O descalabro da ‘capitalização’ da Petrobras Distribuidora S/A

Por: Marcio Frank

A gestão do ex-presidente Sr. Pedro Parente intensificou o entreguismo do patrimônio do povo com o seu chamado ‘Plano de Desinvestimentos’ para uma suposta redução da dívida da companhia já no ano de 2017.

Após a entrega do Campo de Azulão, no Amazonas, em novembro de 2017 por simbólicos US$ 54,5 milhões, o foco da gestão foi o lançamento das ações da Petrobras Distribuidora (BR) na Bolsa de Valores de São Paulo, em 15 de dezembro de 2017.

Na oportunidade, caros colegas, a “capitalização” realizada por aquela gestão em conjunto com os principais bancos americanos arrecadou apenas R$ 5 bilhões para uma fatia de 28,75% da empresa, onde cada ação foi comercializada ao PISO MÍNIMO da oferta ao mercado, de R$ 15,00, cujo limite máximo seria R$ 19,00.

Especialistas de mercado disseram que “o resultado veio abaixo das expectativas”, no entanto, os mesmos consultores e investidores fizeram compras em volumes significantes como, por exemplo, a americana Lazard Asset Management LLC com 5,34% do total das ações emitidas, contradizendo a fala com a prática. Afinal, se o negócio fosse ruim ou duvidoso, qual motivo de fazer tamanho investimento?

O que estava por acontecer nas semanas seguintes mostrou o quanto a venda foi danosa para a BR e para a Petrobras com anuência das duas gestões, que foram passear mundo afora para realizar a propaganda e oferta para diversos grupos de investimentos.

Logo no dia 29/01/2018, ou seja, pouco mais de 30 dias da entrega parcial da BR, foi emitido comunicado que o Conselho de Administração aprovará a distribuição de R$ 658.543.589,77 na forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP), com valor de R$ 0,565 por ação, referente ao ano de 2017 inteiro. Nesta mesma data, as ações da empresa já tinham ultrapassado a barreira de R$ 20,00, ou seja, um dos melhores investimentos do mundo. Pergunto: o mercado realmente estava desinteressado ou com baixa expectativa? NÃO, nunca esteve. E sabia que mais estava por vir! Desde a oferta!

Como a data foi programada para 19/07/2018, a companhia de bom grado fez a correção dos valores a serem recebidos pelos acionistas, alcançando R$ 0,585, afinal, eles mereciam, dada tamanha dedicação em trazer resultados!

Além disto, como os resultados operacionais estavam favoráveis em 2017, o mercado já tinha perfeito conhecimento que ainda abocanharia mais uma generosa contribuição. Em 25/04/2018, foi aprovado o pagamento de R$ 433.616.632,99 na forma de dividendos adicionais, com valor nominal de R$ 0,372 que, corrigidos (claro!) alcançaram R$ 0,388 na data do pagamento em 05/09/2018.

Considerando que a empresa teve um lucro líquido de R$ 1,15 bilhões e distribuiu R$ 1,09 bilhões, chegamos a quase 95% (NOVENTA E CINCO) do valor total ganho no ano de 2017. Um descalabro! Um entreguismo sem pudor!

Enquanto isso, os trabalhadores da BR estão tão prestigiados pela atual gestão que, até hoje 22/01/2019, não conseguiram finalizar o ACT que pedem somente o reajuste salarial com base na inflação. E, como demonstração de afeto pelos resultados e comprometimento, a empresa entrou com solicitação de mediação no TST após apenas DUAS rodadas de negociação com os representantes sindicais.

E, por fim, a pergunta que não quer calar: qual será o tamanho da entrega em 2019 com relação aos resultados de 2018?

Já temos a primeira resposta! O Conselho de Administração já aprovou em 30/11/2018 o valor de R$563.795.476,50 a serem pagos em 30/04/2019 com valor de R$ 0,4839 por ação. E vem mais por ai!

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