Explode greve do peão em Fortaleza

Por: Giambatista Brito, de Fortaleza, CE

Na manhã desta segunda-feira, dia 23 de julho, trabalhadoras e trabalhadores da Construção Civil da grande Fortaleza cruzaram os braços em repúdio à intransigência da patronal, que no último mês rompeu a mesa de negociação afirmando que não haveria acordo sem a implementação da jornada de trabalho flexível nos canteiros de obra da cidade. A resposta foram nove grandes concentrações de trabalhadores, algumas com mais de mil operários, paralisando algo em torno de 70% da categoria, já no primeiro dia. Todas as grandes obras foram paradas, todas.

A imensa maioria dos canteiros foram paralisados com a presença de diretores e apoiadores ou com a pressão dos piquetes operários em passeata pelas ruas da cidade. Alguns canteiros todavia pararam por conta própria e se dirigiram em caminhada até o ponto de concentração mais próximo para participar de uma das 9 assembleias simultâneas pela cidade. Histórias como essas são muito importantes em especial pela situação financeira que se abate em todo movimento sindical brasileiro pós reforma trabalhista e no caso da Construção Civil pós o enorme fechamento de postos de trabalho graças a crise econômica e ao desgoverno de Michel Temer, o que provocou uma imensa perda de arrecadação pelo sindicato. Um dos piqueteiros de uma dessas obras que paralisaram sem a presença de nenhum diretor falou ao microfone: “disseram que a gente não devia fazer greve porque o sindicato estava fraco e não ia dar conta, pois eu quero que saibam que eu sou o sindicato, não estou fraco, e a gente vai dar conta sim, ainda que isso custe meu emprego”.

Na Praça Portugal, transformada em praça do peão, Nestor Bezerra que participou de uma das assembleias da categoria explicou porque não se podia aceitar a flexibilização da jornada: “Hoje, os trabalhadores já trabalham dia de sábado e até dia de domingo, mas o patrão precisa pagar a hora extra. O que a patronal quer é não ter que pagar mais nada, eles querem transformar os canteiros dessa cidade em cemitérios de trabalhadores com tanto acidente de trabalho que vai ter por causa dessas jornadas. E isso nós não vamos aceitar.”

A Resistência esteve presente não só através de seus militantes da categoria mas também de vários apoiadores, como nossas companheiras professoras Anna Karina e Rebeca Veloso, pré-candidatas a senadora e a deputada federal respectivamente. Em uma de suas falas Anna Karina afirmou “é possível derrotá-los. Hoje foi só o primeiro dia. Eu sou professora e aprendo todos os anos com essa categoria. Mas é preciso ensinar a esses patrões quem é que manda. Nós somos os 99% dessa população que constrói riqueza nesse país e quem tem que mandar somos nós e não a patronal que não sabe sequer colocar um tijolo em cima do outro”.

A proposta da patronal foi rejeitada e a continuidade da greve foi aprovada em todas as assembleias. Todo nosso apoio e solidariedade à greve do peão.

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