Privatização da Saúde: caso dos exames papanicolau em Pelotas, RS

Por: Tiago Schneider, de Porto Alegre, RS

Essa semana, o Diário da Manhã, jornal de Pelotas, fez uma denúncia grave: o serviço privatizado de exames que atende a um posto local não realizava a análise clínica de todas as amostras coletadas para realização do exame Papanicolau, fazendo-o apenas por amostragem. Embora a denúncia tenha sido apresentada já em julho de 2017, por servidores públicos, à Secretaria de Saúde da Cidade, nenhuma atitude foi tomada pela Prefeitura. Agora, diante da repercussão da notícia, está sendo articulada uma CPI na Câmara Municipal, enquanto a Administração busca informações sobre a questão.

O Papanicolau permite a identificação de câncer no colo do útero, que é curável em quase todos os casos. Por conta disso, é de extrema importância a realização do exame, sendo fundamental que a paciente tenha sua amostra efetivamente analisada para que, sendo encontrada alguma alteração, possa realizar o tratamento o mais cedo possível. A identificação da ausência de efetiva análise foi realizada pelos servidores e servidoras públicos que prestam serviço no posto de saúde local; foi percebido que os casos de alterações foram zerados a partir de 2014, ainda que algumas mulheres aparentassem lesões. A questão expõe os limites da privatização dos serviços de saúde e a necessidade de valorização do trabalho dos servidores da área.

A denúncia pode ganhar ainda mais relevo porque o ex-prefeito da cidade, Eduardo Leite (PSDB), é um dos postulantes ao cargo de Governador do Estado do Rio Grande do Sul. Cumpre destacar que, embora não tenha concorrido à reeleição, ele conseguiu eleger sua aliada e vice-prefeita, Paula Schild Mascarenhas, e tenta projetar uma imagem de gestor moderno, bem ao gosto da mídia hegemônica no estado. Embora o seu partido tenha composto o governo Sartori até janeiro do corrente ano, provavelmente o ex-prefeito deve tentar se apresentar como alternativa ao atual governador do Estado do Rio Grande do Sul, ainda que, na prática, representem o mesmo projeto, especialmente o de privatização dos serviços públicos.

É justamente por isso que a denúncia cai como uma bomba para a pré-candidatura: como o ex-prefeito poderá defender sua imagem de gestor público moderno, diferente daquela do atual e desgastado Governador Sartori, quando permitiu, em sua administração, que isso acontecesse com a saúde pública municipal? A população de Pelotas e do Rio Grande do Sul merecem que a questão seja devidamente esclarecida, com a apuração rigorosa da denúncia.

Foto: Divulgação Prefeitura de Pelotas

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