O PT do Pará vai mesmo compor o governo de Hélder Barbalho?

Por: Will Mota, de Belém, PA

Foi publicado no domingo (18/11) no jornal O Diário do Pará uma nota divulgando que o PT do Pará irá compor o governo de Hélder Barbalho (MDB), cuja indicação seria feita pelo deputado federal Beto Faro. Não está ainda esclarecido se se trata de boataria ou de um furo de reportagem. Cabe à direção estadual do PT se pronunciar oficialmente sobre isso.

Porém, a hipótese é bastante plausível e merece um debate fraterno com a militância do PT. Se já se demonstrou equivocada a decisão de apoiar o candidato da oligarquia mais corrupta do Estado no segundo turno sem nem uma contrapartida de um acordo anti-bolsonaro, a possível decisão de compor o governo do golpista MDB será o fim da picada.

A nota do PT de apoio à candidatura Hélder no segundo turno sustenta sua defesa em uma ilusória caracterização de que a candidatura Hélder/MDB representaria um “pólo democrático e civilizatório” contra “o autoritarismo e a barbárie” representados pelo bloco PSDB/DEM. Dizer que o MDB representa um campo político democrático e defensor de um projeto civilizatório para o Estado é semear ilusões nos corações e mentes de milhões de trabalhadores que serão atacados pelo governo Helder nos próximos anos. É jogar contra a resistência e a unidade dos movimentos sociais do campo e da cidade.

Como um governo hegemonizado pelas mais tradicionais oligarquias do Estado (família Barbalho, família Vale, família Marinho, etc.) pode representar um campo político progressivo democrático?

Como uma aliança com o deputado-delegado Éder Mauro (PSD), o mesmo que dias atrás hostilizou um professor na Câmara dos Deputados apontando o dedo como o simulacro de uma arma de fogo, pode significar algum avanço em direção às pautas populares, particularmente em relação à grave crise de segurança pública que assola o estado? Fala-se inclusive que o delegado terá o apoio de Hélder e do MDB para a disputa à Prefeitura de Belém em 2020 como recompensa ao apoio dado ao futuro governador nas eleições deste ano. Logo ele, o principal cabo eleitoral de Bolsonaro no Estado.

Consideramos correta a decisão do PSOL Pará em chamar o voto nulo no segundo turno das eleições estaduais na medida em que os dois blocos de poder majoritários (Tanto o bloco demo-tucano quanto o bloco dos barbalhos) representam os interesses das classes dominantes do Estado e defendem em essência o mesmo projeto político – a salvaguarda do latifúndio, as isenções fiscais e tributárias para as multinacionais, a destruição sócio-ambiental da Amazônia através de grandes projetos, a perseguição aos movimentos sociais, a política de guerra às drogas, etc. Brigam apenas pela chave do cofre.

Estamos às vésperas de um governo Bolsonaro, que será sustentado no Pará pelo futuro governo do Estado e seu consórcio de poder. Necessitamos de uma frente única ampla e democrática dos movimentos sociais e partidos de esquerda para enfrentar os ataques aos direitos e a democracia que estão sendo gestados, tanto em esfera federal, como aqui no Estado. O empenho da militância do PT na frente única será decisivo no próximo período para a organização e o desfecho das grandes batalhas que virão pelo peso político que tem este partido nos movimentos sociais e populares. Resta saber: De que lado estará a direção do PT? Do lado dos golpistas e das oligarquias ou do lado da resistência popular contra Bolsonaro, Helder e Éder Mauro? Com a palavra, o PT do Pará.

Foto: Hélder Barbalho. Valter Campanato/Agência Brasil

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