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A esquerda precisa agir, o tempo é escasso

Gabriel Casoni

Gabriel Casoni, de São Paulo (SP), é professor de sociologia, mestrando em História Econômica pela USP e faz parte da coordenação nacional da Resistência, corrente interna do PSOL.

Aparentemente, ganhou mais força a defesa da intervenção militar no movimento caminhoneiro, apesar das ações das Forças Armadas e da polícia contra a greve, assim como alguns atos, sobretudo em cidades do interior, com o mesmo teor reacionário. Parece que a extrema direita, que já tinha um peso relevante, avançou mais.

O descontentamento social é generalizado e o país mergulha numa crise política e social aguda. O governo, muito enfraquecido, oscila entre a repressão e o recuo, enquanto alguns governadores atacam duramente Temer e a política de preços da Petrobras. Tropas das Forças Armadas já estão posicionadas em refinarias, portos e em outras posições estratégicas, a mando de Temer. A greve de caminhoneiros perdeu um pouco de intensidade, mas ainda é muito forte. O desabastecimento segue e se agrava. Na noite de hoje (domingo, dia 27), ante a persistência da paralisação, Temer deve anunciar novas concessões ao movimento. Contudo, não é certo que a greve venha a recuar na segunda, 28.

Nesse momento crítico, é preciso agir com ousadia; caso contrário, o programa de força da extrema direita vai ganhar ainda mais espaço e musculatura. A inação do PT e da CUT, as forças majoritárias na esquerda e no movimento sindical, diante dessa conjuntura, é incompreensível, para não usar palavras mais fortes.

É hora de convocar os trabalhadores à luta, dialogando com as demandas mais sentidas pelo povo (salário, emprego, direitos, redução do preço dos combustíveis e do gás de cozinha etc.). Jair Bolsonaro tem força, mas não é maioria na sociedade e na classe trabalhadora. Temer é odiado e os tucanos perderam espaço. A esquerda pode e deve jogar um papel ativo nesta crise.

A efetivação da greve de petroleiros pode ser crucial, assim como o chamado a um dia nacional de paralisação e lutas no Brasil. Se a esquerda e os movimentos sociais, a começar pelo PT, CUT e MST, junto com PSOL, MTST, CSP-Conlutas e outros movimentos, chamarem a luta unificada – levantando uma pauta popular, operária e democrática – temos uma chance de entrar na conjuntura para oferecer uma alternativa progressiva à crise instalada. Não temos muitos dias para isso, o tempo é escasso.

Foto/crédito: Sindicato dos Petroleiros do Litoral de Paulista