Por que votar no PSOL é muito útil nessa eleição?

Por: Gibran Jordão, do Rio de Janeiro, RJ

Ciro e Haddad não são as únicas alternativas da esquerda brasileira

Há uma polarização entre PT e PDT nessa eleição que se expressa na luta por uma vaga no segundo turno entre Ciro e Haddad. Uma guerra entre essas duas candidaturas está aberta e já pode ser vista inclusive nas redes sociais. Essa disputa tem dividido o eleitorado de esquerda e progressista e impedido que alternativas na própria esquerda muito mais ousadas e independentes ganhem mais espaço. É o caso da chapa PSOL/PCB/MTST, Vamos Sem Medo de Mudar o Brasil, encabeçada pela candidatura de Guilherme Boulos à Presidência da República.

Ainda temos mais de vinte dias de eleição e, pela intensidade do processo, serão dias que valerão décadas. É preciso pensar e repensar como votar e todas as suas consequências. Assim, esse artigo traz alguns argumentos para defender o voto nas candidaturas do PSOL, em especial a candidatura de Guilherme Boulos à Presidência da República. E tem o objetivo de dialogar com todas pessoas que estão indecisas, ou que já estão decididas em relação às candidaturas do PT e do PDT, Haddad e Ciro.

Em primeiro lugar, é preciso compreender o papel que o PSOL, suas correntes, sua militância e seus parlamentares vêm cumprindo na disputa política em nosso país. Há milhares de ativistas, militantes e colaboradores do PSOL que estão envolvidos na luta sindical, popular, dos grupos feministas, da luta LGBT, dos movimentos de luta anti-racista, anti-proibicionista, anti-manicomial, organizações ambientalistas, ecossocialistas, movimentos de trabalhadores que lutam por moradia e terra, comunicadores populares, youtubers, artistas, intelectuais fora e dentro da academia, entre outros.

Votar nas candidaturas do PSOL fortalece toda essa militância social, dá mais ânimo para enfrentar as atrocidades da ultra-direita, mais legitimidade política e mais força material para as ideias que querem uma transformação radical numa sociedade que está doente e passando por grandes problemas que não se resolvem sem atacar efetivamente os privilégios de quem está no andar de cima. Pense nisso!

As contradições de Ciro e Haddad

Com todo cuidado e respeito que a situação exige no debate entre a esquerda que está diante da necessidade de lutar em Frente Única contra o Fascismo nesse momento, e deve fazê-lo sem vacilar. Mas é muito importante não escondermos nossas diferenças e contradições no debate público, pelo simples fato de todas as organizações de esquerda terem democraticamente o dever de tolerar quem pensa diferente e debater concepções distintas com tranquilidade.

O PSOL, em relação ao PDT e ao PT, apresenta um programa, critérios para alianças e uma independência política muito superior e de enfrentamento com os senhores do capital. É, ou não é,um importante motivo votar no PSol para dar envergadura e mais audiência a ideias políticas que, em nome do pragmatismo, foram abandonadas e que levaram a esquerda a cometer erros graves? Deixando, inclusive, o flanco aberto para que forças da direita e da ultra-direita avançassem no país.

Com métodos e propostas diferentes, tanto Haddad, como Ciro, apresentam um programa no qual prometem aquecer a economia, provocando desenvolvimento, gerando empregos, em parceria com a iniciativa privada, sem mudar a lógica do sistema financeiro e sem abrir mão das reformas da Previdência e Trabalhista. Podem até fazer diferente de Temer, mas estão compromissados com os interesses das grandes corporações. Ciro já foi ministro dos governos de FHC e do PT, Katia Abreu que é inimiga declarada do MST e dos povos Indígenas também foi ministra da Agricultura de Dilma.

O PDT de Ciro está apoiando Ronaldo Caiado para governador de Goiás. Esse senador foi um dos generais do golpe, um dos chefes da bancada do Boi e do agronegócios nesse país. Assim, como o PT, está em aliança com o MDB em vários estados e outros partidos golpistas pelo Brasil, desmoralizando a luta de milhares de ativistas. Em Sergipe, Ceará e outros estados há dirigentes petistas declarando votos em candidaturas do Psol por não aceitarem alianças que, na verdade, fortalecem o golpe.

A ruralista Katia Abreu, vice na chapa de Ciro Gomes, em discurso para centenas de produtores rurais durante o “Leilão da Resistência”, deixa claro quais os interesses ela quer representar. “Amigos, nós levamos 10 anos para vencer o MST, nós levamos 15 anos para vencer o código florestal, e agora é a questão indígena, os nossos adversários muitos deles ocultos, não se cansam de armar e inflar armadilhas contra o setor agropecuário que mais ajuda a economia nacional”, declarou.

O leilão enfrentou problemas na justiça e chegou a ser embargado por caracterizar um evento que arrecadava fundos para equipar e fortalecer milícias para proteger as terras do agronegócios contra as reivindicações Indígenas. Confira o vídeo abaixo, que mostra o leilão em outro formato, organizado por Katia Abreu e por organizações de ruralistas, para arrecadar fundos para tomar medidas judiciais contra os povos indígenas:

Reforma Política pode jogar o PSOL na ilegalidade

O governo Temer, em conjunto com a maioria do Congresso Nacional, votou uma Reforma Política mais antidemocrática que concentra o poder político nas mãos de poucos, privilegiando quem tem o poder econômico. Trata-se de um endurecimento do regime que elimina partidos ideológicos como o PSOL, PCB, PCO e PSTU, diminuindo os espaços políticos e impedindo que a esquerda socialista amplie sua representação. Cria barreiras eleitorais que, nos próximos anos, vai tirando a atividade parlamentar e os direitos democráticos do PSOL, como tempo de TV e espaço nos debates que hoje já é muito pequeno.

Embora o Psol ainda seja uma organização minoritária, não é um exagero dizer que trata-se de um partido necessário e muito importante para a disputa política e para a luta de classes no país. Não considerar o voto no Psol nessa eleição é ajudar que o pouco que restou de coerência, combatividade e independência na esquerda brasileira poderão ser características qualitativas em extinção, o que seria uma derrota histórica que é possível evitar enquanto é tempo.

Estamos numa situação na qual crescem forças e organizações políticas ultra-reacionárias e conservadoras, inimigas de toda a esquerda e que agitam, inclusive, ideias fascistas. Diante desse cenário, podemos e devemos fortalecer, votando, filiando, se organizando na campanha da coligação “Vamos Sem Medo de Mudar o Brasil”. Guilherme Boulos e Sonia, as candidaturas proporcionais da coligação, as correntes políticas e movimentos envolvidos nesse projeto precisam sair dessa eleição fortalecidos para enfrentar a difícil conjuntura que está diante de nós.

Uma polêmica com um erro ultraesquerdista

A coligação entre PSOL, PCB, MTST poderia estar mais forte, ampliando uma alternativa de esquerda diferente dos erros e vacilos da esquerda moderada e ficando mais robusta para enfrentar o neofascismo e os golpistas.

Mas, infelizmente, a direção do PSTU resolveu dividir a esquerda socialista que já é minoritária, fragilizando uma frente que tem uma tarefa histórica diante de uma conjuntura muito complexa. Erram em caracterizar que o país está num período pré-revolucionário, com os trabalhadores na ofensiva, negando a existência de um golpe e desdenhando do crescimento das correntes da ultra-direita e do fenômeno do neofascismo que ganha audiência de massas.

Trata-se de um erro sectário e ultraesquerdista que poderá ter graves consequências, o qual precisamos combater, sob pena de um maior isolamento abater a esquerda socialista brasileira.

Votar no PSOL é útil

Toda militância do PSOL e de suas correntes precisam se jogar no processo de disputa política em curso, que nesse momento se expressa na luta eleitoral. Trata-se de um terreno no qual concorremos com muita desigualdade de condições, mas que será muito importante para conquistar corações e mentes. Por isso, fazer o debate com firmeza e clareza de ideias, mas com paciência, e sabendo dialogar com a confusão do momento será determinante.

[email protected] eleitores que estão pensando e se decidindo, ou que encontraram acordos em nossos argumentos que defendem a utilidade e importância de votar nas candidaturas do PSOL, reflitam e participem de alguma forma do nosso esforço de manter acesa a chama das ideias igualitárias e socialistas em nosso país. Há outros caminhos que podemos seguir, podemos fazer diferente na forma e conteúdo, é possível achar uma luz em meio às trevas que o país se encontra. Mas, para isso, é preciso não ter medo de mudar o Brasil.

Vote Boulos Presidente e nas candidaturas do Psol!

Foto: Nunah Alle/PSOL

 

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One Comment

  • Jon eizaguirre b.

    Achei bastante sectária a responsabilização feita a direção do PSOL. As acusações de divisão da esquerda socialista com base numa visão ultraesquerdista por parte dessa direção estão estribadas nos resultados das pesquisas? Não e muito prematuro lançar essa direção para a lixeira da história sob a qualificação de divisionista?

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