Candidato do PSOL ao Senado em Goiás sofre perseguição na PF por ser gay e defender a descriminalização das drogas

Por: Hemanuelle Jacob, de Goiânia/GO

No período das eleições, a população tende a defender de forma mais veemente suas posições políticas. Deparamo-nos com retrocessos de questões humanitárias que já havíamos conquistado com muita luta e muito sangue. Infelizmente discursos de ódio sobre sexualidade, questões de gênero, questões raciais e de classe têm ganhado força com muita rapidez principalmente nos discursos políticos de candidatos da direita. Esses poucos dias de campanha estão sendo uma corrida para ver quem tem mais ódio a derramar.

Nesse cenário, a candidatura de Fabrício Rosa ao Senado de Goiás pelo PSOL tem uma grande importância. Declaradamente homossexual, Fabrício trabalha na Polícia Rodoviária Federal (PRF), é oficial da reserva da PM de Goiás há quase 19 anos e professor. Sua candidatura defende não apenas o socialismo mas, entre outras pautas, a descriminalização das drogas e a luta contra a GLBTIfobia.

Após uma denúncia anônima, foi intimado pela Corregedoria da Polícia Federal para prestar depoimento nesta sexta-feira (24) em um processo no qual está sendo denunciado por “falta de lealdade” e “imoralidade administrativa”. O processo deixa implícito um questionamento sobre o fato de ele ser assumidamente gay.

O documento apresentado no dia 06 de agosto à Corregedoria da PRF diz que Fabrício estaria “descumprindo deveres da lei 8112/90”, que trata dos direitos e deveres dos servidores públicos, e supostamente “agindo com falta de lealdade ao órgão PRF e agindo com falta imoralidade administrativa”. Segundo publicado no jornal O Popular, a denúncia contra o policial dizia: “Em vários site de internet ele tem criticado a ação da PRF no combate ao tráfico de drogas. Isso é um atentado contra a própria PRF, contra a segurança pública e contra a sociedade brasileira” (Fonte: O Popular, 2018).

Fabrício Rosa representa hoje a voz de muitos militares que são silenciados diante de sua sexualidade e aqueles que lutam contra o tráfico de drogas a partir de um debate sério e responsável sobre a descriminalização das drogas e o extermínio da juventude negra. Promove esse debate de forma combinada com a saúde pública e bem estar social.

Hoje existe uma culpabilização gratuita da juventude negra pelo tráfico de drogas quando sabemos que o tráfico também financia campanhas eleitorais e já penetram nas estruturas de poder. Vale ainda lembrar que as drogas que hoje são ilegais, na prática, têm sua comercialização regulada pelo Estado de maneira informal, e que em todos os países em que o uso foi regulamentado, os índices de mortes e criminalidade caíram drasticamente.

A campanha de Fabrício Rosa representa não somente a luta pela descriminalização das drogas e o combate a GLBTIfobia mas, também o enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes, o trabalho escravo, o trabalho infantil, o tráfico de pessoas. Luta por uma segurança pública democrática e pelo reconhecimento dos policiais como trabalhadores. Participa de diversos grupos que defendem os direitos humanos e de diversos projetos sociais com crianças com câncer, deficientes, idosos e jovens em conflitos com a lei e em situações de vulnerabilidade social. Compõe o Movimento dos Policiais Antifascistas, coletivo de policiais que defendem a descriminalização das drogas, e a Rede de Policiais GLBTI+.

Sua candidatura dá um salto de qualidade em um estado caracterizado como conservador e governado por coronéis, aonde o candidato ao governo Ronaldo Caiado, do PSDB, recentemente foi denunciado por trabalho escravo e onde quem lidera as pesquisas para a Presidência é Jair Bolsonaro.

As campanhas do PSOL em Goiás e em todo o País têm um grande desafio: resistir contra atitudes como estas, denuncias anônimas, contra a vida sexual e o trabalho realizado há 19 anos na PRF por Fabrício Rosa.

Todo apoio e solidariedade à Fabrício Rosa neste período eleitoral, na luta e na vida.

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