Direita nacionalista reúne milhares na festa da independência da Polônia

Por Gabriel Santos, de Maceió (AL)

No domingo, dia 11, se comemorou o centenário da independência da Polônia. A data da independência tem tido nos últimos anos marchas de caráter ultranacionalista e com forte participação da direita populista.

A marcha desse final de semana organizada por grupos de extrema-direita ocorreu após uma longa disputa judicial. Desde 2009 grupos ultranacionalistas como o Acampamento Radical organizam seus próprios atos, que a cada ano que passava se tornava mais popular. Porém, este ano a prefeitura da cidade da capital Varsóvia, governada pela Plataforma Cívica, partido de oposição da prefeita Hanna Gronkiewicz-Waltz, entrou na Justiça para proibir a marcha dos ultranacionalistas sob a alegação do discurso xenófobo e a violência de seus participantes.

Diante disto, o governo do presidente Andrzej Duda e seu partido Lei e Justiça (PiS) resolveram unificar a marcha oficial que seria feito pelo governo com as dos grupos de extrema-direita. Governo e grupos ultranacionalistas, racistas e xenófobos marcharam lado a lado, o que gerou preocupação em grupos de oposição e forças democráticas na Europa.

Duda e o primeiro ministro Mateusz Morawiecki encabeçaram a marcha que teve bandeiras da União Europeia queimadas e mensagens contra imigrantes. No ano passado o ato realizado pelos grupos de extrema-direita desencadeou uma resolução do Parlamento Europeu pedindo aos Estados membros da EU a atuarem contra a extrema-direita organizada e racista.

A unidade do PiS com os grupos racistas e de extrema-direita representa uma importante guinada a direita do governo polonês com reflexos tanto na política de imigração, quanto na política de alianças regionais, com a possibilidade de aproximação maior do governo Duda com países governados pela direita populista, como a Hungria, de Viktor Orban. Fato que geraria abalos no projeto de integração europeia representado pela União Europeia.

A marcha deste ano foi organizada sob o lema “Deus, honra e pátria”, slogan nitidamente de caráter ultranacionalista. O último discurso da manifestação foi feito por Roberto Fiori, líder do movimento neofascista italiano, Forza Nuova. Na marcha símbolos, como a cruz celta, e faixas neofascistas exaltando o supremacismo branco eram visíveis.

Após o termino da marcha, a promotoria pública do país abriu um inquérito para investigação da manifestação por “disseminação de ideologias proibidas” e “linguajar racista e xenófobo”. No país a exaltação do nazismo e seus símbolos são proibidos por lei. O presidente Andrzej Duda criticou a presença de símbolos racistas e de extrema-direita, mas afirmou que estes são minoritários. Duda parece fazer vista grossa ao crescimento da extrema-direita no país, tolerando e, de certa forma, até mesmo protegendo e incentivando o movimento.

O governo PiS que chegou ao poder da Polônia em dezembro de 2015 tem em seu programa um forte discurso contra a imigração e contra os políticos tradicionais poloneses e da União Europeia que Duda define como “elite sociais”. Um detalhe é que a Polônia é um país praticamente sem imigrantes.

Depois de quase três anos no poder do país, sexta maior economia da EU, o PiS tem girado cada vez mais a direita e reforçado seu discurso ultraconservador, xenófobo e nacionalista. O PiS tem efetuado diversas reformas na legislação e, em especial, na Justiça do país que teve 30 juízes do Supremo contrários ao conservadorismo do PiS aposentados compulsoriamente.

O governo polonês em sua guinada conservadora também retirou do currículo escolar qualquer discussão que era tratada sobre gênero e educação sexual, assim como pôs fim ao financiamento de reprodução assistida para casais que não eram casados, e para mulheres solteiras, da mesma forma que implementou medidas para dificultar o acesso a pílulas do dia seguinte. O conselho estatal que era responsável por combater o racismo foi extinto durante o governo PiS.

A ideologia de extrema-direita cada vez se torna mais fortalecida na Polônia, deixando de ser um aspecto marginal da política, para se tornar uma das principais correntes atuantes no país, tendo respaldo e apoio do governo. Essa guinada cada vez mais a direita do já conservador e xenófobo PiS merece ser visto com atenção e cuidado.

 

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