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Ali Wazir, marxista e líder popular, é eleito deputado nacional no Paquistão

José Carlos Miranda

José Carlos Miranda foi ferroviário e metalúrgico. Ativista dos movimentos sociais desde os anos 1981, é da Coordenação Nacional da Resistência/PSOL, membro do Conselho Curador da Fundação Lauro Campos (PSOL) e da Direção do PSOL-SP

No dia 25 de julho de 2018 foi realizada a 11ª eleição geral do Paquistão. Apesar de a série de atentados terroristas antecederem a eleição, aproximadamente 106 milhões de paquistaneses se inscreveram para votar nos 85.307 postos de votação em todo o país. Além dos tradicionais partidos PPP (Partido do Povo Paquistanês), Pakistan Muslim League-Nawaz (PML-N – Partido da Liga Muçulmana-Nawaz) e Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI – Partido Movimento e Justiça), disputaram a eleição mais 122 candidatos de pequenos partidos, religiosos e independentes. Outra grande e boa novidade é que, em algumas regiões da FATA (Áreas Tribais de Administração Federal), as mulheres puderam votar pela primeira vez.

O PTI, um partido secular liderado por Inram Khan, ex-campeão mundial de críquete pela seleção nacional do Paquistão – esporte muito popular no país – surge como vitorioso nas urnas. Até o momento, o levantamento das informações dava o seguinte resultado de deputados eleitos, ainda não oficial: PTI 102 cadeiras, PML-N 72, PPP 39, MMA 6 (Muttahida Majlis–e–Amal – é partido/movimento islâmico conservador) e 20 independentes.

Em seu discurso dirigido ao povo após as eleições, Inram Khan, ao falar sobre o Tesouro Nacional, disse que “o dinheiro será poupado para investir em capital humano”. Disse também querer “melhorar nossas relações com os países vizinhos”, numa menção à China. O resultado tem também, portanto, consequências no tabuleiro da geopolítica já bastante movimentado no último período.

A vitoriosa eleição de Ali Wazir
Ali é dirigente e membro do grupo marxista de tradição trotsquista paquistanês “The Struglle”. É uma inconteste liderança popular na região de Wanna, Warizistão do Sul, que pertence a uma FATA (Região de Áreas Tribais de Administração Federal) que foi uma das regiões mais atingidas pela guerra contra o terrorismo.

Também é liderança de um dos principais movimentos de massas no país, o PTM (Movimento de Proteção do Paquistão), movimento de luta pelos direitos humanos das vítimas do terrorismo que ganhou projeção mundial, quando um de seus líderes foi assassinado por um inspetor da polícia em janeiro deste ano. Na luta contra o fundamentalismo e o terror, Ali perdeu 17 membros de sua família, dentre eles seu pai e um irmão. Ali Wazir é considerado um herói em muitas regiões do Paquistão por causa de toda essa história de luta e sacrifícios. Por ter um papel de liderança, em junho deste ano sofreu um atentado quando dezenas de militantes talibãs fortemente armados cercaram sua casa matando oito pessoas. Ali conseguiu fugir deste cerco e, com muito apoio popular, conseguiu se inscrever como candidato independente na eleição para a Assembleia Nacional (Câmara dos Deputados).

Já em 2013, Wazir tinha sido eleito, mas devido a fraudes burocráticas não pode assumir. A atual eleição de Ali Wazir é um novo feito espetacular, principalmente considerando as condições terrivelmente adversas. Vencer a eleição, obtendo 23.530 votos contra os 7.515 votos do candidato do MMA (conservadores islâmicos), ainda mais na região N-50 que faz fronteira com o Afeganistão, onde o fundamentalismo religioso é muito forte, sem dúvida, trata-se de uma enorme vitória. Ela anima os militantes revolucionários que em todo mundo lutam contra a exploração e opressão do sistema capitalista.

Nossas mais calorosas e revolucionárias congratulações a Ali Wazir, a todos camaradas que estiveram neste combate e a The Struglle por esta maravilhosa vitória.

Viva o deputado Ali Wazir!
Viva a luta contra todas formas de opressão e exploração!
Viva a luta internacional da classe trabalhadora!

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