A um mês de acabar seu mandato, governador Pezão é preso

da redação

O dia começa com a notícia da prisão do atual governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), pela Polícia Federal, como parte da Operação Lava Jato

Não é de hoje que sabemos do esquema de corrupção que tomou conta dos governos fluminenses, cujo principal símbolo e mentor é o ex-governador Sérgio Cabral, também do MDB. Pezão sempre esteve vinculado a este grupo. Foi secretário de obras quando Cabral era governador. Depois foi diretamente seu vice-governador, até sucedê-lo a frente do Palácio Guanabara.

Por seu papel central na cúpula destes governos, Pezão deve ser encarado não somente como parte, mas como um dos principais organizadores de um esquema de corrupção que já levou Cabral, alguns de seus secretários e nada mais e nada menos do que 10 deputados estaduais – que foram da base de apoio dos governos do MDB – para a cadeia.

O que chama a atenção é que Pezão só tenha sido preso agora, quando falta apenas um mês para que termine seu mandato.

Ele deveria ter sido indiciado e tirado do governo já no início de seu mandato, quando explodiram de vez os escândalos em torno do governo Cabral. Nesta situação, sua saída seria acompanhada da convocação de novas eleições para o governo do RJ, uma vez não ser aceitável que a administração do Estado passasse para um dos aliados de Cabral, Pezão e cia.

Deixaram Pezão chegar ao fim de seu mandato porque ele serviu muito bem aos interesses dos ricos e poderosos de sempre. Foi um governo que aplicou à risca a receita de ataques contra os trabalhadores e a maioria da população. Por exemplo, desmantelando serviços públicos essenciais do Estado, como a saúde; sucateando a UERJ, a UENF e fechando escolas; iniciando o processo de privatização da CEDAE; aumentando a contribuição dos servidores para a Previdência e atrasando sucessivamente seus salários; entre outros tantos absurdos.

Outro serviço prestado por seu governo foi a intervenção militar na área de Segurança Pública, que, mesmo com todo o dinheiro gasto, não reduziu os índices de violência no estado. Ao contrário, é responsável por graves violações de direitos humanos, inclusive uma denúncia de uma sessão de tortura em uma unidade militar. Pezão ajudou a aprovar a intervenção, com Temer, e depois cumpriu um papel decorativo, enquanto os militares definiam as ações e chefiavam a PM, cujas investidas nas comunidades têm matado ainda mais negros e negras.

Não defendemos políticos comprovadamente corruptos, muito menos figuras mafiosas como Pezão. Sua prisão na verdade demorou demais. Não somos parte de uma esquerda que apoiou, participou e sustentou por muitos anos os governos do MDB no RJ.

Entretanto, nem por isso vamos avalizar ou comemorar as ações da Lava Jato, como infelizmente faz outra parte da esquerda brasileira.

A prisão de Pezão segue um script de ações policiais espetaculares, em que prisões preventivas alimentam um frenesi midiático. Ao agir desta vez contra um governador em pleno exercício de seu mandato, segundo jurisprudência recém-estabelecida, o judiciário fortalece seu papel de árbitro e interventor da vida política brasileira, sem entretanto corresponder a critérios mínimos de transparência a respeito de suas motivações. Ministério Público, Polícia Federal e os tribunais reservam para si uma grande liberdade e poder, ao definir quais e quando seus alvos serão indiciados e quais serão beneficiados por acordos de leniência.

A prisão de Pezão no “apagar das luzes” de seu governo, depois que já cumpriu praticamente todo o seu mandato – seguindo, inclusive, a praticar crimes contra a administração pública – é mais uma demonstração do caráter seletivo e parcial desta operação jurídico-policial.

A Lava Jato persegue sem provas parte da esquerda, como no caso do ex-presidente Lula. Mas, no caso dos políticos dos partidos tradicionais da burguesia brasileira, a Justiça só os tira do poder quando estes já não cumprem nenhum papel fundamental para seus interesses políticos e econômicos.

Assim foi com outro expoente da corrupção do MDB fluminense, Eduardo Cunha, que foi deixado no Congresso, presidindo a Câmara dos Deputados, até que concluísse o golpe parlamentar do impeachment de Dilma. Depois dos serviços prestados, foi descartado, como Cabral e, agora, Pezão.

Deste modo, os interesses que motivam estes esquemas de corrupção seguem sendo blindados, e mesmo aqueles empresários que são punidos logo recebem benefícios, com redução e progressão de pena e parte dos bens preservados.

A luta contra a corrupção só poderá ser levada de forma coerente pelos movimentos sociais e pela esquerda socialista, acompanhada da mais completa independência política em relação aos partidos da burguesia e das grandes empresas e bancos. Esses sim, são as principais fontes da corrupção da política brasileira.

 

FOTO: Tomáz Silva / Agência Brasil / Fotos Públicas

 

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