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Não vai ter corte, vai ter luta

Politiza

Iza Lourença é feminista negra interseccional. Iza tem 25 anos e trabalha no metrô de Belo Horizonte. Formada em jornalismo pela UFMG, foi Coordenadora Geral do DCE e atualmente coordena o projeto Consciência Barreiro – um cursinho popular na região onde mora. É ativista do movimento anticapitalista Afronte e do Partido Socialismo e Liberdade – PSOL.

Havia energia represada. Existem milhões dispostos a lutar e resistir a esse tenebroso momento que vive o Brasil. Não estamos sozinhos, ninguém soltou a mão de ninguém. O dia de hoje foi o monumental.

No entanto, o momento é crítico demais para que nós não aprendamos com os erros do passado. As manifestações de junho de 2013, os atos do Fora Temer e a mobilização contra a PEC do fim do mundo em 2016, a luta contra a reforma da previdência em 2017, também foram monumentais. Mas não foram o bastante.

A mobilização e a resistência devem ser permanentes, somente grandes atos não são o suficiente para derrotar esse governo e o projeto das elites do Brasil.

O momento histórico nos exige mais que isso. Precisamos ganhar milhões e mais milhões. A energia comprovada pelos atos de 15 de maio precisa ser canalizada para o diálogo com a população. Os estudantes, professores e trabalhadores da educação precisam tomar as ruas do país nas próximas semanas, mas não somente em multidões. Precisam se dividir para discutir com a sociedade, precisamos dialogar com os 99%.

Os estudantes universitários, os pesquisadores de todo o país, tem a obrigação de se aproximar da sociedade e apresentar o seu trabalho nas ruas. Não é hora somente de dizer: “pintemos a universidade de povo”, é momento de pintar o povo de universidade. É necessário defender as cotas, defender a popularização da universidade, defender o ensino superior universal.

Os professores do ensino básico precisam sair ás ruas para contar a população o caos que existe no ensino público, os estudantes secundaristas precisam exigir dos brasileiros que eles apoiem a sua luta pelo futuro.

E, se a greve geral da educação gerou o impacto que vemos hoje, imaginem uma greve geral do conjunto dos trabalhadores. Abriu-se a possibilidade de se construir um grande movimento no dia 14 de junho. Existe a possibilidade de uma paralisação nacional que abale as estruturas do país e interrompa o projeto deste governo.

A situação, como dito acima, é muito grave. Não é possível afirmar que esse movimento irá se concretizar. Mas o 15M provou que ele pode, mostrou que é possível. E se existe alguma possiblidade de que isso aconteça, se existe uma pequena possiblidade de derrotar Bolsonaro, então todos nós temos a obrigação de aceitar a missão, nos jogando de cabeça nesse processo que o 15M acabou de inaugurar. Até a vitória!