MBL e outros já abandonaram o barco; Bolsonaristas entraram no modo desespero

Direita Volver

Coluna dedicada ao acompanhamento semanal das ações e absurdos dos representantes da extrema direita. Por Ademar Lourenço.

A vida militância bolsonarista não está nada fácil. Até aliados bem próximos já estão jogando a toalha. Olavo de Carvalho, mentor intelectual da família Bolsonaro, disse que não fala mais da política brasileira. “Eles querem me tirar da parada? Tiraram. Eu vou ficar quietinho agora”, falou o astrólogo em entrevista. O atual ministro da educação, Abraham Weintraub, é discípulo dele. Parece que neste exército soldado ferido é abandonado para morrer sozinho.

O roqueiro decadente Lobão foi além. Em entrevista dada nesta sexta, disse que Bolsonaro não tem capacidade para governar. “Se você fizer uma pesquisa de campo com os que votaram no Bolsonaro, 90% das pessoas estão decepcionadas”, cravou o músico.  Sua posição foi confirmada em vídeo no Youtube. Lobão foi um dos maiores entusiastas de Bolsonaro na campanha de 2018. Além de pular fora do governo, Lobão também comprou briga com Olavo de Carvalho pelo Youtube.

A maneira como eles tratam uns aos outros é um dos aspectos mais nojentos dessa militância de direita. De ameaça de morte à roubo de marca, cada um faz o que pode para puxar o tapete do outro. Agora com a crise, parece que a lógica do “cada um por si” vai imperar.  Para quem acompanha esta militância, nenhuma surpresa.

O Movimento Brasil Livre (MBL) parece que já está cuidando de si. Renan Santos, articulador do grupo, reconheceu em artigo nesta quinta-feira que errou sobre as manifestações dos estudantes do dia 15 e que “o que Bolsonaro e Weintraub fizeram foi um desastre”. Em entrevista para a Revista Época, considerou Bolsonaro um inimigo. Desde o impeachment de Dilma, em 2016, o MBL é um dos principais articuladores do antipetismo nas redes sociais. Tem muita influência na juventude.

Temos que salvar com muito carinho os prints e os links dessa turma apoiando o atual presidente. Em menos de dois anos, eles vão falar que “Bolsonaro era de esquerda” e que “era aliado do PT”. Se existisse print na época da Alemanha Nazista, a direita ficaria 100 anos sem ganhar uma eleição. Não podemos perder agora essa oportunidade que a tecnologia nos dá.

O império contra-ataca

Não nos enganemos. A milícia digital de Bolsonaro ainda é forte e está atuando com toda força. Como esta coluna avisou semana passada, a máquina de distribuição de mensagens falsas no whatsapp está tão ativa quanto na campanha de 2018. Esta semana isto foi matéria no The Intercept.

No Twitter, eles têm um exército bem coeso e disciplinado. Conseguem subir uma hashtag nos Trending Topics de maneira organizada, com todo mundo twitando da forma como é mandado nos grupos do Whatsapp. Subestimar o inimigo agora pode ser fatal. Eles ainda têm capacidade de reação.

Mas até nesse núcleo mais fiel ao presidente já há sinais de crise. Todos sabem que, quando o casal insiste em publicar fotos de momentos românticos no Instagram a todo tempo com melosas declarações de amor, é porque está em crise. A militância bolsonarista está nesta situação. As postagens com “continuo sendo Bolsonaro” e “sou Bolsonaro até o fim” são insistentes, forçadas e sempre fora de contexto. Parece que as pessoas que eram “caixa 2 do Bolsonaro” estão muito preocupadas em convencer a si mesmas. Quando perguntadas se ainda apoiam o governo, a raiva é maior que o normal. O que move estas pessoas a esta altura do campeonato não é a convicção, mas o medo de dar o braço a torcer.

Batalha será decidida nas ruas

Felizmente, a batalha vai ser decidida não nas redes sociais, mas na vida real. O ato do dia 15 colocou a militância de direita nas cordas. Foi o que animou a oposição e fez com que boa parte da população fosse ganha para o nosso lado. As ruas não têm algoritmos. É nelas que o futuro do país vai ser definido. E nas ruas vai ser difícil Bolsonaro e a direita voltarem a ser maioria.