Mudar sem medo: Boulos presidente

Por: André Freire, colunista do Esquerda Online

4 argumentos para fortalecermos as pré-candidaturas de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara

Após a precoce eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia, vimos se intensificar os debates sobre as eleições de 7 de outubro. Nas próximas semanas, vamos ter a definição dos partidos sobre suas candidaturas e alianças, o prazo para as Convenções partidárias se encerra no início de agosto.

Num quadro marcado ainda por uma grande indefinição política, especialmente pela condenação sem provas, prisão e impedimento absurdo da candidatura do ex-presidente Lula; e pela brutal crise de representação dos partidos da direita tradicional – especialmente PSDB, DEM e MDB; enfim, saberemos quem serão realmente os candidatos.

O PSOL vai realizar a sua Convenção Nacional no final do mês, para ratificar as atuais pré-candidaturas de Guilherme Boulos e Sonia Guajajara – para Presidente e Vice-Presidenta – lançadas por uma Frente Política e Social inédita em nosso país, formada por partidos de esquerda e movimentos sociais combativos, principalmente: MTST – PSOL – PCB – APIB.

Muitos são os motivos para construirmos e fortalecermos esta nova alternativa política de esquerda e socialista. Aqui estão em destaque alguns deles, para abrir o debate com os ativistas que estão construindo as lutas contra o governo ilegítimo de Temer e suas reformas reacionárias:

Coerência na luta contra o golpe
O PSOL foi o principal partido de esquerda que esteve na oposição de esquerda aos governos do PT em aliança com partidos da velha direita. Mas, essa posição correta, pelos limites políticos e programáticos destes governos de conciliação de classes, não impediram que a bancada do PSOL na Câmara dos Deputados votasse contra a manobra reacionária do Impeachment de Dilma e o partido tenha participado nas lutas contra esse golpe parlamentar.

O MTST foi o movimento social combativo que mais se destacou no processo de mobilização contra o golpe. O papel de mobilização do MTST, especialmente do povo trabalhador das periferias das grandes cidades na luta pela moradia, foi decisivo para o crescimento daqueles importantes mobilizações.

Nas lutas contra as reformas reacionárias e pelo Fora Temer, mais uma vez assistimos o papel importante do MTST e da militância do PSOL. Nossa proposta é construirmos a máxima unidade para ampliar as mobilizações em defesa dos direitos sociais e das liberdades democráticas, como realizamos na greve geral de abril do ano passado.

Neste sentido, tanto o PSOL, como o MTST estiveram na linha de frente das manifestações contra a condenação sem provas, prisão e o impedimento da candidatura de Lula, mesmo sem apoiar seu projeto político de conciliação de classes.

Para enfrentar de verdade o golpe, temos que apostar, em primeiro lugar, na mobilização direta do povo trabalhador, da juventude e do conjunto dos explorados e oprimidos. E, nas eleições, devemos fortalecer uma nova alternativa política de esquerda, que não tenha nenhum compromisso com os setores políticos e sociais que patrocinaram o golpe.

Nenhuma aliança com a velha direita e os golpistas
Infelizmente, as direções do PT e do PCdoB não aprenderam nada com o golpe. Estiveram 13 anos no governo federal aliados com partidos como MDB, PR, PTB, PSD e cia, não realizaram nenhuma das mudanças mais estruturais que o nosso país necessita, seja do ponto de vista da nossa economia seja do ponto de vista do sistema político.

As alianças de governo com partidos e políticos da velha direita, frustraram as esperanças de mudanças significativas que se esperava destes governos. E, no momento de crise econômica e política, não impediu que as grandes empresas e bancos patrocinasse o golpe.

Mesmo depois do Impeachment de Dilma, tanto o PT como PCdoB vem construindo as mesmas alianças espúrias de sempre, inclusive com os mesmos partidos e políticos da velha direita que dirigiram o golpe, principalmente em Estados como: Minas Gerais, Bahia, Cerará, Maranhão, Alagoas, entre outros.

Para nós, golpistas não merecem perdão!

Um programa que enfrente os ricos e poderosos
Uma alternativa contra o golpe não pode apresentar um programa que não coloque de verdade o “dedo na ferida”. Não existe possibilidade de atender as justas reivindicações da maioria da população sem combater os privilégios dos menos de 1% dos ricos e poderosos que se apropriam da maior parte da riqueza produzida em nosso país.

Portanto, para ganhar o povo, precisam perder os banqueiros, latifundiários e grandes empresários. Por isso, a campanha Boulos e Guajajara vai defender a anulação todas as reformas reacionárias do governo ilegítimo de Temer e o aumento dos impostos sobre os lucros exorbitantes das grandes empresas e bancos, para que a maioria da população pague menos impostos.

Em nossa opinião, é preciso reestatizar as empresas privatizadas, acabar com as privatizações da Petrobrás, Eletrobrás e dos Bancos Públicos, retomar o monopólio estatal sobre todo o Petróleo e o Pré-sal e realizar a auditoria da dívida pública – acabando com a transferência de dinheiro público para os banqueiros, através de juros astronômicos.

Não é possível defender esse programa de mudanças radicais, que enfrente a terrível desigualdade social, novamente aliado a grandes empresários e a elite política burguesa. Por isso, só uma candidatura que defenda realmente um governo dos trabalhadores e do povo pode firmar esse compromisso de mudança.

Uma campanha construída pelos ativistas
A frente conformada a partir do MTST e do PSOL é uma alternativa que busca dialogar de forma efetiva com a pauta de reivindicações que esteve presente nas gigantescas manifestações de junho de 2013: por mais e melhores serviços públicos (“padrão Fifa”) e por um novo regime político a partir de da valorização da participação popular.

Por isso, estamos construindo o nosso programa e a nossa campanha totalmente aberta a participação militante dos ativistas, em todo o país. Milhares de trabalhadores e jovens já participaram das nossas atividades e debates, seja com a presença de Boulos seja com a presença de Guajajara.

A forma que estamos construindo a campanha demonstra efetivamente que nosso objetivo vai muito além de uma campanha eleitoral, mesmo com toda a importância que ela tenha. Queremos afirmar e fortalecer uma nova alternativa política de independência de classe, de esquerda e socialista, que supere os graves erros e limites do projeto de conciliação de classes da direção petista.

Vamos, sem medo de mudar o Brasil!

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