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  • Jacó Almeida: ‘Muitas pessoas só vão receber correspondência uma vez por semana’

    Jacó AlmeidaO governo anunciou a intenção de fechar mais de 500 agências e demitir milhares de funcionários em todo o País. Em entrevista para o Esquerda Online, Jacó Almeida, carteiro há 32 anos e diretor suplente da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios (Fentect), fala da piora no serviço de entregas, medida que visa facilitar a privatização.

    Esquerda Online – Em 2008, a revista Forbes dizia que os Correios era a melhor empresa do ramo no mundo. Hoje ela enfrenta vários problemas. Porque isso aconteceu?

    Jacó Almeida – O governo Temer está acabando com um patrimônio construído com o suor dos trabalhadores concursados. Isso foi feito com outras empresas públicas. Primeiro o próprio governo sucateia a empresa, depois vende ela bem barato para grandes multinacionais.
    Neste mês, a direção dos Correios anunciou o fechamento de mais de 500 agências e a demissão de mais de 5.300 funcionários. Também está nos planos que as entregas deixem de ser diárias e passem a ser feitas em dias alternados. Em algumas cidades, as pessoas só vão receber correspondência uma vez por semana. Além de atrasar as entregas, a medida pode deixar mais de 15 mil carteiros desempregados.

    Além disso, a empresa acabou com o cargo de Operador de Triagem, colocando mais 14 mil trabalhadores em risco de demissão. Nos últimos sete anos quase 20 mil trabalhadores foram mandados embora.

    Já faz tempo que a empresa está sendo preparada para a privatização. A Medida Provisória 532 transformou os Correios em Sociedade Anônima e abriu a possibilidade de criação de subsidiárias e parcerias com outras empresas. E o fundo de pensão e o plano de saúde dos funcionários foram mudados.

    EOL – Quais são os interesses por trás dessas medidas?

    Jacó Almeida – Com certeza não é o interesse do povo. O serviço dos Correios chega até aos municípios mais distantes do país, coisa que não é do interesse de uma empresa que visa só o lucro.
    O chamado monopólio dos Correios é feito apenas em serviços de cartas e telégrafos. Para a maioria das entregas, existe a concorrência com outras empresas. E mesmo assim os serviços dos Correios sempre lideraram o mercado.

    Não podemos entregar um patrimônio público construído por décadas para as empresas privadas. O presidente golpista Michel Temer e seu ministro Gilberto Kassab estão agindo para acabar com milhares de empregos e favorecer os grupos internacionais que querem comprar os Correios.

    Se isso acontecer, o serviço pode ficar mais caro e mais agências podem ser fechadas. Bairros inteiros podem ficar sem receber encomendas. Temos que lutar contra isto. O que prejudica os Correios é a ingerência política do governo. Quem tem que controlar a empresa são os funcionários de carreira e a população. Privatização não!

     

  • Ciro não é uma alternativa de esquerda

    Com a aproximação das eleições, o tabuleiro político começa a se mover com mais velocidade. Os candidatos buscam consolidar posições num cenário marcado pela instabilidade e muitas incertezas. O deslocamento de nomes, a negociação de alianças e a formação de perfis programáticos adquirem ritmo e intensidade.

    Enquanto o fascista Bolsonaro se consolida pela extrema-direita, Alckmin trabalha para unificar a candidatura da direita tradicional (PSDB, MDB e DEM) e o centro perde força com desistência de Joaquim Barbosa (PSB), a definição do espaço à esquerda encontra-se ainda em aberto. Com Lula posto autoritariamente para fora da corrida, cerca de um terço do eleitorado, que pretendia votar no petista, encontra-se órfão. É aproveitando-se deste vácuo aberto que Ciro Gomes (PDT) busca se projetar como alternativa à esquerda.

    Nas últimas semanas, sinais emitidos pelo PT e PCdoB evidenciam a possibilidade de uma aliança destes partidos com Ciro. Apesar de haver intensas polêmicas dentro PT sobre a linha para as eleições, Jaques Wagner e Haddad, figuras de proa do partido, acenaram publicamente no sentido de buscar uma composição com Ciro. O mesmo fizeram Flávio Dino e Manuela d’Ávila, ambos do PCdoB. O PSB, agora sem a opção de Joaquim Barbosa, também pode vir a compor com o PDT. Caso esse arco de alianças se efetive, a candidatura do pedetista ganharia bastante força. Mas a pergunta que fica é a seguinte: seria Ciro uma alternativa realmente de esquerda?

    O discurso de oposição a Temer, a posição contrária ao impeachment de Dilma, assim como a defesa de um modelo econômico pintado com cores nacionalistas e desenvolvimentistas, vem atraindo parte dos que querem votar na esquerda. Porém, estes enfeites vermelhos com que se cobre Ciro, para de modo oportunista se alavancar eleitoralmente, especialmente entre o eleitorado lulista, não conseguem esconder o real conteúdo de seu programa contrário aos interesses dos trabalhadores e dos oprimidos.

    Fazendo jus a uma trajetória caracterizada pela incoerência política e ideológica – Ciro passou por sete partidos, tendo nesse caminho de ziguezagues defendido e aplicado o projeto neoliberal quando ministro de Itamar -, o candidato pedetista teve seu projeto econômico, cujo sentido real é o inverso do discurso pretensamente de esquerda, revelado pelo seu principal assessor econômico, Mauro Benevides, em entrevista ao jornal Estado de S. Paulo. Segundo Benevides, o ajuste fiscal é um pilar do projeto econômico de Ciro, que além disso contém a defesa de privatizações e de uma reforma da previdência. A aposta do plano reside na tentativa de recuperar a capacidade de investimento do Estado, sem mexer, porém, nos fatores que estruturam as desigualdades, a exploração e a pobreza historicamente avassaladoras no Brasil.

    É necessário mais do que boa vontade para acreditar que Ciro Gomes, que avalia a possibilidade de ter Benjamin Steinbruch  (PP), presidente da CSN, como vice na chapa, representa um projeto de esquerda. Trata-se, na verdade, de um engano consciente propagado para tentar capturar o eleitor que rejeita a direita e seus representantes políticos. Nesse sentido, cumpre um desserviço à esquerda a movimentação do PCdoB e de setores do PT que negociam o apoio à candidatura de Ciro. Não que este fato constitua uma surpresa, afinal são os mesmos PT e PCdoB que articulam alianças com partidos da direita (MDB, DEM, PSD etc.) em diversos estados do país, incluindo lideranças que deram suporte ao golpe parlamentar e votaram em projetos que retiram direitos, como a reforma trabalhista.

    Esta triste e repetitiva realidade – a esquerda que quer andar de mãos dadas com a direita para chegar ao governo – demonstra que a construção de uma verdadeira alternativa de esquerda passa por outro caminho. Esse que Guilherme Boulos (PSOL e MTST) apresentou no programa Roda Vida da TV Cultura, na última segunda-feira (7). Os setores descontentes da militância petista deveriam refletir sobre essa opção. Boulos e Sônia Guajajara vêm demonstrando que é possível dialogar com as maiorias – o povo trabalhador, a juventude e os oprimidos – sem ceder à direita, tendo coragem de levantar um programa anticapitalista e democrático conectado com as principais demandas sociais e populares. Num momento em que o PT e o PCdoB conchavam com o outro lado, a candidatura de Boulos e Guajajara vai se afirmando como a única com capacidade de recolocar um projeto ousado de esquerda, sem alianças com o andar de cima, de novo no cenário nacional. É hora de recuperar a esperança de transformação social e política do Brasil, sem ilusões na conciliação de classes.

    Foto: EBC

  • Marcha da Maconha agita Contagem (MG)

    Vem aí a Marcha da Maconha Contagem 2018. Os contagenses vão às ruas pelo quarto ano consecutivo requerer a legalização da planta cannabis. Assim como nos anos anteriores, o movimento levanta a bandeira da descriminalização para uso medicinal, religioso, recreativo e do plantio da erva para consumo. O evento ocorrerá no dia 19 de maio, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte, e traz como lema: “Nas Eleições Aperte o Verde e Confirma”.

    A Marcha em Contagem faz parte de um movimento global pela legalização dos usos da cannabis, se organizando em mais de 190 cidades ao redor do globo. A descriminalização é uma luta antiga, porém se faz muito atual. Para se ter uma ideia, no Brasil, um terço da população carcerária é procedente do tráfico de drogas. São quase 200 mil pessoas presas, maioria jovens negros, sem antecedentes criminais, sem porte de arma e presos com pequenas quantidades, enquanto os verdadeiros traficantes estão soltos em seus helicópteros.

    Como afirma o estudioso Henrique Carneiro, a maconha “identificada com as populações negras e suas práticas culturais, foi estigmatizada como uma planta perigosa, viciante e causadora de doenças, acusada de ser o ópio do Brasil. A droga dos escravos se tornou, assim, uma marca identitária de populações pobres, faveladas e discriminadas. O encarceramento em massa cresceu cada vez mais se constituindo num mecanismo de segregação social e no pretexto para uma coerção e vigilância acentuadas sobre as camadas mais discriminadas socialmente”.

    E em tempos em que o país passa por um golpe de Estado, é preciso resistir ao conservadorismo, que prescreve a propagação do medo para a militarização da sociedade. A luta e resistência não cessam.

    Avanço da luta antiproibicionista no Brasil
    Em maio 2017, a Anvisa incluiu a Cannabis sativa como “planta medicinal” na lista que define os nomes oficiais de fármacos. Em janeiro, a Anvisa aprovou o registro do primeiro remédio à base de maconha no Brasil, o Mevatyl. Em 2016, a Anvisa autorizou a prescrição e manipulação de medicamentos a base de Cannabis. No ano de 2015, a Anvisa retirou o canabidiol da lista de substâncias de uso proscrito, o que facilitou a comercialização de
    medicamentos que contêm a substância no país. Em 2014, a Anvisa autorizou a importação da substância pela primeira vez. 

    A cada ano, o movimento pró-legalização cresce em Contagem e nesta edição teremos os seguintes shows na finalização da Marcha na Praça do Apoema: MacJulia e Mc Nobruh, o grupo Ideias Acima, Alef Harper, a banda de rock Razão Social, Baiano M.c, além de discotecagem com os Djs Toto, Dj Fill e Dj Mujica.

    Em 2018, várias cidades brasileiras promoverão suas marchas a favor do cultivo e uso da planta. Já Belo Horizonte entra na sua décima edição, no sábado seguinte.

    Se você também pensa que precisamos de mudanças, marque na agenda e convide a família e amigos, pois vale destacar que a Marcha da Maconha é uma movimento pacífico e legítimo garantido por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal, de acordo com a ADPF 187, julgada em novembro de 2011. Mesmo Supremo que está com a votação da descriminalização parada desde a morte do Ministro Teori Zavascki. Com um julgamento de 11 ministros, os três primeiros votos já foram favoráveis para considerar a proibição do porte da cannabis como inconstitucional.

    Em artigo anterior publicado, assim se resume a votação pelo STF: “no plano legal a descriminalização deve ser vista como um primeiro passo rumo à legalização, pois além de descriminalizar o porte e o consumo é necessário legalizar o cultivo caseiro, para que cada um possa plantar para consumo próprio, de forma sustentável. Diante de um Congresso Nacional altamente conservador, a possibilidade de descriminalização pelo STF não pode ser descartada, pois ela reforça a luta antiproibicionista.”

    4ª Marcha Maconha Contagem
    Data: 19 de maio de 2018 – Sábado
    Praça Marília de Dirceu (Cigano) – Bairro Inconfidentes
    Concentração: 13:20h – Saída: 16:20
    Evento no Facebook

    10ª Marcha Maconha Belo Horizonte
    Data: 26 de maio de 2018 – Sábado
    Praça da Estação
    Concentração: 13:20h – Saída: 16:20
    Evento no Facebook

    Todas e todos rumo ao fim da guerra às drogas, por uma grande BH esverdeada!

    Arte de capa: Fábio Coelho