A cor mais presente, a carne mais barata

Por: Gabriel Santos, de Maceió, AL

Pois, apesar de ser negro
Não sou escravo
– Juan de Merida (Peles Negras Máscaras Brancas)

O racismo na sociedade brasileira se encontra nas mais diversas áreas. No mercado de trabalho a diferença entre negros e não negros é mais nítida. São os negros e as negras que ocupam os postos de trabalho mais precários e de maior rotatividade, que recebem os menores salários, e que estão mais sujeitos ao emprego informal e ao desemprego.

De acordo com IBGE, dois em cada três desempregados no país são negros ou pardos. Ao todo somos 63,7% dos que estão sem renda. Entre os ambulantes, 67% são negros, e a cada 4 pessoas negras, uma exerce esta função. Os negros também são maioria entre os trabalhadores domésticos e os que atuam por conta própria, com 66% e 55% respectivamente. Estes dados mostram o que todos já sabemos, os negros são maioria entre os trabalhadores menos remunerados.

A diferença salarial também é gritante. Os trabalhadores negros recebem em média R$ 1.513, enquanto os trabalhadores brancos ganham R$ 2.757. Ou seja, os negros recebem 56% menos dos que os brancos. A diferença salarial entre as mulheres negras e os homens brancos chega a 65%.

Durante os anos do governo do PT houve uma mudança no mercado de trabalho. Entre 2003 e 2015, o rendimento salarial dos trabalhadores negros cresceu 52%, enquanto a renda dos de pele branca foi menor, 25%. Porém, como tudo que envolve os treze anos de governo petista, esse crescimento também foi contraditório. Muitas das vagas de emprego criadas foram em locais de trabalho precários.

A terceirização, por exemplo, durante os governos do PT, saltou de 4 milhões para 12 milhões de trabalhadores contratados por meio deste regime jurídico. Os terceirizados são 25% da força de trabalho legalizada no país.

O fato das mudanças não seres estruturais fez com que o governo Temer, em sua busca de aumentar a taxa de lucro das empresas beneficiando os empresários, pudesse destruir os avanços conquistados.

A reforma trabalhista aprovada durante o governo Temer vai atacar em primeira linha os trabalhadores negros. Aos trabalhadores negros o capital entregou os postos de trabalho com menor inserção aos direitos trabalhistas e previdenciários. Com as reformas que foram aprovadas, a dificuldade para a reivindicação de direitos básicos se tornara muito mais difícil. Assim como os postos de trabalho que já eram precários, vão ficar ainda mais problemáticos.

O governo Bolsonaro, o seu neoliberalismo e as promessas de destruição de direitos sociais e trabalhistas irão atingir primeiramente e prioritariamente os trabalhadores negros. Os trabalhos precários irão se alastrar, assim como a terceirização, isto significa que o conjunto da classe trabalhadora irá cada vez ser mais explorada para que a burguesia brasileira e internacional aumente suas taxas de lucros com a extração direita de mais valia. Os trabalhadores negros, que já tem uma situação de extrema exploração, irão ter sua situação ainda mais intensificada.

A resposta organizada da classe trabalhadora não pode deixar de buscar ampliar as lutas para além dos trabalhadores sindicalizados, visto a pouca porcentagem destes no amplo efetivo da classe trabalhadora brasileira. Assim como começar um diálogo com a ampla parcela dos desempregados, dos terceirizados e do precariado. O diálogo por meio da atuação em bairros populares pode ser uma alternativa para a esquerda radical conseguir se organizar e construir um projeto de lutas e resistência diante das ameaças que estão colocadas.

Foto: EBC

 

LEIA MAIS

Consciência Negra e novas resistências perante a eleição de um presidente racista no Brasil

 

Comentários no Facebook

Post A Comment