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  • Esquerda Online lança curso sobre o fascismo. Assista aqui os vídeos

    Entre 05 e 09 de novembro, o Esquerda Online, junto com a Resistência/PSOL, promoveu um curso online, com aulas diárias pela internet. O objetivo foi oferecer análise de experiências históricas do fascismo, como o fascismo italiano e o nazismo, apontando as razões de seu surgimento e suas principais características, para poder ajudar na compreensão de novas formas deste fenômeno nos dias de hoje e também para poder discutir a situação brasileira e a eleição de Bolsonaro.

    O curso foi acompanhado por milhares de pessoas. Agora, todos os vídeos seguem disponíveis em nosso canal no Youtube e no Facebook e abaixo.

    Em breve, novas iniciativas de formação serão realizadas, com este e outros temas. Inscreva-se em nosso canal do Youtube para acompanhar as novidades. Bom curso.

    CURSO ONLINE Fascismo: Teoria, História e Atualidade
    Aula 1 – Fascismo e conservadorismo no mundo contemporâneo

    Com Tatiana Poggi, professora de História da UFF
    https://youtu.be/v1Dkl_EN8Tg

    Aula 2 – Regimes políticos: bonapartismo e fascismo

    Com Felipe Demier, professor da Escola de Serviço Social da UERJ
    https://youtu.be/qS8sDsy0hFc

    Aula 3 – Gramsci e a ascensão do fascismo

    Com Gilberto Calil, Professor de História da Unioeste PR
    https://youtu.be/1rbZ8OMf0Fo

    Aula 4 – Fascismo e antifascismo no Brasil

    Com Carlos Zacarias de Sena Jr., professor de História UFBA
    https://youtu.be/hN5zsGHCvOg

    Aula 5 – Sete livros para entender o fascismo

    Com Demian Melo, Professor de Políticas Públicas, UFF
    https://youtu.be/U_4VJBgCFT0

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    www.youtube.com/c/esquerdaonline

  • A importância das palavras de ordem democráticas

    Mesmo sabendo do imenso desafio que era “virar”, a maneira altiva e destemida com que um setor significativo da população- movimento de mulheres, de juventude, setores organizados da classe trabalhadora, movimento negro, organizações de luta contra a homofobia, artistas, jornalistas, intelectuais, juristas e lideranças políticas democráticas -, enfrentou o segundo turno e os “dias seguintes” da derrota eleitoral, fortaleceu a trincheira contra o obscurantismo, a intolerância e o atraso!

    Manter e ampliar este movimento num ambiente hostil é um desafio enorme. Não é simples, nem fácil. Exigirá que a gente revolucione nossas práticas políticas, eleve a qualidade dos debates entre nós e, principalmente, que nossa atividade militante supere os limites da via institucional, seja parlamentar ou de um sindicalismo ultraesquerdista “em si”, rotineiro, economicista e burocratizado.

    Para formular nossa política, a primeira coisa a fazer é dialogar, estudar, ouvir com atenção as diversas opiniões para precisar com todo cuidado a etapa da luta de classes que atravessa o país, o continente e o mundo.

    Neste contexto definir a relação de forças entre as classes, os setores que integraram o novo governo e os que estão na oposição, a relação com o imperialismo, o papel que desempenham nele as forças armadas, o poder judiciário, o parlamento, a mídia, as igrejas, etc.

    Não cabe improviso, o derrotismo de que não há como resistir, tampouco o ufanismo incapaz de analisar as relações de força na sociedade.

    Em linhas gerais a imensa maioria dos que farão oposição a Bolsonaro caracterizam que ele representa um projeto de extrema direita, autoritário e repressivo. Mas a forma, os ritmos e os meios que utilizará para tentar impor este projeto ainda não estão totalmente delineados.

    Publicamente a maioria defende a necessidade da mais ampla unidade de ação em defesa das liberdades democráticas, das conquistas econômicas e das organizações populares, sindicais, de mulheres, dos negros, do movimento LGBT e da juventude. Mas entre a “intenção e o gesto” existe enorme gama de opções. Num extremo, setores já ensaiam fazer “uma oposição propositiva”, “moderada” e “respeitosa”, para se diferenciar dos defendem uma luta frontal, sem tréguas, contra este governo que carece de legitimidade, eleito na “eleição do golpe”. A indicação de Moro para o ministério de Bolsonaro é a “prova dos nove” que coloca um ponto final no debate sobre os objetivos políticos da Operação Lava Jato e do poder judiciário. “Com Supremo, com tudo”.

    Noutro extremo, os setores que ainda não compreenderam integralmente os riscos que todos estamos correndo e insistem na política de agitar tantas condicionantes e exigências para participar do movimento de resistência democrática que seus chamados a unidade não passam de artimanhas para autoconstrução. Existem varias maneiras de se propor a unidade de ação. O decisivo é se apoiar no sentimento espontâneo de unidade que se generalizou por toda parte para que se tenha um programa mínimo capaz de manter a unidade do movimento. Sem hegemonismo e vetos. Afinal, esta unidade de ação responde a uma necessidade objetiva do movimento de massas em uma etapa precisa da luta de classes.

    Nahuel Moreno, no livro O Partido e a Revolução, sobre a importância das bandeiras democráticas, escreveu: “A ofensiva econômica da burguesia será inevitavelmente acompanhada por uma ofensiva política: tendência a governos reacionários, cerceamento de liberdades democráticas, ataques aos setores mais explorados dos trabalhadores etc. Ou seja, uma etapa política defensiva, na qual a burguesia é que rompe o ‘equilíbrio’, e, no início, os operários e outros setores explorados tentarão mantê-lo”.

    Cada novo “endurecimento” de algum governo colocará para as massas a necessidade de mobilizar-se para reconquistar a liberdade democrática perdida ou defender a ameaçada”. Na época em que foi escrito este artigo sobre a realidade europeia, regimes semifascistas liquidaram todas as liberdades democráticas na Espanha, Grécia e Portugal. Por isso, Nahuel Moreno questionava: “Que dizemos aos trabalhadores desses países? Que lutem pelo “controle operário” ou pelo nosso “modelo socialista”? Os camaradas da maioria não acham mais correto levantar alguma palavra de ordem democrática específica?”

    Uma palavra de ordem sem conexão com a realidade é um erro grave. Durante o terceiro período, Trotsky criticou incansavelmente o stalinismo por usar a palavra de ordem de formar sovietes (a mais importante do Programa de Transição) em um momento em que as massas não podiam implementá-la. Pelo contrário, uma palavra de ordem aparentemente neutra – a da “paz” – pode ser revolucionária em uma situação concreta: quando a burguesia russa e o czar não podia concedê-la e quando, para as massas, era uma necessidade imperiosa.

    Leon Trotsky, em Tarefas e Métodos da Oposição de Esquerda Internacional (dezembro de 1932), esclarece a relação entre as bandeiras democráticas e a Revolução Permanente: “Reconhecimento da necessidade de mobilizar as massas com palavras de ordem transitórias que correspondem à situação concreta de cada país e, em particular, com palavras de ordem democráticas quando se trate de lutar contra as relações feudais, a opressão nacional ou ditadura imperialista descarada em suas diversas variações (facismo, bonapartismo, etc)”.

    A luta contra os ataques as liberdades democráticas é essencialmente defensiva, no entanto também tem um caráter ofensivo. É certo que no calor da batalha para impedir gravíssimos retrocessos, potencializa-se também a luta pela ampliação e efetivação de outras reivindicações democráticas que nunca foram implementadas no Brasil porque o pacto das elites no final da ditadura militar resultou numa “democracia” estreita e amputada. O que permaneceu da ditadura não é mais, ou somente, uma herança. Na verdade, se renovou nas estruturais atuais.

     

    FOTO: Ato no Largo de São Francisco, em 1977, em defesa da anistia e contra as prisões políticas. Divulgação Exposição Transições. Das Ditaduras às Democracias na América Latina. Veja SP.

  • Renato Feder: Quem é, e o que pensa sobre educação o futuro secretário do Governo Ratinho Junior, no PR

    O governador eleito do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou a indicação do milionário do setor de tecnologia Renato Feder para a Secretaria de Educação. Feder é CEO da Multilaser, gigante nacional do ramo de tecnologia, além de ser herdeiro do grupo Elgin, mega indústria do ramo de eletrodomésticos brasileira.

    Feder personifica o projeto que Ratinho vem defendendo para a educação desde a sua campanha, que se baseia em uma concepção onde a gestão empresarial se sobreponha a questões pedagógicas, com forte incentivo a privatizações, terceirizações e a implementação de uma política de bônus por produção ao invés de valorização dos profissionais da educação.

    O futuro secretário da Educação junto a seu sócio na Multilaser Alexandre Ostrowiecki, escreveu um livro onde apresenta sua ideia de Estado “perfeito”. No livro “Carregando o Elefante: Como livrar-se das amarras que impedem os brasileiros de decolar”, baseado em dados os quais na maioria das vezes não cita as fontes, ele defende a ideia de Estado Mínimo, com pouco controle estatal sobre a economia, e onde a justiça social é garantida mais pelo esforço pessoal do que pela atuação do Estado.

    Então, analisamos como a questão da educação é abordada nesse projeto de estado idealizado pelo suntuoso CEO da Multilaser.  Abaixo seguem algumas reflexões acerca de citações deste livro sobre a questão da educação.

    “Alunos das escolas públicas estudam com professores semianalfabetos, tirando as piores notas de Matemática do mundo.“ (pag. 14)

    Logo na introdução, ao citar que o tema educação seria abordado em capítulo específico, os astutos pensadores apontam para uma linha de pensamento que busca culpabilizar os professores, seu segundo eles são “semianalfabetos”.

    “Ministério da Educação => comanda o programa nacional de vouchers (ver capítulo específico sobre educação) e os sistemas de testes e rankeamento das escolas e universidades. É responsável por garantir que toda família tenha um voucher adequado e que as crianças estejam na escola. Cuida também de tornar pública e transparente a qualidade dos cursos no Brasil “ (p. 51)

    Sobre a função do Ministério da Educação, segundo nosso futuro secretário, cabe a ele regular o setor privado, aplicar testes de ranqueamento para classificar escolas e universidades e distribuir “vouchers” para quem não tenha condições de pagar a mensalidade das escolas.

    “as melhores escolas são aquelas em que existe a figura de um diretor forte e profissional, metas claras de desempenho, medições regulares e incentivos para os professores que atingirem as metas. “ (pag. 110)

    Aqui fica claro a relação que se pretende estabelecer com os trabalhadores da educação, “diretor forte e profissional” pode significar fim da escolha democrática dentro das escolas, seja por indicações políticas ou concurso para direção. E por fim faz a defesa de uma política de bonificação por resultados ao invés de valorização profissional.

    “esses poucos alunos interessados no magistério são habitualmente oriundos dos 30% com as piores notas. Ou seja, escolhem pedagogia por acreditarem que essa carreira seria a única porta para o ensino superior. Após formados, os professores brasileiros têm um dos mais altos índices de faltas do mundo. Em média, os docentes da rede pública de ensino faltam 15% das aulas, ou seja 32 dias letivos por ano, segundo estudo conduzido pelo governo de São Paulo. Para se ter uma ideia comparativa, a média de faltas na Inglaterra, segundo a OCDE, é de 5 dias por ano e na Coréia do Sul é de apenas 1 falta. Assiduidade trinta vezes melhor do que a brasileira é um fator importante para explicar as diferenças de performance do coreanos. As regras aplicadas ao setor público brasileiro são tão lenientes que, em tese, um professor poderia comparecer apenas 27 dias por ano à escola e faltar os demais 183 dias, sem qualquer prejuízo à carreira ou ao salário, usando-se apenas das brechas previstas em lei. “ (pag. 110-111)

    Aqui é um dos pontos onde jogam dados, sem citar as fontes, e a partir desses pressupostos questionáveis, os perspicazes intelectuais chegam a conclusão de que quem cursa licenciatura são os alunos com menos capacidade intelectual, que não conseguiriam entrar em outros cursos, e que nossos professores faltam muito e isso explica os problemas do nosso sistema educacional.

    “A melhoria da educação no Brasil passa por uma questão fundamental: é o Estado a entidade certa para operar dezenas de milhares de escolas? Será que o controle público é a melhor forma de gerir um colégio, escolher material didático, pagar professores e cuidar da manutenção? “ (pag. 111)

    Aqui nossos letrados pensadores começam a mostrar o centro de seu projeto, entregar tudo nas mãos dos empresários da educação.

    “O voucher educacional é um sistema bastante simples de entender: o Estado paga, os pais escolhem, as escolas competem, o nível de ensino sobe e todos saem ganhando “(pag. 112)

    Ou seja, o dinheiro público vai garantir o lucro das escolas privadas, ao mesmo tempo que o Estado lava as mãos sobre a responsabilidade de garantir a educação publica, gratuita e de qualidade, e segundo eles a “mão invisível” do mercado, através da livre concorrência garantirá a qualidade de ensino, porque os país escolherão a melhores escolas.

    Afirmação que só pode fazer sentido na cabeça de quem não conhece a realidade da maioria da população, a escolha das escolas por parte dos pais e mães trabalhadores, passa muito mais por uma questão geográfica do que por uma preocupação com a qualidade, é preciso garantir a logítica do dia-a-dia, unir as tarefas de ir e voltar ao trabalho com as de levar e buscar os filhos na escola, e sempre pensando em gastar o menos possível em transporte público. Quem mora na periferia busca escolas próximas de casa, será que os novos intelectuais da educação brasileira já visitaram uma escola particular da periferia? Sim elas existem, e muitas vezes em situações mais precárias que as públicas, nem todas as escolas particulares são como o Bom Jesus.

    “Após uma fase de cobrança de mensalidades, deve-se partir para a completa privatização do ensino superior e, em seguida, fazer o mesmo com o ensino fundamental, com os cursos técnicos e com a pré-escola. Todos esses ciclos devem ser adaptados ao sistema de vouchers.” (pag. 116)

    “Propostas para a educação: Privatizar todas as escolas e universidades públicas, implantando o sistema de vouchers. Para cada aluno matriculado, o governo paga uma bolsa diretamente à escola. Cada escola pode optar se receberá apenas a verba do governo ou se cobrará uma taxa extra “ (pag. 116)

    Esses dois últimos trechos desnudam o projeto Multilaser para educação. Mensalidades em escolas e universidades públicas, é só uma fase de transição para a total entrega da educação pública nas as mãos do setor privado.

    Se a entrega de um serviço público ao setor privado trouxesse melhoria na qualidade e queda no preço, com a privatização das telecomunicações há mais de 20 anos, hoje já não pagaríamos as maiores taxas do mundo para ter um dos piores serviços de telefonia e internet do planeta.

    Ratinho se elegeu com um discurso que defendia um aprofundamento das políticas de austeridade iniciadas no governo Richa (PSDB), governo do qual já era parte. Durante a campanha mostrou que tem um compromisso ainda maior que seu antecessor com a entrega dos serviços públicos aos interesses do mercado, transformar direitos em mercadorias é um princípio presente no plano de governo do futuro governador, portanto a indicação de Feder para a secretaria de educação não surpreende, mas é um importante indicador do grau comprometimento que o governo Ratinho terá com o mercado.

    Portanto o próximo período deve ser de embate entre o governo Ratinho e todos e todas aquelas que defendem a existência de uma educação pública, gratuita e de qualidade para todos, a posição política de Feder e Ratinho não será implementada sem resistência, o que vai definir os rumos da educação pública no Paraná serão as disputas do próximo período, por isso é importante conhecermos e compreendermos como pensam nossos adversários, e nos mantermos organizados em resistência a este projeto.

    *Vinícius Prado é historiador, mestre em educação pela UFPR e trabalhador da rede estadual de educação do Paraná.

    Link para o livro citado no texto

     

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