Segundo turno: Votar 13 para derrotar Bolsonaro. Ditadura nunca mais!

Editorial especial

O primeiro turno das eleições presidenciais chegou ao fim. Com a apuração ainda sendo finalizada, Jair Bolsonaro (PSL) alcançou o primeiro lugar; na segunda posição, ficou Fernando Haddad (PT). Por pouco, o candidato do PSL não venceu no 1o turno.

Desse modo, vão ao duelo do segundo turno, de um lado, o candidato da extrema-direita neofascista e, de outro, o representante do lulismo. Anuncia-se uma batalha na qual a neutralidade não é uma opção. Há apenas um lado para a esquerda socialista nesta luta: derrotar a ameaça neofascista no 2º turno das eleições.

É preciso ter a exata medida do que está em jogo. O perigo bate à porta. A chegada de Bolsonaro à presidência representa a vitória do mais bárbaro entre os projetos de opressão e exploração capitalista no Brasil.

Ele no poder significa que os direitos fundamentais da classe trabalhadora – sociais e trabalhistas, como a aposentadoria e o 13º salário – serão postos na guilhotina, com a radicalização das contrarreformas de Temer. Ele no poder é ameaça redobrada à vida das mulheres, dos negros, LGBTs, dos indígenas e imigrantes – uma aceleração sem precedentes na escalada do extermínio da população negra e pobre do nosso país. Ele no poder é perigo iminente de supressão das já estreitas garantias democráticas, particularmente das organizações de esquerda, dos sindicatos e movimentos sociais. Ele no poder é a volta dos saudosistas da ditadura, seus conspiradores e torturadores ao comando do Poder Executivo federal.

Bolsonaro fala contra a corrupção para ganhar votos, mas seus principais apoiadores são políticos corruptos e grandes empresários corruptores. As velhas raposas, que já estiveram com o PSDB e usaram o PT nos governos, agora abraçam o capitão. A missão de Bolsonaro é fazer aquilo que Temer não conseguiu: liquidar por completo os direitos dos trabalhadores e trabalhadoras. Para isso, quer impor um regime autoritário para esmagar qualquer tentativa de resistência. Numa frase, Bolsonaro é o capitão que vai servir aos banqueiros e corruptos para massacrar a classe trabalhadora.

Por tudo isso, ele não. Ditadura nunca mais. Vamos defender nossos direitos! As mulheres que tomaram as ruas dia 29 de setembro abriram o caminho. Somos a maioria. A classe trabalhadora e os oprimidos são um gigante. Nas ruas, ainda podemos derrotar o neofascismo e, nas urnas, seu principal representante. Votaremos 13 no segundo turno para impedir que Jair Bolsonaro seja eleito presidente.

Temos diferenças profundas com o partido de Lula. Fomos oposição de esquerda ao longo dos 13 anos de seus governos, entre outros motivos, porque nos opomos à estratégia da conciliação com os ricos, poderosos e corruptos, os mesmos que deram o golpe em 2016. A frustração e a desilusão pavimentaram o caminho para Bolsonaro. Até esse momento, infelizmente, o PT parece não ter extraído as lições. Insistem nos mesmos erros. Nestas eleições, o Partido dos Trabalhadores selou alianças com conhecidos golpistas, como Renan Calheiros e Eunício de Oliveira, ambos do MDB. Já no primeiro turno, Haddad fez acenos à classe dominante, sugerindo que manterá o ajuste e o programa de contrarreformas, ainda que de modo mais lento e suave. Alertamos que, no atual contexto de profunda crise social e política, com a extrema-direita influenciando dezenas de milhões de pessoas, um novo estelionato eleitoral poderá ter consequências ainda mais trágicas, abrindo portas, talvez, para uma nova e mais perigosa escalada golpista.

Esse grave erro não pode mais se repetir. É preciso que Haddad, neste 2º turno, assuma o compromisso público com a classe trabalhadora de revogar todas as reformas de Temer, de não aceitar nenhuma reforma da previdência que retire direitos e de romper com todas as alianças com a direita e a burguesia corrupta. Além disso, é necessário defender um programa que contenha a reversão das privatizações e das medidas repressivas, como a Lei Antiterrorismo sancionada por Dilma. É preciso, também, acabar com a farra dos bancos e garantir os direitos das mulheres, negros, LGBTs e indígenas. Por outro lado, é necessário abrir todos os arquivos da ditadura e julgar os torturadores e assassinos do regime militar, que não podem seguir impunes, utilizando das eleições para voltar ao poder. Com o povo trabalhador organizado e mobilizado, é possível desfazer as medidas do golpe e derrotar a extrema-direita. A “governabilidade” deve ser garantida pela força das ruas e não por meio de acordos espúrios com a bancada patronal e corrupta que domina o Congresso Nacional.

No primeiro turno, construímos, com orgulho, a candidatura de Guilherme Boulos (PSOL, PCB, MTST, APIB). Apresentamos um programa anticapitalista para construir um Brasil dos e para os trabalhadores, os oprimidos e a juventude, sem alianças com a direita e a burguesia. Combatemos e continuaremos a combater o fascismo com todas nossas forças. O projeto de fortalecer uma nova alternativa de esquerda não se encerrou neste domingo, 07 de outubro. Após essa valiosa campanha-movimento, continuaremos na batalha pela reorganização da esquerda.

Somos PSOL e estamos pela construção de uma estratégia socialista e revolucionária para o Brasil. Votaremos em Haddad (PT) no dia 28 de outubro para derrotar Bolsonaro. Faremos uma aguerrida campanha nas ruas, sem medir esforços, dialogando com os trabalhadores, a juventude e os oprimidos, para não só impedir a vitória da extrema-direita neofascista, mas também para construir as inadiáveis lutas de amanhã.

Nós, trabalhadores e oprimidos, somos a enorme maioria. Somos milhões, dezenas e dezenas de milhões. A batalha do segundo turno não está definida: podemos vencer se estivermos unidos e mobilizados. Não temos tempo a perder. É preciso erguer a cabeça e ir à luta nas ruas, fábricas, universidades, escolas, locais de trabalho e bairros. Pelas liberdades democráticas e pelos nossos direitos, vamos derrotar Bolsonaro!

Dia 28, vote 13. #EleNão. Ditadura nunca mais!

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