Trump declara emergência nacional e prepara exército contra a caravana Centro-Americana de migrantes

Por Ge Souza, do Rio de Janeiro (RJ)

A ONU estima que sete mil pessoas viajem na caravana rumo aos EUA. Os organizadores calculam que são dez mil pessoas. São milhares de mulheres, homens e crianças fugindo da fome, do desemprego e da violência da “maras”, das gangues que assombram a população na América Central.

A marcha saiu de Honduras, no dia 13 de outubro, formada inicialmente por cerca de mil hondurenhos e terá que percorrer mais de 3 mil quilômetros até alcançar a fronteira do México com os EUA. Serão mais de 45 dias de caminhada.

A violência é a regra geral da região que tem uma das maiores taxas de homicídio do mundo, segundo dados da ONU. Honduras lidera o ranking global, com 55,5 mortes para cada 100 mil habitantes em 2016 – o Brasil ocupa a sétima posição, com 31,3 para cada 100 mil.

Cerca de 10% da população da Guatemala, El Salvador e Honduras já deixou seus países para fugir da criminalidade, o recrutamento forçado por gangues e as poucas oportunidades de trabalho.

Embora as caravanas de imigrantes sejam um fenômeno recente, esta não foi à primeira marcha a sair de Honduras. Em abril deste ano, cerca de 200 pessoas conseguiram chegar na fronteira americana. Esta caravana foi organizada pelo grupo chamado Pueblo Sin Fronteiras (Povo Sem Fronteiras).

Para os imigrantes – especialmente os idosos e mulheres com crianças pequenas – a caravana oferece mais segurança do que a migração solitária. Isto porque os migrantes são frequentemente sequestrados por traficantes de pessoas e drogas que os obrigam a trabalhar para eles. Atacar um grupo grande é mais difícil, e, portanto, a caravana oferece mais proteção.

Trump ameaça com corte da ajuda econômica e uso das Forças Armadas

As eleições de meio de mandato nos EUA serão em 6 de novembro e os republicanos correm o risco de perder sua maioria no Congresso. As ameaças de Trump contra os imigrantes centro-americanos é um recado a sua base de apoio a seu projeto anti-imigração: 15% dos americanos consideram a imigração o problema mais importante que o país precisa enfrentar. Até agora, as medidas de Trump nesta área ainda não tiveram os resultados que ele deseja, vide a desastrosa política de separar famílias na fronteira.

Trump classificou a caravana de “emergência nacional” e sua primeira iniciativa foi ameaçar cortar a ajuda que os EUA dão aos governos de Honduras, El Salvador e Guatemala, caso não impeçam a passagem dos imigrantes por seus territórios. Estes três países são os mais pobres da América Central. Os EUA enviaram em 2017, mais de US$ 248 milhões para a Guatemala, US$ 175 milhões para Honduras e El Salvador, recebeu US$ 115 milhões, segundo a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional. Um corte na ajuda que os EUA dão a esses países vai significar um aumento brutal da miséria e o agravamento das condições de vida das populações.

Os governos dos três países não conseguem impedir suas populações de imigrar, mesmo usando a polícia ou guardas das fronteiras para tentar impedir a passagem da caravana. Mesmo porque, a alternativa de ficar nos seus países de origem, significa enfrentar os problemas diários de fome, desemprego e violência que essas pessoas querem abandonar, mesmo que tenham que se arriscar numa travessia incerta de milhares de quilômetros para “viver o sonho americano”.

Na medida em que as ameaças de corte da ajuda econômica não estão impedindo a marcha dos imigrantes, Trump já afirmou que usará as Forças Armadas para impedir a entrada das pessoas quando chegarem a fronteira do México com os EUA. Hoje, a fronteira já é protegida por 2.100 membros da Guarda Nacional e segundo o Pentágono o contingente de militares que podem ser enviados à fronteira com o México pode ser de 800 a mil soldados.

Rota da caravana rumo aos EUA. Fonte GettyImage

Imigrar não é crime

Em todo o mundo há cerca de 60 milhões de pessoas vivendo fora de seus países de origem, obrigados a imigrar para fugir das guerras, da fome, das catástrofes naturais ou de perseguições políticas.

Na caravana de imigrantes centro-americanos, muitos já estão bastante cansados, e já retornaram aos seus países de origem. Outros pediram asilo ao México. O governo mexicano diz ter recebido cerca de 2.700 pedidos de refúgio. Mas, a grande maioria está enfrentando o cansaço, o calor, a fome e o medo para chegar a fronteira dos EUA.

Pelo caminho de 800 quilômetros já percorridos desde Honduras, os caravaneiros encontram a solidariedade da população que oferece água, comida, remédios, carona. Mas a maioria segue a pé com os poucos pertences trazidos de seus países de origem. Em geral a roupa do corpo e o sonho de encontrar melhores condições de vida. Nas palavras de José Aníbal Mejía, de 27 anos e que viaja com a filha: “A nossa missão é chegar bem. Todos nós hondurenhos viemos para cá para viver o sonho americano.” (O Globo, 26/10/18).

 

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