Esquema criminoso de Bolsonaro não pode ficar impune

Editorial 19 de outubro

De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, publicada nesta quinta-feira (18), empresas compraram pacotes de envio de milhões de mensagens contra o PT e de apoio a Jair Bolsonaro no WhatsApp. Segundo apurou o jornal, cada contrato chega a R$ 12 milhões de reais. Entre as empresas envolvidas, está a Havan, do empresário Luciano Hang.

A prática viola a lei eleitoral flagrantemente, configurando crime de Caixa 2 duplamente qualificado. Em primeiro lugar, por representar doação não declarada, segundo, por se tratar de gastos de campanha pagos por empresas, o que está proibido pela legislação. Além disso, configura divulgação de notícias sabidamente falsas (imagens montadas, acusações sem fontes) e compra de lista de contatos das empresas, de usuários que não forneceram seus contatos voluntariamente para ajudar na campanha.

O disparo em massa das chamadas fake news coincidiu com a ascensão meteórica das intenções de voto em Jair Bolsonaro e aliados na reta final do 1o turno. Não há dúvidas: a veiculação de notícias falsas em larga escala interferiu no resultado eleitoral.

Diante desse fato de tamanha gravidade, ficam as perguntas: quem são os financiadores da rede de fake news do capitão? A indústria de armas que quer lucrar com a violência das balas? Petrolíferas estrangeiras de olho no nosso pré sal? Latifundiários e madeireiros interessados nas terras indígenas e florestas? Banqueiros ávidos por comprar estatais a preço de banana? Em resumo: quem financia o jogo sujo de Bolsonaro?

Exigimos apuração célere, rigorosa e transparente da denúncia feita pela Folha de S. Paulo. Se comprovada, é necessário que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faça valer a lei vigente, impugnando a chapa de Jair Bolsonaro (PSL) ou convocando novas eleições presidenciais para este ano. Além disso, é preciso que a Justiça tome medidas imediatas contra os empresários envolvidos no esquema criminoso.

Contudo, embora sejam válidas e necessárias as iniciativas jurídicas, como as definidas pelo PSOL e PT, temos plena consciência que o Judiciário está comprometido com o processo golpista em curso. A condenação, prisão e o impedimento eleitoral de Lula, por motivação política, não deixam margem a dúvidas. Não reverteremos esse processo reacionário nos tribunais. Nossos esforços devem estar concentrados no diálogo com o povo trabalhador e na construção da luta antifascista. Neste sábado, dia 20, vamos às ruas em todo país pelos nossos direitos e liberdades democráticas, contra Bolsonaro e seu projeto ditatorial.

As pesquisas indicam vantagem de Bolsonaro. É difícil reverter esse quadro, mas não é impossível. Cerca de 30% da população define seu voto nos três últimos dias. Vamos batalhar pela virada, até o fim. E, para além do resultado eleitoral, importa ainda mais a construção coletiva da resistência contra o neofascismo, para preparar o amanhã. Reunir as pessoas, organizar a luta conjunta, em frente única! Vamos juntos, de mãos dadas!

Ditadura nunca mais!

Direitos sim, #EleNão!

Contra Bolsonaro, votar em Haddad 13!

Todas às ruas sábado, dia 20!

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