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O que venceu nas eleições do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza (CE)

Operários durante greve de Fortaleza. Arquivo

Operários durante greve de Fortaleza. Arquivo

André Freire

Historiador e membro da Coordenação Nacional da Resistência/PSOL

Na madrugada deste sábado, 19, foi realizada a apuração das eleições do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Fortaleza (CE), depois de três dias de um pleito muito disputado. A essa altura, muitos já devem saber que a Chapa 1 – UNião e Luta (PCB e Resistência/PSOL) saiu vitoriosa, com 740 votos (36% dos votos válidos); Em segundo lugar, chegou a Chapa 2 (CUT/CSD), com 705 votos (34%); e, por último, ficou a Chapa 3 (PSTU), com 640 votos (30%).

O normal, no interior da esquerda, diante de um resultado disputado deste, é que os comentários sobre o processo busquem valorizar as qualidades da chapa vencedora, especialmente se quem escreve era um apoiador dela. De fato, temos muito orgulho, como sempre diz Nestor Bezerra, de nossos “guerreiros e guerreiras” que são responsáveis pela vitória da Chapa 1. Mas, o que considero ainda mais importante destacar são os outros motivos que explicam o resultado e também suas consequências políticas.

Foi a vitória de uma política, e a derrota de outra, no interior da esquerda socialista.

Foi a afirmação e o fortalecimento de uma política de unidade para lutar contra os ataques dos patrões e governos; de uma frente única da esquerda socialista, para construir uma nova alternativa de independência de classe, democrática e socialista e da luta sem tréguas contra a extrema-direita e em defesa das liberdades democráticas da nossa classe.

Por isso, com todas as nossas diferenças com a política de conciliação de classes da direção do PT, levamos para a campanha a defesa política e democrática da liberdade de Lula, preso e condenado sem provas.

Construímos também, em meio a campanha, uma grande atividade na categoria com a presença de Guilherme Boulos, nosso pré-candidato a presidente da República, pela frente política e social construída a partir do MTST, PSOL, PCB, APIB, entre outros movimentos sociais e organizações políticas.

 

A unidade para lutar foi a marca da Chapa 1
Cabe ressaltar ainda que a Chapa 1, antes da inscrição das chapas, defendeu a unidade da CSP-Conlutas (Resistência/PSOL e PSTU) e da Unidade Classista (PCB), mas essa possibilidade de unificar toda a esquerda socialista no processo eleitoral deste importante sindicato foi rompida pela direção do PSTU.

A luta da Chapa 1 pela unidade da categoria, seguiu durante a campanha, defendendo a unificação de todos os trabalhadores e as organizações que atuam na categoria na luta da campanha salarial, que está em aberto nesse momento. O compromisso da Chapa 1 foi construir a campanha salarial e a nova gestão do sindicato buscando permanentemente a unidade de toda categoria. O objetivo é dirigir o sindicato conjuntamente com todos os ativistas, militantes e cipeiros, independentemente de qual chapa participaram ou apoiaram.

Essa busca permanente pela unidade para lutar e da frente única da esquerda socialista foi a marca principal da Chapa 1, e se saiu vitoriosa nas eleições dos operários da construção civil de Fortaleza.

A campanha da Chapa 1 já foi a maior expressão dessa unidade, pois foi garantida não só pelos operários da chapa e pela militância do PCB e da Resistência, mas teve o apoio decisivo de outros movimentos e organizações: MTST, as duas Intersindicais e de outras correntes do PSOL (Comuna, Insurgência), entre outros grupos.

A política do isolamento e da autoproclamação, expressa principalmente na campanha da Chapa 3 (PSTU) foi a grande derrotada destas eleições, ficando ainda em último lugar no voto democrático dos trabalhadores.

De negativo, fica a campanha de calúnia e difamação feita contra o camarada Nestor Bezerra, atualmente deputado estadual, e contra também outros integrantes da Chapa 1, promovida pelas duas outras chapas. Essa campanha suja, de baixarias e mentiras, nós já esperávamos de setores mais degenerados da CUT. Mas, infelizmente, foi feita também pela direção majoritária da CSP-Conlutas, fato que deve ser repudiado pela base, entidades e movimentos da central. Acreditamos que deve ser discutido, de forma aberta, nos seus fóruns. Para que, quem acusou, seja obrigado a provar ou se retratar com o companheiro.

Para além deste grave problema, o momento é de virar a página. Chega de ataques, brigas e baixaria. O compromisso da Chapa 1 é com a unidade de toda a categoria e da classe trabalhadora. E, essa tarefa fundamental, já começa agora, com a construção da campanha salarial, com a luta contra os impactos da reforma trabalhista e contra o desemprego, que assume índices alarmantes no Nordeste e na categoria. É hora de unidade pra lutar.

Vamos! Sem Medo de Mudar o Brasil.

 

Foto: Operários da construção civil em passeata pelas ruas de Fortaleza, durante greve da categoria. Arquivo.