Ford e GM avançam para tirar direitos históricos dos trabalhadores 

Por: Pedro Augusto, do ABC paulista 

O ano de 2019 iniciou com as montadoras dando o tom macabro de sua ganância. As duas montadoras norte-americanas, Ford e GM, demonstraram seus objetivos de impor perdas de direitos sem precedentes.  E isso mesmo com o governo Temer tendo aprovado no ano passado o maior benefício fiscal da história, com uma concessão que deve atingir R$ 7,2 bilhões para a indústria automobilística, podendo aumentar, levando-se em consideração as renúncias fiscais previstas no programa rota 2030.

Ford São Bernardo do Campo

Os trabalhadores da Ford ao retornarem para fábrica das férias de final de ano, dia 21 de janeiro, ao invés de trazerem as histórias das viagens e festas para compartilhar com seus companheiros, tiveram que dividir a angústia com a possibilidade do fechamento da planta.

Os mais de 4 mil trabalhadores já convivem desde o ano passado com essa ameaça da multinacional. Com o iminente fim da produção do New Fiesta, a empresa já anunciou que não pretende dar continuidade à fabricação deste modelo, além da transferência do setor que produz caminhões para planta em Camaçari-BA.

Uma assembleia que uniu trabalhadores da produção e mensalistas, logo no primeiro dia de trabalho, foi convocada pelo sindicato dos metalúrgicos do ABC com o objetivo de iniciar a mobilização e exigir da empresa discussão para a manutenção da planta no ABC paulista.

Greve na Ford Taubaté

No mesmo dia 21 de janeiro, os trabalhadores da outra planta da Ford em Taubaté, interior de São Paulo, iniciaram uma greve por tempo indeterminado contra a demissão de 12 trabalhadores. Esta unidade produz motores e transmissão para América Latina, e está em processo de negociação com o sindicato, relacionado ao futuro da fábrica na região. A demissão desses 12 companheiros é uma explicita tentativa de intimidar os trabalhadores para se submeterem a condições de trabalhos mais precárias.

As maldades da GM

O caso da GM chocou os trabalhadores pela crueldade. A montadora que mais vendeu carros no Brasil ano passado anunciou nas primeiras semanas de janeiro o interesse de encerrar a produção em toda América do Sul, colocou nos quadros de comunicação interna mensagens de que seus lucros não estavam sendo suficientes, com objetivo de aterrorizar os funcionários.

A montadora norte-americana tem no Brasil cinco plantas (São José dos Campos, São Caetano do Sul e Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo; Joinville em Santa Catarina e em Gravataí no Rio grande do Sul). Após alardear suas intenções, apresentou à direção do sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos uma proposta com 28 pontos, que é uma total afronta aos trabalhadores. A proposta inclui, entre outras maldades: aumento da Jornada para 44h semanais; implementação de Banco de horas; PLR e reajuste salarial 0 para 2019; Fim da estabilidade para os lesionados.

A direção da GM já anunciou que pretende assim como em São José, apresentar propostas semelhantes em todas as plantas do grupo na América do Sul.

A combinação entre reforma trabalhista com o governo de extrema direita do Bolsonaro, que não cansou de dizer que “ trabalhador terá que escolher entre mais direitos ou emprego” e que “é muito difícil ser patrão no Brasil” animou a patronal querer devorar nossos direitos e conquistas. Nesse espirito, as chantagens de Ford e GM são a expressão máxima de uma situação onde os empresários estão dispostos a multiplicar seus lucros às custas de retirar direitos históricos da classe trabalhadora. Nos últimos anos as montadoras receberam bilhões de reais em isenções fiscais, redução de impostos, financiamentos do BNDES dentre tantas outras vantagens dos governos.

A luta unificada de todos os sindicatos metalúrgicos pelo contrato coletivo nacional é a única possibilidade de frear o ímpeto devastador das montadoras. Um dia de mobilização nas bases em todo país poderá ser o início da resistência capaz de assegurar os direitos conquistados por gerações.

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