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É urgente que a CSP-Conlutas reveja sua posição ante a Venezuela

Por: Gibran Jordão*, do Rio de Janeiro, RJ

“Nos países da América Latina, os agentes dos imperialismos “democráticos” são particularmente perigosos, porque são mais capazes de enganar as massas que os agentes declarados dos bandidos fascistas. Eu tomarei o exemplo mais simples e mais demonstrativo.
Existe atualmente no Brasil um regime semifascista que qualquer revolucionário só pode encarar com ódio. Suponhamos, entretanto que, amanhã, a Inglaterra entre em conflito militar com o Brasil. Eu pergunto a você de que lado do conflito estará a classe operária? Eu responderia: nesse caso eu estaria do lado do Brasil “fascista” contra a Inglaterra “democrática”. Por que? Porque o conflito entre os dois países não será uma questão de democracia ou fascismo. Se a Inglaterra triunfasse ela colocaria um outro fascista no Rio de Janeiro e fortaleceria o controle sobre o Brasil. No caso contrário, se o Brasil triunfasse, isso daria um poderoso impulso à consciência nacional e democrática do país e levaria à derrubada da ditadura de Vargas (5). A derrota da Inglaterra, ao mesmo tempo, representaria um duro golpe para o imperialismo britânico e daria um grande impulso ao movimento revolucionário do proletariado inglês. É preciso não ter nada na cabeça para reduzir os antagonismos mundiais e os conflitos militares à luta entre o fascismo e a democracia. É preciso saber distinguir os exploradores, os escravagistas e os ladrões por trás de qualquer máscara que eles utilizem!”
( Entrevista Com Leon Trotsky, 1938)

 

Tendo como pano de fundo o fracasso dos EUA nas guerras de conquista no Iraque e Afeganistão nos primeiros anos de 2000 e os efeitos da crise econômica de 2007-2008, a onda conservadora e reacionária que se levanta em vários países tem como pano de fundo a crise da ordem mundial do pós-guerra. Trata-se de reação à essa decadência encabeçada pelos EUA, cuja expressão maior é o atual governo norte-americano, em particular na figura de Trump.

Tentando reverter sua decadência e manter sua hegemonia mundial ameaçada pelo surgimento de novas potencias como a China e da resistência de outras como a Rússia, Trump busca fazer a “América Grande novamente” orientado pela política da “America First”. Com isso abriu uma crise na nova ordem mundial surgida no pós guerra do século XX: Questionando os espaços políticos da ONU, se recusando a seguir financiando a OTAN, desrespeitando as convenções climáticas sob a bandeira do “negacionismo”, ignorando acordos comerciais multilaterais, desatando uma ofensiva contra os imigrantes, e desrespeitando a soberania de países considerados inimigos (leia-se, países que não aceitam ser completamente subservientes aos EUA). A crise econômica mundial, a guerra comercial com China, Rússia e União Europeia, as disputas geopolíticas e o controle de fontes energéticas, em especial os hidrocarbonetos, nos parece ser motivos pelos quais está se ordenando uma nova fase da relação diplomática e política dos EUA com o mundo.

Nesse contexto, tudo indica que retomar o controle geopolítico e econômico da América Latina passou a ser uma prioridade para o governo norte-americano. A vitória de Bolsonaro foi comemorada pela Casa Branca. Com ela Trump sabia muito bem que ganhava um aliado de peso no país mais importante da América Latina. No entanto, estrategicamente os interesses norte-americanos tem pressa em resolver rapidamente um obstáculo para executar seus planos que se encontra hoje não prioritariamente no Brasil, mas na Venezuela.

As condições para colocar em marcha os planos de retomar o controle dos recursos naturais do continente, em especial a maior reserva de petróleo do mundo, ficaram momentaneamente facilitadas. O Pentágono sabe que um triunfo na Venezuela vai influenciar qualitativamente para que os EUA consigam uma localização ainda mais favorável para seguir a sua ofensiva de fazer novamente a “América Grande”. Ao mesmo tempo, fortalecerá todo o movimento conservador e reacionário que está sendo articulado por Steven Bannon na Europa e América Latina e fará a correlação de forças das disputas que se dão no globo ficarem mais aprazíveis ao imperialismo norte-americano. Quer dizer, os povos do mundo e os países emergentes e/ou semicoloniais sofrerão as consequências da vitória de Trump na Venezuela.

O contrário também pode acontecer. Uma derrota na Venezuela, somada com a frustração de seu plano de construir um muro que separe México e EUA, pode ameaçar uma possível vitória eleitoral de Trump nas próximas eleições, e até mesmo no fortalecimento da ala mais à esquerda da política norte-americana representada por Sanders e Ocasio. Como também pode abalar e enfraquecer o movimento de Bannon pelo mundo, adiando o sonho das forças da extrema-direita de construir uma nova ordem mundial sob sua hegemonia no marco de ideias obscurantistas e profundamente reacionárias.

E, por fim, tal derrota com certeza iria reverberar negativamente sobre o governo Bolsonaro e seus planos de construir uma cúpula conservadora das Américas com real influencia no continente. Tudo isso ajudaria a inverter a correlação de forças da luta de classes que vem se tornando cada vez mais desfavorável para o povo trabalhador brasileiro, para os movimentos sociais, para o ativismo anticapitalista e até mesmo para as ideias socialistas. Isso significa que derrotar Trump é a tarefa mais importante de todo ativismo critico à extrema direita no mundo. Por outro lado, o conflito na Venezuela é dos pivôs da política de Trump e nossa resposta frente a ela não pode cair em erros, sob pena de trazer consequências nefastas para a luta dos trabalhadores e do povo em todo continente.

 

Uma polêmica com a direção majoritária da CSP-Conlutas

Frente a isso, a atual direção majoritária da CSP-Conlutas encabeçada pelo PSTU, está defendendo uma política que se levada às últimas consequências, infelizmente, ajuda o triunfo dos interesses dos EUA na Venezuela. Com isso, gostemos ou não, ela terminará por fortalecer os governos neoliberais e de extrema-direita na América Latina, em especial o governo Bolsonaro. Abrirá caminho para que as forças reacionárias e imperialistas avancem e esmaguem uma ampla quantidade de organizações da esquerda, sejam reformistas ou revolucionários. Entorpecidos por um ultra esquerdismo que não tem encontrado cura, jogaram na lata do lixo os ensinamentos dos mestres que eles próprios reivindicam.

Ao levantarem a palavra de ordem “Fora Maduro” e apoiar as manifestações contra o governo venezuelano no momento em que o imperialismo ameaça derrubar Maduro pela via de uma intervenção externa combinada com um golpe interno, significa na pratica fazer unidade de ação com todos que querem derrubar o governo venezuelano. Isso inclui tanto o governo de Duque na Colômbia e Bolsonaro no Brasil. Na arena mundial da luta política, com a real ameaça de agressão militar a Venezuela, a tarefa imediata e central que envolve o continente latino-americano não é derrubar Maduro, mas sim Donald Trump. A disjuntiva principal na Venezuela é entre independência ou recolonização. Em consequência, frente a agressão dos EUA, a política para a Venezuela deve estar ordenada pela unidade de ação total contra a agressão imperialista e em defesa da soberania da Venezuela. O próprio combate à Maduro passa por exigir dele uma política consequente para enfrentar a intervenção e o bloqueio imperialista em todos os terrenos: econômico, político e militar.

 

Trump sabe que precisa derrotar o sentimento anti-imperialista do povo venezuelano

Mais que derrotar Maduro, o objetivo de Trump é derrotar a luta do povo venezuelano marcada pelo chamado “Caracazo” em 1989 – quando uma rebelião se levantou contra o plano de ajuste neoliberal de Carlos Andrés Pérez -, pela derrota da tentativa de golpe da direita em 2002, do lockout petroleiro em 2003 e inúmeras outras tentativas que antecederam a que atualmente está em curso, como foi o caso das “guarimbas” em 2016.

É isso que explica que apesar das sérias dificuldades que atravessam o país e das críticas e descontentamento que existe com o governo Maduro, há uma massa de trabalhadores que não aceita que a Venezuela entregue sua soberania para os EUA num possível governo Guaidó. É por conta dessa força política que Maduro ainda não caiu. E, por fim, é também por conta dessa resistência e mobilização social que Trump usa uma guerra hibrida no qual a intervenção militar já está anunciada como um dos itens do leque de possibilidades.O governo Trump trabalha com a política de sufocamento econômico da Venezuela para levar o caos permanente no país desgastando o governo Maduro para fomentar rupturas na sua base social, no governo e nas forças armadas. A hipótese da guerra está colocada na mesa porque Trump sabe que esse recurso não pode ser descartado caso não consigam derrubar Maduro com mobilizações políticas e boicote econômico.

Bolsonaro acaba de se reunir com Trump, encontro que ficou marcado pelo escandaloso comportamento subserviente do governo Brasileiro em relação ao governo dos EUA. Negociaram vantajosamente a base de Alcantara para os EUA manter tropas no Brasil, abriram as portas para qualquer cidadão norte americano entrar no Brasil sem visto sem qualquer contrapartida para os brasileiros e foi explicito para oferecer o apoio ao governo Norte Americano para derrubar Maduro. A guerra não é uma mera especulação, é uma possibilidade real.
A direção da CSP-Conlutas precisa buscar rever sua posição, caso contrário será uma força política que entrará para história por ter dado sua contribuição para derrotar a mobilização anti-imperialista que existe hoje na Venezuela, que pode encerrar o impulso revolucionário que com altos e baixos se desenvolveu desde o Caracazo em 1989.

 

A falta de coerência: posição do PSTU/LIT-QI ante a guerra do Iraque
A invasão militar no Iraque começou em março de 2003, sob o comando dos EUA que tinha como presidente na época Bush filho. Foi uma ação criticada por antigos aliados como França e Alemanha, não sendo apoiada por todos os países que compõe a Otan. Apenas o Reino Unido, Austrália e Polônia participaram em conjunto enviando soldados. O motivo para a agressão militar que mais foi propagandeado pelos EUA, seria desarmar o suposto arsenal de destruição em massa que estaria sob os planos do governo Iraquiano.

O regime de Sadam foi destituído, o Iraque teve sua infraestrutura completamente aniquilada, milhares de soldados e vidas inocentes foram destroçadas e o país, logo em seguida, entrou num processo de guerra civil, cujo desdobramento deu origem ao grupo fundamentalista Estado Islâmico que organizou vários ataques terroristas para se vingar do mundo ocidental alguns anos depois. Em 2005, a própria CIA publicou um relatório reconhecendo que no Iraque nunca houve arsenal nuclear de destruição de massas. O verdadeiro motivo para intervenção militar? As reservas de petróleo do Iraque e o controle geopolítico da região.

Nessa ocasião o PSTU e a LIT-QI publicaram uma declaração em fevereiro de 2003, um mês antes da invasão militar no Iraque que, corretamente, dizia:

“Toda ação, toda organização unitária que se configure contra a guerra assume neste momento um papel muito progressivo porque enfrentam em forma objetiva os planos imperialistas. Hoje a palavra de ordem central é parar a guerra e podemos sintetizá-la em uma palavra de ordem “Não a guerra! Fora tropas imperialistas do Oriente Médio”. Porém, já há uma discussão com aqueles que dizem “nem Bush nem Saddam” ou como se viu no Fórum de Porto Alegre, “nenhum fundamentalismo!”. Esta política do justo meio a partir do momento em que as tropas invadam, se transforma em um aval à invasão pela via da omissão… e na mesma nota ainda escrevem: “ Não há lugar para vacilações nesse campo: estamos incondicionalmente ao lado da nação agredida contra o imperialismo: em caso de agressão, estaremos, sem que isso signifique prestar qualquer apoio político ao governo Saddam, do lado militar do Iraque contra o imperialismo.”

Diferente do caso da Venezuela, não há em toda essa declaração a palavra de ordem “Fora Saddan”, que seria uma contradição com o próprio texto que está todo voltado a orientar como prioridade máxima a luta contra o imperialismo norte americano. Consideramos que a política em relação a invasão do Iraque foi muito correta. Unidade de ação com todas as forças que estão contra a guerra, sem dar apoio político ao governo de Saddam. Os camaradas da direção da CSP-Conlutas precisam dizer qual é a política correta diante de uma agressão imperialista a um país subordinado, seja ele colonial, semicolonial, dependente ou independente: a adotada na Venezuela ou no Iraque?

A CSP-Conlutas precisa rever sua posição e impulsionar uma forte campanha em defesa da soberania da Venezuela

A orientação que na prática leva a fazer unidade de ação com o “bolsonarismo” e o “trumpismo” para derrubar o governo venezuelano só tem uma consequência imediata: o triunfo do imperialismo. Neste momento ainda não existe uma terceira força revolucionária capaz de disputar o poder caso Maduro seja derrubado. É por esse motivo que diante da ameaça imperialista agitar a palavra de ordem “Fora Maduro” é um enorme erro, ainda que se apresente como alternativa um “governo dos trabalhadores”, já que a mesma é uma fórmula abstrata. O enfrentamento com o imperialismo com o governo venezuelano e falta de uma alternativa à esquerda são dois fatores que afastam a política de “Fora Maduro”.

Sabemos que o chavismo e o governo de Maduro não têm como verdadeira estratégia o socialismo. Impulsionado pelas mobilizações revolucionária das massas, a Venezuela tornou-se um estado independente. Esse é o limite do projeto chavista-madurista. Não por acaso põe um freio às mobilizações da classe trabalhadora quando ameaçava passar desses limites. Por mais de uma vez reprimiu ocupações de fábricas e greves. Medidas antidemocráticas afetaram também organizações de esquerda, inclusive dando argumentos para os inimigos ganharem a opinião pública dentro e fora da Venezuela. Além disso, até agora não foram capazes de construir um plano econômico que pudesse colocar a Venezuela numa relação de menor dependência da exploração de petróleo no mundo e não avançaram até as últimas consequências contra a burguesia e os limites que o próprio sistema capitalista impõe a Venezuela. São por esses motivos que não é possível dar apoio político ao governo Maduro. Mais que válido, segue sendo urgente construir uma alternativa de esquerda, revolucionária e socialista na Venezuela. A questão é qual a política ajuda a avançar nessa estratégia.

O fato de termos clareza do significado do chavismo e dos limites do governo Maduro, não pode nos dar o direito de cometer vacilações, particularmente por que já está em curso um processo de ingerência estrangeira contra a Venezuela através do bloqueio econômico e das ações políticas organizadas pelo Grupo de Lima que tem como objetivo sufocar o país, se possível, com uma intervenção militar. Devido à atual situação mundial, o imperialismo não pode suportar um país independente com tamanha reserva de petróleo e outros recursos minerais.

Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela, líder das manifestações contra Maduro às quais a LIT-QI considera progressivas, esteve no Brasil. Foi recebido pelo presidente Bolsonaro que afirmou com todas as letras que tomará todas as medidas para “restabelecer a democracia na Venezuela”, leia-se derrubar Maduro. É vergonhoso para toda militância de base de nossa central que a resolução votada majoritariamente na última reunião da coordenação da central, na prática orienta fazer unidade de ação com Guaidó/Bolsonaro/Trump para derrubar Maduro.

É urgente que a direção majoritária da CSP-Conlutas reveja essa política e passe a impulsionar a construção de comitês de solidariedade à Venezuela e uma campanha de denúncia da agressão à soberania e em defesa da autodeterminação do país, que exija o fim do bloqueio econômico e que se oponha a qualquer tentativa de guerra ou intervenção militar. Em uma frase, que exija que “Trump tire as mãos da Venezuela”.

 


Leia a resolução sobre Venezuela aprovada na reunião da coordenação da CSPConlutas na íntegra:

En defensa de la movilización independiente de los trabajadores venezolanos contra el imperialismo y Maduro

Una crisis de grandes proporciones

Existe una crisis económica pavorosa em Venezuela, con una caída del PIB que alcanza el 50% en los primeros cinco años del gobierno de Maduro. Una caída que, según la Comisión Económica para América Latina y el Caribe (CEPAL), se profundizaría 10% para 2019, alcanzado un acumulado de 60%. Aunado esto a una hiperinflación que llegó a casi 1.700 000% en 2018 y que amenaza con llegar a 10.000 000% en 2019; un desabastecimiento de alimentos y medicinas, que torna la supervivencia en la principal preocupación de los trabajadores venezolanos, incluso y principalmente los que tienen empleo.

A esto hay que agregar el mayor deterioro en décadas de los servicios de salud y educación públicas, la mayor crisis hospitalaria conocida en la historia del país con su consabida consecuencia de víctimas mortales (principalmente pacientes pobres), la destrucción de las universidades públicas, una descomunal crisis de transporte, la escasez de dinero en efectivo, el deterioro brutal de los servicios de telefonía y telecomunicaciones en general. En fin la más completa destrucción de la movilidad y estructura sociales.

Lo primero que salta a la vista de los trabajadores es la profunda descomposición de la dictadura de Maduro y del chavismo como régimen nacionalista burgués, que mientras hacía declaraciones contra el imperialismo, desarrollaba una nueva burguesía -la boliburguesía-, a partir de los negocios devenidos de administrar el aparato del Estado (a la par que también hacía aumentar las fortunas de amplios sectores de la burguesía tradicional) y que condujo al país a la situación actual.

¡Migrar es un derecho! ¡Ningún inmigrante es ilegal!

La crisis económica ha provocado un proceso migratorio sin precedentes en la historia de Venezuela. Miles de venezolanos hambrientos y desempleados han cruzado las fronteras, muchas veces a pie, en busca de perspectiva de vida. Los trabajadores y el pueblo venezolano están siendo obligados a abandonar a su país, enfrentando todo tipo de dificultades, humillaciones y xenofobia para sobrevivir.

La ANIV Brasil – Asociación Nacional de los inmigrantes venezolanos surge en Brasil exactamente para organizar a los inmigrantes en la lucha para que se estructuren en alianza con los hermanos trabajadores brasileños. La ANIV surge para defender a los inmigrantes venezolanos en Brasil, prestando asistencia y orientación, y también para luchar junto con todos los inmigrantes de todas las nacionalidades que hoy viven en Brasil buscando acogida digna y respeto en relación a sus derechos.

La ANIV Brasil ya nace afiliada a la Central Sindical y Popular CSP-Conlutas, porque cree en la visión de que la lucha de la clase trabajadora es internacional y en la necesidad de organización de la clase trabajadora independientemente de la burguesía y de sus gobiernos.

Bajo la maniobra imperialista Guaidó- Trump

La maniobra imperialista Guaidó-Trump de una “ayuda humanitaria” a Venezuela tiene el día 23 como un momento clave. Guaidó se aprovecha de la desesperación de las masas venezolanas para llamar hipocritamente por la “ayuda” del imperialismo. Trump envió la ayuda con aviones militares. Los gobiernos de ultra derecha Duque de Colombia y Bolsonaro de Brasil cooperan directamente en esa maniobra, incluyendo apoyo militar.

El imperialismo no tiene nada de “humanitario”. La miseria de todo el mundo es de responsabilidad directa de las multinacionales imperialistas y sus gobiernos. Trump apoya directamente la masacre de los palestinos por Israel, así como golpe en Honduras. Habla contra Maduro, pero acaba de cerrar la frontera de EEUU con tropas contra una caravana de inmigrantes latinos. La “acción humanitaria” del imperialismo en Haití justificó 13 años de ocupación militar de la Minustah, con apoyo del gobierno petista brasileño.

Esta maniobra de Guaidó-Trump tiene como objetivo forzar la ruptura de las FFAA venezolanas y la deposición de Maduro. El objetivo inicial de
Trump-Guaidó no es una invasión militar directa que podría generar una guerra civil. La combinación de presión militar con la farsa “humanitaria” es forzar a Maduro a renunciar o provocar una división del ejército venezolano y así derribar a Maduro. Pero el imperialismo no excluye la posibilidad de una intervención directa militar.

Por otro lado, Maduro cínicamente dice que Venezuela no necesita ayuda humanitaria. Eso es una mentira. Los años de brutal crisis económica llevaron al país a una situación gravísima, de hiperinflación y desabastecimiento. Hay desesperación del pueblo venezolano en busca de alimentos y medicinas. La boliburguesia-burguesía que surgió y creció a la sombra del estado venezolano, de la que Maduro es representante- es responsable de la crisis actual. Ellos viven como ricos, y para ellos no hay hambre.

Nicolás Maduro anunció este jueves el cierre de la frontera con Brasil. La medida fue puesta en práctica y confirmada por la tarde por el gobernador brasileño del estado de Roraima, Antonio Denario. El presidente de Venezuela dijo también que estudia el cierre de la frontera con Colombia.

La medida es una respuesta al intento de la oposición venezolana de hacer entrar en el país caribeño cargamentos de ayuda humanitaria. Hay alimentos y medicinas disponibles por países cuyos gobiernos son adversarios de Maduto, como Estados Unidos y Brasil. La oposición venezolana promete hacer que esta ayuda, estacionada en las fronteras, entre a cualquier costo este sábado (23).

La iniciativa es liderada por el opositor Juan Guaidó y patrocinada por el gobierno estadounidense. Tiene el apoyo directo de los gobiernos colombiano y brasileño, ambos países fronterizos con Venezuela y también críticos de Maduro. El 12 de febrero, Guaidó ya había anunciado que forzaría la entrada de víveres y medicinas estadounidenses en Venezuela “quiere que quieran, o no”.

El cierre de las fronteras en 21/2 por cuenta de esta falsa disputa de ayuda humanitaria sólo agrava la pelea entre los dos sectores burgueses, Maduro y Guaidó. Y mientras ellos pelean el pueblo sufre.

La tercera vía independiente de los trabajadores es posible: ¡Ni Maduro! ¡Ni Guaidó!

Los trabajadores necesitan construir una tercera vía de organización que derrumbe la dictadura asesina y corrupta de Maduro. El heroico pueblo venezolano, que ya derrotó un golpe imperialista hoy está en las calles para derribar a Maduro. Nosotros participamos en las movilizaciones contra el gobierno, y defendemos que ellas se transformen en una huelga general insurreccional para acabar con esa dictadura e impedir el avance en el poder de Guaidó y Trump.

Denunciamos la maniobra Guaidó-Trump. La deposición de Maduro por el imperialismo no va a resolver la situación de las masas venezolanas. Se va a mantener la explotación capitalista e imperialista. Se va a mantener la represión al pueblo venezolano. No queremos sólo el cambio de los patrones, de los dictadores, queremos terminar con la explotación y la represión al pueblo venezolano.

¡Defendemos fuera Maduro! Pero defendemos también ¡Fuera el imperialismo de Venezuela! ¡Ni Maduro, ni Guaidó!

Venezuela necesita de un cambio profundo. Para acabar con la miseria en Venezuela, es necesario derrubar a Maduro y formar un gobierno de los trabajadores, que rompa con el imperialismo, no pague la deuda externa y coloque la economía de ese país a producir para satisfacer las necesidades de la población.

· ¡Fuera imperialismo de Venezuela! ¡No la maniobra de Guaidó-Trump! ¡Que los trabajadores venezolanas, y no el imperialismo norteamericano, derrumben a Maduro!

· ¡Fuera Maduro! ¡Guaidó es un lacayo del Imperialismo! ¡Fuera Guaidó!

· ¡Todo el apoyo a las movilizaciones contra Maduro! ¡Ninguna confianza en la dirección de Guaidó!

· ¡Por una Huelga General que derrumbe a Maduro!

· ¡Por una alternativa de los trabajadores!

· ¡Exigimos la inmediata liberación de todos los manifestantes presos como consecuencia de las movilizaciones contra el gobierno!

· Condenamos y repudiamos el asesinato de 5 venezolanos muertos por la guardia nacional en la frontera!

 

 

*Gibran Jordão é membro da direção nacional da Resistência/PSOL e da Secretaria Executiva da CSP-Conlutas (minoria)

Foto Reunião da Coordenação Nacional. Arquivo CSP Conlutas