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Agronegócio mais perto de Bolsonaro

Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro

André Freire

Historiador e membro da Coordenação Nacional da Resistência/PSOL

Intensificação da exploração e da militarização do campo aproximam setores da extrema-direita

André Freire, colunista do Esquerda Online

A grande imprensa destacou nos últimos dias a aproximação de setores importantes do agronegócio com a pré-candidatura de Jair Bolsonaro (PSL-RJ) a Presidência da República. O deputado federal da extrema-direita brasileira está percorrendo as grandes feiras do agronegócio, chegando inclusive a discursar em algumas, como em Cascavel (PR). Mais recentemente, no dia 30 de abril, esteve na Feira de Ribeirão Preto (SP), onde foi aplaudido por um grupo de seguidores.

Até aí, nenhuma novidade. Infelizmente, isso vem acontecendo em vários locais. Um fato de maior relevância foi a entrevista de Frederico D´Ávila, diretor da Sociedade Rural, antigo apoiador de Alckmin e do PSDB, assumindo a campanha de Bolsonaro para presidente. Segundo ele “hoje o agro é 95% Bolsonaro”.

A adesão da maioria do agronegócio à candidatura de Bolsonaro é admitida até pelo deputado tucano Nilson Leitão (PSDB-MT), que preside a Frente Parlamentar da Agropecuária, o maior grupo lobista da Câmara Federal, com cerca de 220 parlamentares. Em entrevista, o deputado latifundiário do PSDB reconhece que “ele (Bolsonaro) fala o que o nosso pessoal quer ouvir”.

Frederico D´Ávila é o mais novo apoiador de Bolsonaro entre os latifundiários brasileiros – acaba de abandonar os tucanos e se filiar ao PSL de São Paulo para disputar uma cadeira na Câmara de Deputados. Segundo ele, o que aproxima o agronegócio a Bolsonaro é o discurso radical do deputado contra os movimentos sociais no campo – como o MST e os da causa indígena, a política de garantir a segurança das grandes propriedades e a defesa de maiores investimentos no setor.

Esse cenário vem demonstrar que se Bolsonaro não é o candidato da maioria dos setores da burguesia brasileira, vem ganhando terreno a cada dia entre os grandes empresários. Diante do fracassado desempenho nas pesquisas eleitorais dos candidatos da chamada velha direita, especialmente do PSDB (Alckmin), do MDB (Temer ou Meirelles) e DEM (Rodrigo Maia), Bolsonaro começa a aparecer cada vez mais como uma opção, ainda mais reacionária, para os ricos e poderosos.

Na última pesquisa Datafolha, ele aparece em primeiro lugar em intenções de voto para o primeiro turno das eleições presidenciais, no cenário onde o ex-presidente Lula (PT) não está presente. Embora perca em projeções de segundo turno para outros candidatos, ele já chega a superar 30% de intenções em uma possível segunda volta. Realmente, o cenário de crescimento de Bolsonaro não pode ser ignorado, em hipótese nenhuma.

Unidade de ação democrática contra Bolsonaro e a extrema-direita
Diante da evidente aproximação de setores da grande burguesia com Bolsonaro, devemos evitar dois erros: o primeiro é o desespero, que prepara a impotência; e o segundo é o sectarismo, que leva igualmente a paralisia política, logo em um momento que mais precisamos de ação.

O momento exige firmeza na luta política contra Bolsonaro e a extrema-direita. A tarefa das parcelas mais conscientes da classe trabalhadora, da juventude e da esquerda socialista é lutar cotidianamente para retirar toda e qualquer influência das ideias reacionárias da extrema-feita da consciência do povo trabalhador, combatendo principalmente o seu maior expoente atual, a candidatura de Jair Bolsonaro.

Além desta campanha política cotidiana contra a extrema-direita e as suas ideias, o momento exige também uma política unitária para facilitar um processo de mobilização contra os ataques as liberdades democráticas e em defesa dos direitos do nosso povo.

A execução sumária da companheira Marielle Franco, crime absurdo que já está há mais de 50 dias sem solução; o assassinato de cinco jovens do movimentos hip hop em Maricá (RJ); os sucessivos atentados a vida da juventude negra das comunidades e aos direitos humanos praticados pela intervenção militar na segurança pública do RJ; e os tiros e ataques contra a Caravana de Lula no Sul do País e contra o acampamento em Curitiba que pede a sua libertação são só alguns exemplos, muito importantes, de como os setores da extrema-direita estão se sentindo mais fortalecidos e a vontade para praticarem seus crimes.

Não há espaço para dúvidas: o momento exige ações concretas e mobilizações unificadas contra Bolsonaro, a extrema-direita e em defesa das liberdades democráticas. Essas mobilizações devem levantar também as bandeiras que exijam a apuração rigorosa e transparente da execução de Marielle, de todos os crimes praticados pela PM e a intervenção militar na segurança pública do RJ e pela libertação imediata do ex-presidente Lula.

Um debate com setores da esquerda socialista
Alguns setores da esquerda socialista brasileira – inclusive algumas correntes do próprio PSOL – vêm polemizando contra a proposta de unidade de ação democrática contra a extrema-direita e em defesa das liberdades democráticas.

Infelizmente, algumas manifestações do Dia do Trabalhador foram rompidas por estes setores, que se negam a participar de manifestações que levantem a bandeira da defesa da liberdade do ex-presidente Lula e até da necessidade do combate unitário contra a extrema-direita e em defesa das liberdades democráticas.

Esses setores afirmam ainda que não existiu um golpe institucional no Brasil, com o impeachment de 2016, e seguem afirmando que a atual conjuntura brasileira é apenas produto da continuidade do regime político vigente em nosso país. Não conseguem perceber as mudanças autoritárias e ainda mais antidemocráticas que vem acontecendo nos últimos anos.

Pensam, portanto, que ir às ruas ao lado de setores do PT é o mesmo que apoiar seu projeto de conciliação de classes. Ledo engano, eles negam a importância da unidade de ação, para tentar voltar a mobilizar com ainda mais força os trabalhadores, a juventude e os oprimidos, como foi na Greve Geral de 28 de abril de 2017.

O momento exige a combinação de duas políticas muito importantes: a necessária unidade de ação democrática e o empenho para construirmos uma nova alternativa de independência de classe, de esquerda e socialista em nosso País. Não perceber a importância dessa combinação é não cumprir a obrigação histórica dos socialistas de se colocar em movimento contra os setores mais reacionários da burguesia.

Por isso estivemos nas manifestações unitárias e de resistência do Dia do Trabalhador, especialmente em Curitiba e São Paulo, levantando em alto e bom som as propostas de um programa anticapitalista para o Brasil e a defesa pré-candidaturas presidências de Guilherme Boulos e Sônia Guajajara, construída a partir da Frente Política e Social formada pelo MTST, PSOL, PCB, APIB, entre outros movimentos sociais combativos e organizações de esquerda brasileira.

Ainda é tempo de mudar a postura, corrigir seus erros, somando-se a construção da necessária unidade de ação contra os ataques as liberdades democráticas e em defesa dos direitos do povo trabalhador. Vamos, sem medo de mudar o Brasil!