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Em memória à carreira de Paulo Maluf, símbolo da escória política brasileira

Por: Lígia Gomes, do ABC paulista
Wilson Dias/Agência Brasil

Nesta quinta, 22, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou o mandato do deputado federal Paulo Maluf, por corrupção. Maluf é sinônimo de roubalheira, atraso e conservadorismo, há muito tempo. Sua cassação é uma boa oportunidade para extrairmos algumas lições.

Em primeiro lugar, é bom lembrar que ele iniciou sua carreira política na ditadura militar, sendo nomeado presidente da Caixa Econômica Federal em 1967, e indicado (sem eleição, claro, visto que o país estava sob intervenção militar) prefeito de São Paulo (1969-1971). Por meio de eleição indireta, tornou-se governador de São Paulo, em 1979.

Junto com sua carreira política, construiu a carreira de roubo e apropriação do dinheiro público, cunhando a infeliz expressão “rouba, mas faz”. É dessa época também aquela resposta à reivindicação salarial das professoras: “Professora não é mal paga, é mal casada”. Precisamos lembrar esses fatos para aqueles que porventura imaginem que a intervenção militar é a saída para os problemas brasileiros. Não é. Militares sempre andaram junto com privilégios e corrupção. Mais ainda quando estiveram no poder e escolhiam os governantes.

Em 2014, foi pelo Partido Progressista (PP) de Paulo Maluf, que Bolsonaro foi eleito deputado federal. Aliás, o militar já tinha sido eleito pelo mesmo partido, em 2006. Como pode alguém se dizer paladino da luta contra a corrupção, tendo ficado tanto tempo sob a asa do maior símbolo da corrupção em nosso país?

Por fim, mesmo com toda a agenda conservadora trazida pelo PP, este partido foi parte importante da base de apoio do PT no governo desde 2006. Tendo inclusive direito a uma foto embaraçosa em 2012, selando a aliança com Lula, Haddad e Maluf. A foto é emblemática, e graças a ela o partido perdeu o apoio da deputada Luiza Erundina, que hoje constrói o PSOL.

A política de alianças com setores conservadores, cedendo espaço às pautas da direita e aplicando políticas econômicas neo-liberais e pró-mercado, foram fundamentais para a perda de apoio popular ao governo petista, e tornaram possível o golpe parlamentar de 2016. As consequências da foto com Maluf foram tão trágicas que no fim de 2017 até Lula afirmou se arrepender de tê-la tirado.

No entanto, infelizmente o PT não parece tão arrependido assim. Para 2018 costurou aliança com o PP onde foi possível. O exemplo escandaloso é o Piauí, onde o candidato petista à reeleição, Wellington Reis, tem Ciro Nogueira – presidente do PP – como um dos candidatos ao senado e Marcelo Castro do MDB (partido do Temer!) como outro candidato. Ou seja, no Piauí o PT atua como se não tivesse havido golpe. E mostra que se tiver a oportunidade, vai dar espaço aos golpistas e à direita de novo.

É por essas e por outras que dizemos que a luta consequente contra o golpe e por melhoria nas nossas vidas é hoje representada pela aliança entre PSOL, PCB e MTST. Uma alternativa que tem levado de norte a sul do país a luta contra as reformas do Temer, contra a prisão de Lula, por justiça por Marielle Franco. Uma candidatura com um programa que defende educação e saúde públicas, gratuitas e de qualidade, de combate à desigualdade social escandalosa de nosso país, fazendo com que as enormes riquezas de nosso país possam ser revertidas para aqueles que as produzem.

 

FOTO: Paulo Maluf no Congresso Nacional. Wilson Dias/Agência Brasil