Um dia de fúria nas barcas Rio-Niterói

Da redação

Confira passo a passo a ação arbitrária de um policial contra a vereadora Talíria Petrone (PSOL)

No primeiro dia da campanha eleitoral, o PSOL do Rio de Janeiro sofreu um grave ataque. Talíria Petrone, vereadora de Niterói e candidata a deputada federal, fazia a travessia para o Rio de Janeiro, para a primeira caminhada de lançamento das candidaturas, quando um policial deu início a uma série de abusos, que resultou em uma arma apontada no meio da embarcação, empurrões, ataque à imprensa e duas pessoa detidas, por “ameaçar” o policial e resistir a prisão. O episódio foi uma tentativa de intimidação ao PSOL. A fala do policial para Talíria – “ideologia mata” – revela o que pensa parte dos policiais e agentes de segurança no Rio de Janeiro. É mais um ataque às liberdades democráticas, em um estado marcado pela intervenção militar, pelo processo contra os 23 ativistas da Copa, pelo extermínio da população negra e pelo assassinato de Marielle Franco. 

CONFIRA EM DEZ PASSOS

1 – Por volta das 09h, na barca a caminho do Rio de Janeiro, Talíria faz selfies com seu celular, para mostrar nas redes seu primeiro material de campanha. Um policial militar aproximau-se do grupo de cinco mulheres e acusa Talíria de estar fazendo campanha, porque exibia o material. Depois, de forma truculenta, tentou pegar seu celular, mesmo com Talíria argumentando e se defendendo.

2 – Muitas pessoas ficaram indignadas. J., um jovem trabalhador, negro, levantou-se indignado e questionou o policial. “Você acha certo o que está fazendo? Acha? Isso não está certo”, cobrou. O jovem não é filiado ao PSOL ou faz parte da campanha. O policial deu voz de prisão para J acusando-o de ter feito uma “ameaça”. O jovem afastou-se para telefonar e o policial foi em sua direção e o agrediu, empurrando-o e derrubando em uma cadeira da barca. “Tem necessidade disso?“, perguntou o jovem.

3 – Em seguida, o policial sacou de sua arma e disse que usaria se precisasse. A vereadora Talíria pediu: “Calma, calma. Arma mata”. O policial respondeu: “Ideologia mata”.

4 – Na Praça XV, o policial levou o jovem até o posto do programa “Rio Presente”, onde haviam outros policiais, para que fosse detido e levado a delegacia. Talíria pediu para seguir junto até a delegacia, acompanhando J. Os policiais negaram. Também recusaram o mesmo pedido feito por uma advogada e se recusaram a devolver seu documento, só o fazendo muito depois.

5 – O jovem foi colocado sozinho no carro com os policiais, sob protestos. A tia do jovem chegou a ser empurrada.

6 – Marco, militante do PSOL e da corrente Resistência, que havia chegado na barca seguinte, decidiu fotografar o momento da prisão e a placa da viatura, em seu celular. O policial perguntou, rindo: “estou bonito?“. Marco respondeu que ele iria rir quando respondesse a um processo. O policial deu voz de prisão, acusando-o de “ameaça”, e puxando-o pelo braço.

 

7 – Na 4a Delegacia Policial, na Central do Brasil, as arbitrariedades prosseguiram, mesmo diante de militantes, jornalistas e advogados. Policiais se aproximaram de um repórter do Jornal do Brasil e tomaram sua mochila com equipamentos, sem nem avisar, para “verificar possíveis provas”.

8 – O mesmo PM intimidou um assessor do Ministério Público, que presenciou o ocorrido na barca e seguiu até a delegacia, como testemunha. O policial disse que o assessor agia de má-fé, depois que o viu conversando com a vereadora Talíria e o deputado estadual Flavio Serafini, do PSOL. “Você não disse que estava apenas de passagem? E conhece eles? Agora você não é mais testemunha, agora faz parte da ocorrência!”.

9 – Em outro momento, o policial saiu de trás da bancada, e foi em direção à advogada, de forma intimidatória, para forçá-la a  entregar novamente seu documento.

10 – Os dois acusados de “ameaça” prestaram depoimento, relatando a sua versão. Por volta das 15h30, a vereadora Talíria Petrone também prestou depoimento. O PSOL vai prestar queixa e apresentar denúncia contra a atuação da polícia.

Assista no vídeo do Jornal do Brasil

FOTO: Momento em que um jovem é levado na viatura, na Praça XV. EOL

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