Sérgio Moro aceita ser ministro da Justiça no governo Bolsonaro

Editorial especial

Na manhã de hoje, 1° de novembro, após visita à casa de Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, o juiz federal Sérgio Moro divulgou a notícia que aceitou o convite para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública no novo governo federal. A notícia já foi confirmada por Bolsonaro pelas redes sociais.

Este fato é muito relevante. Moro foi o principal responsável pela Operação Lava Jato na esfera do Poder Judiciário. A partir dessa posição, agiu continuadamente para interferir no processo político nacional. Em meio à mobilização pelo impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, vazou ilegalmente um áudio em que a então presidenta conversava com Lula. Em julho de 2017, condenou em primeira instância o ex-presidente Lula em um processo marcado por arbitrariedades. Essa condenação pavimentou o caminho para a prisão e depois a impugnação da candidatura de Lula nesse ano. Por fim, em outra manobra ilegal, Moro vazou depoimento sigiloso do ex-ministro Antônio Palocci a seis dias do primeiro turno das eleições.

Esse conjunto de ações fortaleceu indiretamente a candidatura de Bolsonaro, ao insuflar o antipetismo no qual o candidato do PSL surfou, e diretamente, ao impedir o líder das pesquisas, Lula, de ser candidato. Trata-se de uma intervenção direta do Poder Judiciário nas eleições presidenciais deste ano. O mesmo Judiciário foi inteiramente conivente com todas as irregularidades cometidas por Bolsonaro e permitiu uma série de medidas intimidatórias contra a campanha de Haddad, especialmente no segundo turno.

Agora, após os grandes serviços prestados ao golpe e sua agenda reacionária, Moro se afasta da Magistratura e recebe sua recompensa: assumirá um super Ministério da Justiça, acumulando poderes também sobre a área de Segurança Pública. Este fato demonstra cabalmente o caráter seletivo e reacionário da Lava Jato, que sempre esteve a serviço do golpe parlamentar e de uma saída ainda mais conservadora para a crise política brasileira.

Assim vai se conformando o governo Bolsonaro. Uma aliança sinistra com forte presença da elite das forças armadas, do agronegócio, dos elementos mais reacionários do Poder Judiciário e ainda de parte da cúpula de igrejas evangélicas.

Mais do que nunca, vai ser muito importante fortalecer uma Frente Única que unifique as centrais sindicais, sindicatos, partidos de esquerda identificados com os trabalhadores, movimentos populares, o movimento estudantil, os movimentos de luta contra as opressões, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo.

Uma Frente Única do povo trabalhador que promova uma ampla unidade de ação em resistência aos ataques contra os direitos sociais e as liberdades democráticas que serão realizados pelo governo Bolsonaro e seus aliados.

 

 

FOTO: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Arquivo Fotos Públicas

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