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Opinião sobre jogo Brasil e Suíça: sem brilhos individuais e táticos para furar a defesa do time europeu

Por: José Pereira de Sousa Sobrinho, para o Lateral Esquerda

É Copa…, é futebol… Sou como a maioria dos brasileiros, o futebol me move, me comove, tem sido assim por boa parte da minha vida. Logo ao sair de casa percebo que Fortaleza respira copa. Ainda não estão por toda parte as bandeiras verde e amarela, mas as camisas canarinhos se já fazem mais presente.

O futebol é sempre uma festa, mas nos dias normais, é uma festa mais restrita, cada um no seu quintal ou com seu time, onde quase sempre somente os aficionados são convidados. Na copa é diferente, é meio como um carnaval ou a festa de fim de ano, todo mundo está convidado. É inusitado ver tanta gente interessada em uma partida de futebol, todos falam sobre tática ou aquela jogada, ou buscam entender a regra do impedimento. Geralmente prefiro assistir aos jogos sozinho, concentrado, tentando entender a lógica da partida. Mas, como não queria ficar de fora da festa fui a um dos locais na cidade onde teria um telão, onde os aficionados de sempre poderiam se confundir com a multidão.

Ao chegar meu receio se confirmou, o sol iria atrapalhar a imagem no telão, e também já não havia onde sentar. Ficar em pé era o mal menor, lembra a época de Estádio onde ficava perto das organizadas. Vamos ao jogo, mesmo com pouca visibilidade!!

O time do Brasil é tecnicamente superior. Isso não é novidade. Domina o primeiro tempo, tenta construir jogadas com triangulações com Marcelo, Neymar e Coutinho pela esquerda, e pela direita com Willian, Danilo e aproximação de Paulinho. Tendo Jesus flutuando pelos dois lados, por vezes jogando de costas para o gol. O Brasil dominou o jogo, tentando superar a forte marcação Suíça, que por vezes abusa de faltas para impedir jogadas de velocidade. Mas, no conjunto do jogo o Brasil encontrou pouco espaço para jogadas individuais e de velocidade, a marca dessa equipe.

As principais jogadas surgem pela esquerda, em uma delas com passe de Coutinho, Neymar consegue chegar a linha de fundo, toca mal para o cento da área, mas, Schär, zagueiro suíço quase nos ajuda, em um lance bizarro erra o chute e depois da bola bater em suas duas pernas, sobra para Paulinho dentro da pequena área desperdiçar. A bola vai saindo devagar rente à trave, junto com o ela o grito de desespero de todos ao redor, quase empurrando a bola para dentro. Na sequência mais uma boa triangulação pela esquerda, jogada de linha de fundo, passe de Coutinho para Marcelo, cruzamento, novamente a zaga suíça rebate mal, dessa vez nos pés de Coutinho que de fora da área, acerta um lindo chute, 1 a 0.

O gol aos 19 minutos me deixa mais tranquilo, acredito que também para todos que ali torciam pelo Brasil. Vem logo o pensamento de que o gol iria tornar o jogo mais fácil, a Suíça deveria subir suas linhas de marcação, tentar sair um pouco mais para o jogo em busca do empate, oferecendo espaço para as triangulações em velocidade para o nosso quarteto de ataque. O que não aconteceu, a Suíça pouco alterou sua forma de jogar, continuava defendendo buscando contra ataques ou lances de bolas paradas para tentar algo no ataque. Assim, os espaços não surgiram, e o Brasil parecia preferir cadenciar o jogo ao invés de continuar no mesmo impulso dos primeiros 20 minutos para ampliar o placar.

No início do segundo tempo, o lance esperado pelos suíços aparece, em escanteio a suíça empata. O lance é duvidoso, com um leve empurrão o autor do gol – tira Miranda do lance. Do meu lado as vozes se dividem entre injurias a Miranda pela falha na marcação e ao arbitro pela não marcação da falta. Somo-me aos que rogam pragas ao arbitro mexicano. Como sou do tempo em que nesses casos jogava o rádio de pilha no campo, que até esqueci-me de esbravejar pelo arbitro de vídeo. Enfim, os recursos de hoje se mostraram tão ineficazes quantos os do passado, 1 x 1.

O restante da partida é um esforço do Brasil por furar a marcação Suíça, mas sem repetir as boas triangulações entre Coutinho, Marcelo e Neymar pela esquerda. O último abusa da individualidade em lances distantes da área, em momentos em que o passe parece ser a melhor opção para acelerar o jogo. A marcação quase sempre dupla sobre Neymar tornava ainda mais complicado às jogadas individuais costumeiras e demarca que o padrão tático da equipe de Tite encontra dificuldades para enfrentar equipes que jogam recuadas com até 10 jogadores atrás da linha da bola. A dificuldade de troca de passes rápidos pelo meio, de jogar com inversões rápidas do lado de ataque demarcam a falta de um articulador no meio campo que possa fazer a bola girar a frente das linhas de marcação adversárias, entre os duetos de nossos ataques pelos lados, movendo as linhas de marcação adversárias e possibilitando espaço para infiltrações.

A entrada de Renato Augusto no lugar de Paulinho, que errava muitos passes, tinha esse objetivo, mas pouco mudou a forma do Brasil jogar. Das raras chances criadas, destaco o passe de Neymar para Coutinho com infiltração nas costas do lateral direito suíço em lance que Neymar flutuou até o meio, invertendo papel com o jogador do Lverpool. A genialidade do passe, como uma das poucas jogadas criadas, demonstra que dependemos de lampejos de individualidade para conseguirmos superar linhas de marcações bem organizadas. A individualidade é essencial no futebol, mas depender exclusivamente dela é um fator negativo para um jogo coletivo. Além desse lance a melhor chance vem de uma bola parada que novamente a zaga da suíça rebate mal, apesar da ajuda, Miranda desperdiça, reativando os gritos de desespero e injúrias ao redor.

Todos parecem decepcionados ao fim do jogo, mas logo começa a tocar a banda no palco armada ao lado do telão. O futebol, o gol sofrido, o pênalti não marcado em Jesus deixam de ser assunto, todos parecem não se importar mais. Dançam e se divertem com músicas que pintam a copa com o clima de carnaval. Esse já não é um ambiente tão familiar. Fico pensativo, parado, relembrando os lances do jogo. No meio de danças e sorrisos, concluo que o Brasil possui uma equipe muito competitiva, deve se classificar na primeira fase, mas é uma equipe que ainda que coletivamente seja bastante superior a da última copa, ainda possui alguns limites táticos e individuais. Mas, por outro lado, esse empate e a derrota da Alemanha pela manhã, demarca que as grandes seleções não terão vida fácil nessa copa. Então, que venha a Costa Rica, para um pouco mais do gostinho da festa do futebol.