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MUNDO

Ou Brexit com acordo, ou sem Brexit

Eduarda Johanna Alfena, de Campinas (SP)
Reprodução Voxeu

Boris Johnson tornou-se o novo presidente do Partido Conservador do Reino Unido e consequentemente Primeiro-Ministro, sucedendo o catastrófico governo da Torie Theresa May.

A disputa era entre Johnson e Jeremy Hunt. Este defendia um Brexit Soft, ou seja, com acordo entre o Reino Unido e a União Europeia. A postura de Johnson foi clara: ele quer um divórcio beligerante entre Londres e Bruxelas.

Dois ministros ameaçaram pedir demissão caso Johnson fosse nomeado para suceder May. Como a reportagem deixa claro, Johnson exigirá que todos os ministros apoiem sua proposta de divórcio hostil.

Os ministros que ameaçaram sair foram o da Justiça e o da Economia. Provavelmente eles temem o pior em um Brexit sem acordo: produtos estragando em portos e aeroportos, uma vez que os produtos vindos da União Europeia seriam automaticamente bloqueados de entrar no país e os britânicos teriam de negociar tratados de comércio com todos os 27 países separadamente, um esforço de décadas. Isso sem falar nos devires separatistas escoceses e norte-irlandeses.

Os ministros “rebeldes” propõem até retomar seus cargos de parlamentares para formar uma frente de Tories pró-UE. Certamente, sair com um acordo teria os mesmos efeitos práticos de permanecer no bloco, mas daria mais tempo para que os acordos sejam negociados.

Tempo. Isso é o que os britânicos não têm. Antes o prazo de definição era até o final de abril, mas a União Europeia concordou em estendê-lo por mais seis meses. May havia pedido apenas dois meses e acabou ganhando bem mais. Mas não parece que a UE terá paciência eterna, uma vez que o Parlamento Europeu em Strasbourg elegeu para presidir a Comissão Europeia (órgão executivo do Bloco Comum) a então Ministra da Defesa da Alemanha de Merkel, Ursulavon der Leyen.

Como a própria Merkel pretende assumir algum cargo de comissária (ministra) da União Europeia, podendo até suceder Leyen, creio que o bloco não dará prazos e mais prazos aos britânicos. A medida mais correta a ser tomada, repito, é deixar o povo britânico escolher. Que se faça um novo referendo, mas dessa vez um vinculativo, isto é, que gere efeitos automaticamente sem passar por Parlamento, rainha ou premiê.

Que os britânicos escolham:

A) Você deseja que o Reino Unido deixe a União Europeia? ( ) Sim ( ) Não
B) Em caso de saída, você quer que seja feito um acordo com a União Europeia? ( ) Sim ( ) Não.

As forças políticas tradicionais do Reino Unido não estão conseguindo chegar a um consenso, portanto, é a vez do povo britânico decidir o que quer para si. Os militantes britânicos deveriam ir para a rua, disputar, debater e deixar o povo escolher. Talvez a intenção dos Tories favoráveis a um divórcio Hard (isto é, sem acordo) seja tumultuar e protelar para que o prazo seja atingido, causando uma saída forçada.

Quando o povo decidiu por se divorciar em uma eleição muito acirrada e fomentada por fake news, esse debate não foi posto e não se sabia dos efeitos práticos. As consequências de sair sem acordo são catastróficas, portanto, o povo tem que ter o direito de decidir.

 

*Esse artigo representa as posições da autora e não necessariamente a opinião do Portal Esquerda Online. Somos uma publicação aberta ao debate e polêmicas da esquerda socialista.

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brexit / reino unido