É preciso unidade para derrotar o Sampaprev e o projeto Escola Sem Partido

Silvia Ferraro*, colunista do Esquerda Online

No primeiro semestre deste ano, fizemos uma greve histórica que unificou os servidores públicos municipais e suspendeu a tramitação do Sampaprev. Ao final da mobilização, o governo prometeu que só colocaria o projeto de novo na pauta na Câmara dos Vereadores depois do trabalho de uma comissão de estudos, que teria 120 dias para elaborar um parecer.

Entretanto, o prefeito Bruno Covas (PSDB) e sua base aliada na Câmara querem dar um golpe e, para isso, instauraram uma comissão relâmpago, da qual o vereador Fernando Holiday do MBL (DEM) é o relator, que tem míseros 30 dias para funcionar. Eles querem aproveitar o recesso de final de ano para aprovar o Sampaprev sem nenhum debate democrático com os servidores e a população.

O Sampaprev é a versão municipal da Reforma da Previdência de Temer e Bolsonaro. Ele vai acarretar o confisco de salários e, com a criação do regime complementar, vai impulsionar a privatização da previdência. Na prática, vai acabar com o plano de carreira dos servidores.

Já derrotamos esse projeto uma vez e, agora, precisamos nos mobilizar para derrotá-lo novamente. A paralisação e a manifestação de rua no dia 05/12 são só o começo. Temos que expandir a mobilização da categoria, conscientizar as comunidades e buscar a unidade de todos os servidores públicos municipais.

Escola Sem Partido é o projeto de Bolsonaro para a educação

O presidente do PSL está montando um governo repleto de militares, empresários e políticos corruptos, representantes da velha política que vão tentar impor uma agenda de retrocessos ao país.

A educação será um alvo prioritário do governo federal, que já fala em restringir as cotas raciais, militarizar as escolas, implementar ensino a distância e, principalmente, aprovar o Escola Sem Partido. Esse projeto, apoiado pelo novo ministro da Educação (Ricardo Velez Rodriguez), é um duro ataque à qualidade do ensino e à autonomia docente. Na prática, visa impedir que a escola tenha qualquer papel emancipatório.

Além de um retrocesso na área da educação, o Escola Sem Partido é uma afronta às liberdades democráticas e um ataque aos setores oprimidos. O discurso de imparcialidade na sala de aula tenta, por um lado, esconder a perseguição política aos professores críticos ao governo Bolsonaro e, por outro, impedir a discussão sobre discriminação racial, gênero e orientação sexual nas escolas.

A resistência se faz com unidade

Para cumprir seus objetos, Bolsonaro vai contar com a ajuda de Doria e Bruno Covas. Os poderosos estão, mais do que nunca, unidos. A ameaça nunca foi tão grande.
Por isso, a unidade do povo trabalhador e oprimido precisa se ampliar ainda mais, a começar pela luta contra o Sampaprev e o projeto Escola Sem Partido. Resistir não é apenas necessário, é também possível!

*Silvia Ferraro é professora da rede pública municipal de São Paulo e ex-candidata ao Senado pelo PSOL

Foto: EBC

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