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Opinião: A eleição sem eleição

Paulo Pasin, de São Paulo (SP)

O filósofo Vladimir Safatle sustenta que “Existem várias maneiras de não haver eleição. O Brasil teve eleição até 1930, sem eleição. A gente criou essa figura: eleição sem eleição. (…) Uma eleição no interior da qual você tira os candidatos que vão contra o interesse de quem ‘deve’ ganhar”.

É evidente que as eleições no Brasil sempre foram dominadas pelo poder econômico, porém a de 2018 será ainda mais antidemocrática, na hipótese do golpe parlamentar-jurídico- midiático se consolidar com a exclusão do ex-presidente Lula.

É preciso ter coragem e ousadia para enfrentar e derrotar o golpe. No entanto, a direção do PT ainda não entendeu que o Capital não quer mais negociação, quer rendição total. A direção do PT tem limitado a campanha pela libertação do ex-presidente Lula a eventos com característica de comício eleitoral.

A luta pela libertação do ex-presidente Lula e seu direito de participar do processo eleitoral é correta, mas não está dissociada de outras bandeiras democráticas fundamentais para que os trabalhadores possam se defender dos ataques do capital: direito de greve, de manifestação, de expressão, de organização, contra todas as formas de preconceito e opressão. Tampouco se pode menosprezar as demandas econômicas e sociais do dia a dia da classe trabalhadora. A insatisfação com os rumos do País está crescendo na mesma proporção em que se deterioram as condições de vida da população. A resistência virá das ruas, dos locais de trabalho e estudo, das periferias. Ainda que num primeiro momento sem conexão e unidade com a luta política e ideológica mais geral contra o capital, o golpe e o avanço da direita.

É um erro grave direcionar tudo para o terreno de uma “eleição sem eleição” (no conceito definido pelo Safatle acima). O que não significa que devemos deixar de apresentar nas eleições um programa anticapitalista que contribua com a reorganização da esquerda. Um programa que será defendido pelas pré-candidaturas que melhor expressam a luta mais radical, de rua, das ocupações, dos bloqueios de estradas e avenidas, das grandes manifestações: a de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara.

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eleições 2018 / lula / pt