.
Infelizmente a imprensa se calou, mesmo diante de tantos fatos reais e que merecem a devida cobertura, para que toda a população veja o outro lado da notícia e tome conhecimento do que de fato, se passa por aqui.
O controle político da imprensa é um atentado à democracia,  já tão combalida no atual governo Bolsonaro que ataca a democracia das instituições como universidades e procuradoria geral da República,  além de homenagear torturadores e macular a memória de perseguidos pela ditadura.
Diante dessa situação, a Asconpa fará denúncia de improbidade administrativa no governo do Estado do Pará, à OAB e ao Ministério Público do Estado e seguirá na luta denunciando as injustiças e ataques dos governos e se apoiando na imprensa alternativa para divulgar suas idéias e denúncias.
* José Emílio Almeida é presidente da ASCONPA (Associação dos Concursados do Pará).