Petroleiros lançam manifesto com Boulos e Sonia

Por: Pedro Augusto Nascimento, de Mauá, SP

A menos de dois dias do primeiro turno das eleições, um grupo de petroleiros e petroleiras lançou um manifesto de apoio à candidatura Boulos e Sonia 50. No mesmo espírito em que foram construídas as lutas contra Temer e as reformas, a plataforma Vamos e a aliança eleitoral entre PSOL, PCB, MTST, APIB, Mídia Ninja, dentre outros movimentos sociais e populares, o manifesto é a expressão do apoio de petroleiros de várias origens diferentes.

Ativos e aposentados, petroleiros jovens e outros mais experientes, militantes do PSOL, PCB, mas também muitos independentes, além de diretores do Sindipetro Litoral Paulista, São José dos Campos, Rio de Janeiro, Sergipe/ Alagoas, da Federação Nacional dos Petroleiros, representantes da AEPET, além de membros do Coletivo Resistência Petroleira e oposições assinam a iniciativa.

Diante da pressão do voto útil em Haddad ou Ciro, como reação à preocupante subida das intenções de votos de Bolsonaro, destacamos a disposição de uma parte importante da categoria em construir até o fim a candidatura do PSOL à Presidência.

Confira o conteúdo do manifesto, e a primeira lista parcial de apoiadores:

 

Manifesto dos Petroleiros com Boulos e Sonia 50

Manifesto“Trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, petroleiros e petroleiras, estão cansados de tantos anos de maus-tratos. A aliança que produziu o golpe mostra o que quer a elite brasileira: entregar os nossos conquistas, arrancadas com anos de sangue, suor e lágrimas, para preservar o lucro deles.

Os 50 tons de Temer apresentam-se nas eleições como o novo, mas defendem a velha política de desigualdade e privilégios para uma minoria. Há também os que questionam Temer, mas insistem em  repetir velhas alianças que permitiram crescer monstros que hoje temos que derrotar.

Enquanto isso, o enfrentamento ao golpe e o movimento #ForaTemer forjou nas lutas um programa para reconstruir uma alternativa de esquerda: Vamos, com Boulos e Sonia 50.

Somos um país continental, com fontes de energia renováveis e não-renováveis em abundância, um vasto território, uma força de trabalho incrível, e uma classe trabalhadora poderosa, capaz de transformar os rumos do país.

Como se não bastasse, possuímos o pré-sal, a maior descoberta petrolífera do século XXI, fruto de décadas de pesquisa e empenho de brasileiros e brasileiras, que juntos construíram a Petrobrás, motivo de orgulho para todos nós.

O petróleo ainda é, de longe, a fonte energética mais estratégica para a humanidade. É assim por gerar combustíveis com imensa quantidade de energia interna com relativo baixo investimento, e por ser a matéria-prima de milhares de produtos presentes em nosso cotidiano, e assim permanecerá pelas próximas décadas.

Qualquer país que se preze planeja deter sob seu controle reservas e fornecimento dessa riqueza incomparável. O petróleo é o combustível básico necessário para uma economia pujante, portanto fundamental para proporcionar qualidade de vida e desenvolvimento humano para a população.

A geopolítica do mundo se desenha, também, sobre os interesses nessa riqueza. As guerras e agressões imperialistas se dão em grande medida tendo como norte a garantia de acesso a essas reservas. Mas não só isso, golpes e leis ilegítimas, como Temer e a PL 4567/16, servem o mesmo objetivo.

Por isso, diante do cenário eleitoral de 2018, após dois anos de aprofundamento dos retrocessos na nossa soberania e em nossos direitos, da entrega do pré-sal e do desmonte da Petrobrás, precisamos de uma candidatura que seja comprometida com essa visão: que garanta que todas as atividades ligadas ao petróleo sejam 100% estatais, públicas, submetidas a interesses da população, e sob gestão da grande maioria dos brasileiros, os trabalhadores. Essa candidatura é a de Boulos e Sonia 50.

A renda petroleira no Brasil, potencializada em muito pela extraordinária descoberta do Pré-sal, deve ser distribuída para a população e utilizada em prol da sua emancipação. Não pode ser drenada por meia dúzia de rentistas, concorrentes ou mega investidores de bolsas de valores, principalmente estrangeiros.

É da renda do petróleo, inclusive, que deve vir o incentivo para pesquisas e ciência para reposicionamento que garanta o acréscimo de contribuição de energias renováveis e mais limpas.

Precisamos que prevaleça uma Petrobrás a serviço do desenvolvimento econômico, social, científico e ambiental do Brasil. Que impulsione nossa indústria. Que não sirva apenas para o fornecimento de matéria-prima barata para as economias estrangeiras, enquanto nos vemos forçados a comprar produtos industrializados caros.

Uma Petrobrás que desempenhe atividades de refino, petroquímica, engenharia, geologia, tecnologia, etc. Salvaguardando nossos empregos e assegurando que as atividades de maior valor sejam desenvolvidas por nós.

Os combustíveis fósseis que deram origem a indústria do petróleo são fontes de energia não renováveis, portanto a Petrobrás deve caminhar para ser uma empresa integrada especializando-se em energias renováveis. Deve usar o seu Centro de Pesquisa, para desenvolver  e pesquisar novas tecnologias para serem aplicadas em tais fontes, como energia eólica, energia solar, energia proveniente dos mares e biomassa.

Precisamos, ainda, de uma candidatura que tenha a ver com a história de nossa Petrobrás: uma empresa que surgiu a partir de uma grande mobilização nacional – a campanha do Petróleo é Nosso – que contou com brasileiros que acreditavam em um projeto de país, construído pelos próprios brasileiros.

A candidatura Boulos e Sonia representa uma aliança mais militante do que eleitoral, cuja liga vem das ruas, muito antes das eleições, e seguirá depois, ainda mais fortalecida, pois foi forjada na luta.

Temos o melhor programa, não apenas porque nossos candidatos são os mais preparados. Temos o melhor programa porque ele foi construído coletivamente, com reuniões em cada canto desse país, na plataforma colaborativa Vamos.

Candidaturas que se apresentam à esquerda têm se escorado em negociações de cúpula para pleitear uma pretensa governabilidade, e evitam encarar de frente a ameaça que vem da extrema-direita.

Qual o preço de priorizar acordões que excluem o povo organizado da participação decisória? O “toma lá da cá” não pode ser perpetuado. O pacto de classes em prol da “governabilidade ordeira” deu no que deu: um golpe jurídico-parlamentar-midiático que ainda não se encerrou.

Este desenrolar do golpe só pode ser impedido através da aliança inequívoca com os nossos: os trabalhadores, negras e negros, as mulheres, LGBT’s e os povos originários. PSOL, PCB, MTST, APIB, Mídia Ninja e movimentos sociais e populares.

Não se constrói um gigante com pés de barros. A reorganização da esquerda deve se dar de baixo para cima. Precisamos reaprender a construir cada movimento. Cada organização de base e sindicato. Cada célula de movimentos comunitários, estudantis, feministas, negros, indígenas.

“Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes” – dizia Einstein. Insistir na conciliação, uma vez que os golpistas já demonstraram até onde podem ir, é um erro grave. Nesse cenário de profunda crise econômica, social e política, a nova tentativa de conciliação não passaria da repetição de uma subordinação voluntária. Será que estamos fadados a escolher sempre entre o menos pior?

Temos a opção de nos engajar ao redor de quem sempre esteve conosco. Com quem nunca reprimiu greve petroleira e declarou que petroleiros são marajás, nem com quem promoveu leilões e privatizações.

Temos uma candidatura inquestionavelmente de esquerda. Mais do que isso, uma candidatura popular e não populista. Construída coletivamente, e não de forma personalista. Sem a ilusão do indivíduo redentor, ao qual os trabalhadores podem delegar seus anseios e entregar seu futuro, mas sim com a consciência de que só a luta, a militância e a participação de milhões mudam a vida.

Uma candidatura que apoie o fortalecimento da organização dos trabalhadores e movimentos sociais, justamente por ser constituída por estes.

Temos uma candidatura programática e não pragmática. Que tem um projeto que faz do petróleo um pilar do desenvolvimento soberano e justo para todos.

Boulos e Sonia também representam a luta contra o ódio, a intolerância e a covardia entreguista escancarada pela candidatura do #EleNão.

É por isso que somos os petroleiros com Boulos e Sonia, pois: “se muito vale o já feito, mais vale o que será”.

O primeiro turno é logo ali. Dia 7 de Outubro, vote no que você acredita!

Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

É Boulos e Sonia 50!”

 

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