Daily Archives

q1111233
  • Brasil frustra expectativas e não sai do empate contra Suíça

    Neymar e cia justificam a existência do mascote Canarinho Pistola e irritam torcida com jogo morno.

    A estreia do Brasil não foi do jeito que se esperava: ampla favorita contra a Suíça, a seleção brasileira não conseguiu superar o forte sistema defensivo suíço e ficou num empate, em um jogo marcado por dois lances polêmicos, onde o árbitro assistente de vídeo (VAR) poderia ser acionado. Com isso, a Suíça vai se confirmando como um adversário indigesto, uma vez que em 2013 o Brasil foi derrotado por 1 x 0, com direito a gol contra de Daniel Alves (que não participa desta Copa por conta de uma lesão pouco antes da convocação).

    O primeiro tempo começou com o Brasil assumindo o protagonismo do jogo, buscando a posse de bola e a construção das jogadas baseadas no toque de bola e na qualidade individual do quarteto ofensivo, formado por William, Phillipe Coutinho, Neymar e Gabriel Jesus. A seleção suíça foi a primeira a levar perigo, em chute de Dzemaili. Depois de um início muito disputado em jogadas de meio de campo, Phillipe Coutinho abriu o placar com sua marca registrada: chute forte de fora da área, a bola ainda bateu na trave antes de estufar as redes. Um golaço!

    Depois de abrir o placar, o ímpeto ofensivo da seleção arrefeceu, e o jogo seguiu num ritmo mais lento. Foram poucas as chances de gol, embora o jogo seguisse sob controle.

    No segundo tempo, a dinâmica seguiu, jogo lento, poucas movimentações do ataque brasileiro e a aparente segurança de que o segundo gol aconteceria a qualquer momento. E foi o que aconteceu, mas não do lado brazuca: em cobrança de escanteio, Zuber empurrou Miranda e subiu sozinho para cabecear. O lance é duvidoso e o VAR poderia ser acionado, no entanto, o árbitro mecicanm César Ramos optou por validar o gol sem requisitar o uso do recurso.

    Na sequência do jogo, a seleção canarinha seguiu pressionando, mas pouco conseguiu criar. Gabriel Jesus foi empurrado dentro da área e, mais uma vez, os pedidos pelo uso do VAR não foram atendidos. Era nítido que o empate era confortável para a Suíça e que o Brasil encontrava no nervosismo um adversário mais duro do que o famoso “ferrolho suíço”. Fernandinho, Renato Augusto e Firmino foram a campo no lugar de Casemiro, Paulinho e Gabriel Jesus, mas o panorama do jogo seguiu, com muitas bolas cruzadas na área em busca de um cabeceio ou de uma sobra que pudesse ampliar o placar.

    Fim de jogo e o empate foi um ótimo negócio para a Suíça, que enfrenta a Sérvia na próxima rodada. Líder do grupo E, a seleção sérvia agora sonha com o primeiro lugar no grupo. Para o Brasil, aumenta a pressão por uma vitória contra a Costa Rica, adversária mais fraca da chave. Nas últimas nove Copas o Brasil estreou com vitória, algo fundamental numa competição curta como esta. Ainda é cedo para colocar Tite e seus comandados na berlinda, mas a atuação sonolenta deve ligar o alerta daqueles que sonham em jogar a final em Moscou.

    Mais sobre a cobertura da Copa no Lateral Esquerda: https://www.esquerdaonline.com.br/a-lateral-esquerda

  • México surpreende e vence atual campeã do mundo

    O estádio Luzhniki, em Moscou, reunia, no final desta manhã de domingo, as duas maiores torcidas desta Copa do Mundo na Rússia: México e Alemanha. Foram destinados 120 mil ingressos aos dois países, cerca de 5% do total distribuído pela Fifa até a última semana.

    Um primeiro tempo agitado para o México, trabalhando o contra-ataque e indo pra cima dos alemães. A seleção alemã seguiu com seu toque de bola, mas hoje faltou chegar na pequena área. Com 33% de aproveitamento de chutes, Ochoa, quando precisou estava lá e merece crédito junto ao time mexicano.

    Parece que o lema “México jogando como nunca perdendo como sempre” foi parado. Com gol de Lozano aos 35 minutos do primeiro tempo. A seleção alemã teve pouco aproveitamento no primeiro tempo com relação ao chute ao gol, sobressaindo na posse de bola tentando manter o controle e jogar armado, mas quase não chegou ao gol e muito menos converteu.

    No segundo tempo, os times voltaram com energia e mantendo ritmo de jogo, a seleção mexicana desperdiçou muita bola, faziam excelentes contra-ataques com roubadas de bola mas eram barrados para finalizar. A seleção alemã seguia com toque de bola, mas realmente não sabia como finalizar, assustou em alguns momentos mas Ochoa mostrou que estava atento.

    Seleção alemã mostrou porque foi campeã, acreditou até o final. Manuel Neuer foi pra área acompanhar o último escanteio, mas realmente esse jogo eles estavam abaixo da média. Muller estava sumido, Ozil estava lá mas não sabíamos onde.

    Nada esta definido, ganhar em estreia é alegria, ainda mais para o time mexicano sobre a última campeã e autora do 7 x 1 contra o Brasil. Contudo temos muito campeonato pela frente. México abateu o time mais forte do grupo, isso dá um fôlego e uma esperança, porém o pé preciso ser matido no chão!

  • Com golaço de falta, Sérvia bate Costa Rica na estreia

    Canarinhos Copistas, nosso futuros adversários não assustam.

    O Jogo começou muito animado e a com Urena quase abrindo placar nos minutos iniciais para Costa Rica. Sérvia levou mais tem para se encontrar em campo, já a Costa Rica assustou e os 12 minutos, em jogada ensaiada, González cabeceou para fora, mesmo livre na entrada da pequena área.

    Aos poucos a Sérvia cresceuu no jogo. Com bom domínio de bola e uma mudança tática, adiantando o meia Milinkovic,-Savic, ficou mais ofensiva. A Costa Rica se defendeu, jogou com uma última linha de cinco. Muito fechada, dando mais posse de bola ainda para a Sérvia, durante 20 minutos foi ataque contra defesa. Mas chance real só a desperdiçada por Milinkovic-Savic.

    Costa Rica só ameaçou com Ureña, arriscando sempre, e chegando a assustar.

    No primeiro tempo a Sérvia com mais posse de bola, mas chutando pouco, a Costa Rica em seus poucos momentos teve mais oportunidades de gol.

    No segundo tempo, a Sérvia voltou a crescer em campo. Mitrovic não marcou aos cinco minutos porque Navas se mostrou gigante e operou um milagre; e Koralov brilhou cobrando uma falta pela direita e fazendo o golaço que abriu o placar. Sérvia 1 a 0.

    Após o gol da Sérvia, Óscar Ramírez colocou Bolaños, a Costa Rica ganhou velocidade, mas só. Campbell substituiu Ureña que estava no seu limite.
    Nos acréscimos, o árbitro senegalês usou o VAR para dar um amarelo a Prijovic.
    As equipes podem crescer contra o Brasil, mas não se mostraram como um obstáculo ao nosso futebol moleque. Aos menos provisoriamente a Sérvia assume a liderança do grupo E com 3 pontos.

    Mais sobre a cobertura da Copa no Lateral Esquerda: https://www.esquerdaonline.com.br/a-lateral-esquerda

  • Brasil precisa ser soberano também fora de campo

    A Copa começou e nossa seleção é novamente uma das favoritas. O talento dos brasileiros e, em especial, o de Neymar, impõe respeito. Mesmo com o fantasma do 7 x 1 e o desalento na economia, continuamos sendo grandes neste esporte.

    Mas, fora de campo, a história é outra. O respeito desaparece. O Brasil não escolhe suas jogadas e nem decide o que vai fazer, não é independente. Onde está nossa soberania? As decisões são tomadas por “cartolas”, quer dizer, grandes corporações estrangeiras, bancos e fundos de investimentos. As principais escolhas estão nas mãos do “mercado”, isto é, de uma dúzia de ricos e poderosos.

    Nossa economia é muito dependente da exportação de minério, petróleo e produtos do agronegócio. Exportamos produtos primários e importamos bens industrializados. Dependemos diretamente da cotação lá fora. Veja o exemplo dos combustíveis. Apesar de termos reservas, tecnologia e capacidade de refino, o brasileiro paga mais de R$ 5 no litro de gasolina, porque a Petrobrás aplica a tabela do mercado internacional. Para os acionistas, pouco importa que 61% da população esteja contra essa política ou que 1,2 milhão de famílias cozinhe usando lenha.

    Somos reféns do capital especulativo que nas últimas semanas tem deixado o País, buscando maior rentabilidade em função da alta da taxa de juros no EUA. Antes do Brasil estrear na Copa, o Brasil já terá queimado 24,5 bilhões de dólares em operações futuras para acalmar o mercado e segurar a cotação do dólar, esvaziando parte das reservas.

    É GOOOLLLLLLLLPPPEEEEEE!!!!!
    Nosso país tem sofrido com a retirada de riquezas e lucros por parte do grande capital internacional. Isso é resultado da crise econômica iniciada em 2008, e agora acelerada pela disputa agressiva entre as principais nações imperialistas.

    Foi por conta dessa crise econômica que o Brasil teve uma virada de mesa em 2016, no golpe parlamentar, feito para controlar mais ainda nossa economia.

    Não que o Brasil fosse um País independente de verdade nos governos do PT. Nesses anos, o País aprofundou a sua inserção no mercado mundial como fornecedor de commodities e ainda liderou a ocupação no Haiti. Mas mesmo os governos de conciliação de classes tornaram-se incapazes de atender às exigências do imperialismo e do capital internacional. O golpe veio para ir além, para avançar na recolonização.

    Temer, depois de políticas de austeridade e redução do custo trabalho, avança na entrega das riquezas. Ampliou o controle estrangeiro de terras e reservas de petróleo e, mesmo com o governo em crise, quer entregar aos estrangeiros Eletrobrás, Correios, Embraer e nossa maior empresa, a Petrobras.

     

    BRASIL CAMPEÃO DA DESIGUALDADE
    Nossa economia é uma das maiores, mas, quando o assunto é a distribuição dessa riqueza, voltamos a ser “vira-latas”, a estar entre as últimas posições. Somos o décimo país mais desigual do mundo, empatados com a Suazilândia, pequena nação africana de área 490 vezes menor que a nossa. Somos mais desiguais que Honduras e Guatemala.

    O golpe ampliou essa desigualdade e deixou 31 milhões sem emprego. Seis pessoas têm o mesmo que 100 milhões de brasileiros. Os 5% mais ricos tem a mesma riqueza que 95% da população. O rico está mais rico. O trabalhador está endividado ou sem emprego. Principalmente se for mulher, negro ou LGBT.O controle sobre o Brasil provoca não só essa desigualdade, mas também impede que o País cresça e se desenvolva, aproveitando nossas riquezas. É como se jogássemos com as pernas amarradas. Com soberania, nosso país poderia crescer, explorar suas potencialidades e, assim, distribuir essa riqueza entre o nosso povo.

    NAS ELEIÇÕES, QUEREM JOGAR POR VOCÊ
    Temer mudou a regra do jogo, a mando do mercado. A Emenda Constitucional 95 determina um Teto de Gastos públicos, que reduzirá o alcance de programas sociais e da saúde. Em 12 anos, essa decisão causará a morte de mais 20 mil crianças. Leis assim são criadas para impedir que as principais decisões saiam do controle do mercado. Mesmo se o time estiver perdendo, o técnico fica impedido de mudar o esquema tático e até de substituir os jogadores.

    Mas, além disso, o mercado interfere diretamente nas eleições. Age para eleger um presidente que mantenha as políticas de austeridade, sem qualquer mudança na agenda. Foi por isso que perseguiram e prenderam Lula, que lidera as pesquisas.

    Querem decidir por você. Querem um governo comprometido com mais submissão, com a reforma da Previdência e a autonomia do Banco Central, como acaba de fazer a Argentina, em acordo com o FMI. O(a) candidato(a) do mercado será aquele(a) que provar chances eleitorais e transmitir confiança de que continuará fazendo o Brasil perder.

    É HORA DE VIRAR O JOGO
    Nas próximas semanas, vamos torcer pela seleção. Aos poucos, vamos acabar recuperando o gosto pela torcida, pois não vamos deixar que nos tirem isso também. Já basta levarem os nossos melhores jogadores e jogadoras.

    Além de torcer, vamos lutar por um Brasil soberano fora de campo. Para isso, é preciso ser grande para todos e não para uma pequena elite, para o 1% de bilionários. É preciso enfrentar a desigualdade social, herança da escravidão, romper com os de cima.

    Não dá para ganhar jogando no mesmo time de quem aposta contra a gente, com quem entrega a partida, de quem dá golpe. Sem acordo com cartola, é possível virar o jogo.

    Vamos entrar em campo com um programa anticapitalista, com a pré-candidatura de Boulos e Guajajara, na luta dos de baixo, das mulheres, dos trabalhadores. É possível anular a reforma trabalhista, impedir a da Previdência, enfrentar a dívida e os banqueiros, fazer a reforma agrária e urbana, garantir emprego e o combate à desigualdade.

    Vamos para a Copa torcendo pelo Brasil e lutando por soberania. Essa é uma luta importante para todos os socialistas, que não querem só ganhar uma partida, mas vencer o campeonato, para que os trabalhadores controlem e usufruam da riqueza que produzem.

    O Brasil não precisa seguir o mesmo caminho das principais potências, que exploram e sugam as riquezas e o povo dos demais países. Pode ser soberano, independente e também solidário e irmão de outras nações, como parte de uma mesma classe trabalhadora, em todo o mundo. Seja no Brasil, na Argentina ou na Palestina.

    Acompanhe a cobertura da Copa do Mundo da Rússia no Lateral Esquerda, especial do Esquerda Online

    Foto: Philippe Coutinho comemora gol em partida das eliminatórias. Lucas Figueiredo/CBF

  • Da criança negra com fome no shopping ao ator Leno Sacramento: O racismo é cruel

    Salvador, a cidade mais negra fora da África é também a mais racista

     Nessa semana a capital baiana foi destaque no noticiário nacional, primeiro pelo caso inacreditável em que o segurança do Shopping da Bahia, o antigo shopping Iguatemi, tentou impedir que um cliente pagasse um almoço para uma criança negra, chamada Matheus, de 12 anos idade, que trabalha na rua vendendo bala. O vídeo que circulou nas redes sociais com milhares de visualizações mostra o exato momento em que o segurança tenta de todas as formas evitar que o almoço seja comprado, inclusive chega a tentar colocar a criança para fora do shopping à força por meio de empurrões, mas não foi permitido pelo homem que queria pagar a refeição. A situação só foi resolvida quando o supervisor da segurança chegou ao local e garantiu que a criança pudesse comer.

    O Ministério Público da Bahia abriu um inquérito civil para investigar a responsabilidade do Shopping da Bahia em uma possível prática de racismo institucional. A Ordem dos Advogados (BA) vai oficiar o shopping para que o mesmo esclareça de forma oficial o que aconteceu, o que vão fazer para reparar o ocorrido, como pretendem garantir o acesso de jovens negros da periferia e se terão uma política de inclusão de funcionários.

    Matheus é de uma família pobre, moradora do bairro de Pernambués, o bairro mais negro de Salvador com 53 mil moradores e fica próximo ao shopping. A sua Mãe, com 57 anos, vende balas e salgadinhos nos ônibus da cidade para sustentar 8 pessoas, três filhos, dois netos e os pais que moram numa cidade do interior baiano.

    Em uma nota enviada à imprensa, o Shopping da Bahia declarou que o segurança foi afastado do trabalho, de contato com o público, e está passando por um processo de reabilitação, voltando a afirmar que não há nenhuma orientação para uma abordagem que vá “além de coibir ações de comércio informal e de pessoas (crianças e adultos) que tentam abordar clientes com pedidos de dinheiro, alimentos ou produtos. A decisão do cliente é soberana e tem que ser respeitada, sem nenhuma ação violenta ou que gere constrangimento.”

    No entanto, esse caso em que o segurança do Shopping da Bahia tentou impedir que um rapaz pagasse uma refeição a uma criança pobre e negra deve ser avaliado por duas perspectivas.

    A primeira é que sabemos que todos os shoppings do Brasil têm recomendações de caráter racista e higienista, de modo que os shoppings devem receber pessoas negras em situações de trabalhadoras das lojas ou como consumidoras, contanto que elas estejam dentro de um padrão aceitável de comportamento. No ano passado, por exemplo, um pai acusou o Shopping Pátio Higienópolis de São Paulo de cometer racismo contra o seu filho negro, que foi ‘confundido’ com um mendigo, mesmo a criança usando a farda da Escola Sion que fica localizado no mesmo bairro nobre. A segurança do shopping chegou e perguntou ao artista plástico Enio Squeff se o menino o ‘estava incomodando’, justamente por ser uma criança negra.

    Nós vimos também como os mesmos shoppings de São Paulo e de outras cidades trataram os ‘rolezinhos’ quando jovens negros e da periferia, privados de espaços públicos e de lazer em seus bairros, escolheram se divertir nos shoppings centers.

    Os shoppings são espaços pensados para ser o templo do consumo e ostentação da classe média branca, qualquer corpo estranho a esse é altamente vigiado, pois o que não faltam são histórias de perseguições dos seguranças, acusações infundadas de roubo e desprezo dos vendedores das lojas com os consumidores negros, que são vistos como incapazes financeiramente de pagarem por determinados produtos.

    Eu ouvi muitas pessoas dizerem que o antigo Iguatemi, agora Shopping da Bahia, durante os governos Lula – Dilma, em que houve aumento do poder de compra dos trabalhadores, estava se “tornando do povão”. E o que era se tornar do povão? Receber consumidores negros em grande escala. E por isso o recém criado Salvador Shopping se tornou reduto das pessoas brancas, era nítido como o Salvador Shopping ficou bem mais embranquecido.

    A outra questão é a atitude do segurança, ele mesmo falou que estava cumprindo ordens, como nós sabemos que estava. O Shopping da Bahia em uma nota cínica e canalha jogou a responsabilidade para o seu funcionário, lógico, a corda só arrebenta do lado mais fraco. Ao mesmo tempo que para cumprir ordens é necessário que esse mesmo segurança concorde com elas, porque não é incomum que agentes públicos e privados quando querem, em certa medida, são negligentes com as normas e regras estabelecidas. O que o segurança fez foi reproduzir racismo e preconceito de classe, elementos formadores da sociedade brasileira. Ainda mais num período em que o desemprego está altíssimo, o segurança vive constrangido pela ameaça de não seguir as regras e ser colocado para fora, tendo obrigações de se sustentar, assim como possivelmente a sua família. Em momentos de crise, a submissão se torna uma ferramenta necessária para a sobrevivência dos trabalhadores e uma forma de controle para o grupo dominante.

    csm_seg001_ed0e474422
    Prints da confusão no shopping da Bahia

    O segundo caso diz respeito ao ator negro Leno Sacramento, do Bando de Teatro do Olodum, que foi baleado na perna por policiais civis, após ser ‘confundido’ com homens que assaltaram na região do centro da cidade, que assim como Leno Sacramento, também estavam de bicicleta. A versão dos policiais é que ao receberem o chamado sobre homens assaltando de bicicleta, acharam que Leno era um dos suspeitos de participarem do crime e que Leno não obedeceu a ordem de parada. O policial civil que efetuou o disparo disse que atirou para o chão e o que afetou a perna do ator foram os estilhaços da bala.

    Em depoimento prestado à própria Polícia Civil, Leno Sacramento contou que estava andando de bicicleta, indo para o teatro, quando ouviu pessoas o mandando parar, quando olhou para trás, muito antes de colocar os pés no chão, ouviu um disparo, quando viu, a perna já estava sangrando muito e o tiro não foi de raspão como foi dito no dia, mas a bala atravessou sua perna. O ator disse que “estava ferido e machucado, mas a dor que ele sentia é da bala que pegou nele na quarta-feira, mas que antes pegou em vários negros que não podem falar.”

    Bastou apenas os policiais civis saberem que homens de bicicleta assaltaram no centro da cidade que o primeiro homem negro que estava de bicicleta foi baleado, sem nem ser revistado. Na mentalidade policial, qualquer crime cometido no ambiente público só tem pessoas negras como suspeitas e culpadas. E por mais que exista uma relação entre o lugar social do crime e as pessoas que o cometem, somente os corpos negros são vistos como aqueles que podem ser violados por tapas, chutes, socos e projéteis de arma de fogo. O recado dado pelo Racismo é que nós homens negros não podemos andar de bicicleta, pois até assim somos considerados suspeitos/criminosos.

    A delegada chefe da Corregedoria da Polícia Civil, numa entrevista coletiva, disse que o tiro é o último recurso ensinado na academia de polícia. E quando perguntada se o caso configuraria racismo, a delegada respondeu que as investigações ainda estão no começo, mas que a priori isso não foi “detectado e os próprios policiais são negros”. Leno Sacramento participou do filme “O Pai ó”, da peça “Cabaré da Raça” e atualmente encena o monólogo “Encruzilhada”, que justamente aborda a violência racial no Brasil.

    Porém, a manifestação do racismo é impessoal, não ocorre apenas quando um branco discrimina um negro pela sua cor. Por mais que os brancos sejam responsáveis diretos e indiretos pela existência do racismo em nossa sociedade, a Raça enquanto elemento social é criadora de uma concepção sobre as pessoas, sobre aquilo que elas podem ser ou são. E foi justamente baseado nessa concepção que um homem negro poderia ser o ladrão, que o policial nem revistou Leno, já chegou atirando na sua perna como se o mesmo fosse culpado e estava sendo punido por isso.

    Se os policiais são negros, isso só mostra como o racismo é duplamente violento, pois retira das pessoas negras a autopercepção, elas não se reconhecem como tais, carregam consigo o auto-ódio, porque a representação positiva em nossa sociedade é a branca. As pessoas negras não se beneficiam em nada quando reproduzem racismo, já que elas não deixam de ser negras. Inclusive, numa sociedade como a nossa, de minoria branca, a reprodução social do racismo é necessária para garantir aos brancos todos os privilégios sociais, culturais, econômicos e políticos que eles têm. O papel do racismo é sempre garantir vantagens a um único grupo racial.

    Leno entrevista
    Entrevista na Rede Bahia

    O que aconteceu com Leno Sacramento não é nenhum fato isolado como bem gostam de dizer os órgãos de assessoria das polícias civis e militares, quando essas ações acontecem. Nós sabemos muito bem que a prática da polícia brasileira é de atirar primeiro e perguntar depois, principalmente quando se trata de pessoas negras.

    Os policiais militares que atiraram no pintor Nadinho, no dia 21 de Abril, na cidade de Candeias, Região Metropolitana de Salvador, acabaram de ser indiciados por homicídio doloso, ao balearem o artista plástico pelas costas, no seu ateliê, após atenderem uma chamada de roubo em que um suspeito estaria escondido numa casa.

    A versão inicial dada pelos policiais militares é que o pintor Nadinho estava armado e atirou. Agora, depois do laudo do IML e da reconstituição feita, os mesmos policiais dizem que não podem afirmar com precisão que Nadinho estava armado, mas dizem que ele segurava algum objeto. No entanto, os PMs apresentaram uma arma calibre 38, com numeração raspada, além da perícia comprovar que a vítima não tinha pólvora nas mãos. E já existem relatos, indícios e provas suficientes que demonstram que o Auto de Resistência se tornou um instrumento policial para a “produção de uma realidade”, cujo objetivo é criminalizar a vítima para construir a legítima defesa e justificar mortes, através de uma narrativa que os policiais são ‘recebidos a tiro’ e só fazem reagir para se defenderem. Afinal, morto não fala e nem conta história, por isso, muitas vezes o que acaba prevalecendo é o discurso baseado na autoridade policial.

    No começo do mês também veio a público uma filmagem feita por turistas sobre uma abordagem truculenta e selvagem de policiais militares realizada no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, na qual um jovem negro é agredido e torturado, por estar portando, supostamente, um baseado de maconha. A filmagem de 11 minutos mostra 4 PMs tentando colocar o jovem dentro de uma viatura enquanto a população pede para que os policiais parem de agredi-lo. Não satisfeito, um policial militar se volta contra as pessoas que estavam gritando e parte para cima de uma mulher negra dando tapas no rosto e puxando pelos cabelos, mesmo as pessoas dizendo que ela estava grávida.

    No fim de semana, entre a sexta0feira 08/06 e o domingo 10/06, Salvador e Região Metropolitana foram banhadas de sangue com 31 homicídios, a maioria deles ocorridos após o assassinato brutal de um Policial Militar num bairro periférico de Salvador na madrugada de sábado. Os homicídios em série aconteceram nos bairros pobres, com característica de atuação de Grupos de Extermínio, só no bairro de São Cristóvão 5 jovens foram assassinados por homens encapuzados em dois carros.

    Nas regiões do Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho, em que o PM foi morto, mais de 5 pessoas já foram mortas após a intensificação da ação policial, que estão lá supostamente atrás dos responsáveis pelo assassinato. Além dessas mortes, taxistas que trabalham nas localidades também denunciaram abordagens violentas da PM que os acusavam de estarem dando fuga aos traficantes.

    E não à toa as polícias baianas estão entre as que mais matam em serviço, ficando atrás apenas das polícias do Rio de Janeiro e São Paulo, com 456 mortes em 2016. O que ocorreu com Leno Sacramento é só um exemplo cristalizado pelas estatísticas divulgadas pelo Atlas da Violência de 2018, no qual, em 2016, o Brasil chegou a marca de 62 mil homicídios, sendo que 33.590 vítimas eram do sexo masculino, jovem, negro e tinham entre 15 e 29 anos de idade.

    Segundo o Atlas, no período de uma década, entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23,1%. No mesmo período, a taxa entre os não negros teve uma redução de 6,8%. Esses números também são os mesmos para as mulheres, a taxa de mulheres negras assassinadas teve um aumento de 71%, quando comparado com as mulheres não negras.

    E seja o segurança do shopping querendo impedir uma criança negra de se alimentar ou um policial civil que atira num homem negro tido como criminoso pela sua condição natural de homem negro, o que está em curso no Brasil é um processo histórico que vem sendo amplamente denunciado pela militância antirracista, um Genocídio, uma política de ‘higiene racial’, que faria Hitler ficar orgulhoso dos nossos governantes. Tudo isso em 2018, no ano em que se completam 130 anos da Abolição da escravidão. Quem realmente são as pessoas livres no Brasil?

     

    *Henrique Oliveira é mestrando em História Social pela UFBA e colaborador da Revista Rever

    Save

  • Jogo frio numa noite de verão russa

    Croácia vence partida contra Nigéria e assume a liderança do grupo D

    Neste sábado, às 16h, tivemos o último jogo do dia, que fechou a primeira rodada no Grupo D. Mais cedo Argentina e Islândia não saíram do 1 a 1. Na partida entre Croácia e Nigéria também saíram 2 gols, mas foram todos para os croatas que bateram os nigerianos na estreia das seleções. O jogo aconteceu no Estádio Kaliningrado que tem capacidade para 35.212 pessoas e teve arbitragem brasileira de Sandro Meira Ricci.

    O jogo foi marcado por uma baixa na torcida do time africano, que teve o símbolo principal da torcida, as “galinhas da sorte”, proibidas de entrar em campo pelo Ministério da Cultura da Rússia. Segundo Andrei Ermak, Ministro da Cultura, disse que mesmo as galinhas sendo um símbolo da torcida nigeriana “levá-las, vivas ou mortas, seria impossível”. Essa não foi a primeira vez que os mascotes nigerianos ficaram de fora de um jogo da Copa, tal fato já havia acontecido em Johanesburgo (África do Sul).

    O jogo foi bem morno e, tirando os gols e os destaques individuais da Croácia, como o galáctico Luka Modric, e de uns dos melhores volantes do mundo, Rakitic (Barcelona), deixaria muito a desejar para um jogo de Copa do Mundo. Os croatas abriram o placar aos 32 minutos do primeiro tempo, quando o nigeriano Oghenekaro Etebo marcou um gol contra. Já no segundo tempo, aos 26 minutos, Luka Modric fechou o placar com um gol de pênalti, sofrido por Mario Mandzukic.

    Mais chamativo e bonito que o futebol das equipes hoje são seus uniformes. A Croácia com seu tradicional quadriculado vermelho e branco que oscila de forma perigosa entre uma camisa chamativa interessante ou uma toalha brega de mesa de bar. Já a Nigéria está sendo o destaque no quesito modelito e elegância. Chegaram a Rússia com um uniforme de viagem muito alinhado e em campo apresentaram uma camisa verde muito estilosa. O uniforme foi mais cobiçado de sua patrocinadora esportiva, superando camisas de grandes times europeus e sendo o mais vendido entre todas as seleções.

    Agora as equipes voltam a campo na segunda rodada e vão ter jogos decisivos para suas pretensões na competição. A Croácia joga contra Argentina na quinta-feira e pode garantir sua vaga na próxima fase caso derrote os hermanos e ainda de quebra os eliminaria. Já a Nigéria decide sua vida contra o empolgado e aguerrido time da Islândia na sexta-feira.

    Veja como foi a outra partida do dia no Grupo D

    Deu ruim! Messi perde pênalti e Argentina fica no empate

     

    Mais sobre a cobertura da Copa no Lateral Esquerda

    Lateral Esquerda