A ideologia da extrema-direita e sua função política

Por: Frederico Costa, de Fortaleza, CE

Os indivíduos, com a crescente complexidade das relações sociais, necessitam de respostas que lhes permitam compreender o mundo em que atuam, justificar suas atividades cotidianas, torná-las aceitáveis, naturais e desejáveis. A ideologia é uma maneira específica de responder às questões e problemas postos pela vida social. A ideologia torna operativa a práxis social, tornando possível a reprodução social. A ideologia envolve, também, concepções de mundo, valores, hábitos, posturas, formas de sensibilidade.

Com o surgimento das classes sociais, a ideologia, passa não só a tornar razoável a práxis cotidiana, mas o faz atendendo aos interesses de classe. Então, os conflitos de classes e suas necessidades passam a permear a ideologia. Torna-se importante que os indivíduos pensem e se comportem de determinadas maneiras de acordo com os interesses dos dominados ou dos dominadores. Portanto, a ideologia se define pela função social. Existem verdadeiras e falsas ideologias. Geralmente, as classes dominantes utilizam-se de falsas ideologias para manter seu poder e seus privilégios.

O movimento de extrema-direita que converge na candidatura de Bolsonaro é um amálgama de falsidades: “defesa do livre mercado”, “conspiração gaysista”, “escola sem partido”, “ideologia de gênero”, “kit gay”, “Terra plana”, “marxismo cultural”, “idealização da ditadura militar”, “venezualização do Brasil”, “inferioridade de negros”, “discriminação contra nordestinos”, “justificação da opressão das mulheres”, “enaltecimento do militarismo”, entre outras aberrações.

Tais ideações engendram posturas que dividem a maioria da população brasileira, joga uns contra os outros. Com quais objetivos? Manter o fundamento dos privilégios e da profunda desigualdade social em nosso país: o latifúndio, o domínio do capital estrangeiro e a superexploração do trabalho.

A ideologia bolsonarista encobre a proposta de guerra civil contra o direito de milhões de trabalhadores, contra as parcas conquistas democráticas para minorias, contra a educação pública e gratuita, contra a previdência social, contra os povos do campo, contra a preservação do meio ambiente, contra os movimentos organizados dos explorados e oprimidos. O bolsonarismo procura manipular as inquietações, a insegurança e a angústia de milhões de brasileiros identificando falsos inimigos, como toda ideologia de extrema-direita. Na Alemanha nazista os responsáveis por todos os males eram os judeus. No Brasil, são os “petistas” (que engloba socialistas, comunistas, marxistas, anarquistas, lutadores pelas causas sociais e democráticas), nordestinos, LGBTs, indígenas, entre outros possíveis inimigos. Por isso, a raiva, o ódio a tudo que se apresente como humano, diverso, crítico e emancipador. Bolsonaro é a face da barbárie.

Em relação a isso é preciso defender as ideias, as posturas, os valores e os hábitos que emanam da solidariedade do trabalho, da vida cotidiana dos oprimidos e explorados deste país. Precisamos defender nossos direitos, nossas conquistas e avançar para um programa de emancipação social. Resistir ao fascismo, vivendo a democracia e exercitando o pensamento crítico.

HADDAD 13!

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