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Primeiro de Maio: A importância e a dificuldade da construção da frente única

Editorial Primeiro de Maio

Já existem fatos suficientes da realidade de 2018 para observar o aprofundamento da ofensiva reacionária iniciada com o golpe parlamentar. A intervenção federal no Rio de Janeiro, a execução de Marielle, os tiros à caravana Lula, sua condenação e prisão e agora os recentes tiros ao acampamento de Curitiba. Fatos marcantes em uma realidade de crise social, desemprego, extermínio da juventude negra, direitos destruídos pela reforma trabalhista e a terceirização, ataques e mais ataques. Tempos difíceis.

Tempos difíceis que exigem coragem. A coragem estampada no rosto das professoras de Belo Horizonte que protagonizaram, nesta semana, uma importante resistência contra os ataques aos seus direitos e enfrentaram a repressão dos governos Kalil e Pimentel. A mesma coragem presente na luta dos servidores municipais de São Paulo, que derrotaram João Dória, nas lutas dos rodoviários de Belém, dos estudantes da UnB, da educação municipal de Fortaleza e de todas as mulheres e homens que encheram as ruas do país lutando por justiça no caso de Marielle. Precisamos da coragem que tivemos há um ano, quando realizamos a greve geral de 28 de abril, que ajudou a impor o recuo do governo Temer em relação à reforma da Previdência, uma vitória muito importante neste contexto de forte ofensiva contra os trabalhadores.

 

Um dia de luta internacional

Foi a enorme mobilização dos trabalhadores de Chicago, em 1886, com 500 mil pessoas, que deu origem ao dia internacional de luta dos trabalhadores. Três anos depois, em um congresso operário na França, a data foi adotada como um dia internacional.

Primeiro de Maio em 1974, em Portugal
Primeiro de Maio em 1974, em Portugal

Desde então, embora tenha havido conquistas da nossa classe, como a jornada de oito horas, este dia se tornou expressão das principais bandeiras e mobilizações dos trabalhadores em todo o mundo. Em 1974, por exemplo, oito dias após a Revolução dos Cravos em Portugal, realizou-se uma das mais fortes manifestações de Primeiro de Maio da história daquele país.

Em alguns países, este dia não é feriado como no Brasil, mas já houve mobilizações e greves suficientes para parar o país, como no histórico Primeiro de Maio norte-americano de 2006, em que mais de dois milhões de trabalhadores, principalmente imigrantes, cruzaram os braços.

 

O Primeiro de Maio no Brasil

Por essa história de luta no mundo, o Primeiro de Maio deve ser encarado como um dia em que devemos ir para as ruas com as principais e mais atuais bandeiras das lutas da classe trabalhadora. No Brasil, a força e capacidade deste dia expressar as mobilizações de turno da classe trabalhadora também existiu, como os históricos atos que expressavam as poderosas greves metalúrgicas do ABC paulista, na década de 1980.

Nesse sentido, a esquerda socialista brasileira trava uma batalha, há muitos anos, contra as principais centrais do País que, desde a década de 1990, transformam esses dias em dias de festa.

A partir de 2016, as centrais que haviam permanecido totalmente atreladas ao então governo do PT, como a CUT e a CTB, passaram a expressar nos atos do 1º de Maio bandeiras importantes da luta da classe trabalhadora no Brasil, como a luta contra o golpe parlamentar que abriu o caminho para acelerar profundos ataques sobre nossa classe.

Neste ano de 2018, os desafios que enfrentamos demandam a construção de uma forte unidade. Diante de todos os retrocessos promovidos pela ofensiva de ataques do governo Temer, a unidade expressa nas greves do 1º semestre de 2017 foi determinante para impor a derrota do governo em relação à reforma da Previdência. A construção e fortalecimento da frente única determina a capacidade do movimento organizado de resistir aos ataques sobre nossos direitos sociais e democráticos.

 

Construir a frente única

O Primeiro de Maio deve ser mais um capítulo da construção sincera e precisa dos termos da unidade que o movimento social brasileiro necessita. A denúncia das consequências da Reforma Trabalhista, assim como da PEC do Teto de Gastos, da terceirização e das privatizações deve estar combinada com a ofensiva reacionária sobre os direitos democráticos. A prisão sem provas de Lula, assim como todos os retrocessos democráticos promovidos pela politização do judiciário, aprofunda uma realidade de parcos direitos. A intervenção federal e a presença de generais do Exército disputando a saída da crise política indicam graves ameaças a direitos básicos.

Tudo isso deve ser bandeira da construção da frente única para destravar a resistência no Brasil. E deve ser expresso nas manifestações do Primeiro de Maio. Temos, porém, consciência e nitidez da dificuldade da construção desse processo de unidade. E queremos debater, com toda tranquilidade e respeito, sobre isso.

Estaremos nas manifestações convocadas pela Frente Povo Sem Medo e pela Frente Brasil Popular, junto com as centrais que travam a batalha contra as consequências do golpe parlamentar e os ataques aos direitos sociais. Em nossa opinião, essa construção demanda a mais sincera disposição de construir a unidade. Não temos as mesmas posições sobre a alternativa política e eleitoral para o nosso país e a classe trabalhadora precisam. Mas estamos dispostos a construir a unidade para impedir os retrocessos. Acreditamos que a expressão da diversidade política dessa construção precisa estar presente na convocação e realização dos atos. Quanto mais unidade e diversidade, mais força para a luta. A transformação desses atos em atos meramente eleitorais não contribui para nosso objetivo maior. E travaremos essa batalha na construção de todas as manifestações do Primeiro de Maio pelo País.

Também expressamos nas ruas o acúmulo que a esquerda socialista desenvolveu ao criticar o processo de transformação da data em apenas dias de festa. O tradicional Primeiro de Maio da Praça da Sé em São Paulo, encampado pela Pastoral Operária e demais organizações que hoje se localizam no campo político de oposição ao governo Temer e dispostas à construção de uma alternativa pela esquerda, em oposição à experiência de treze anos de conciliação de classes dos governos do PT, também conta com nossa presença e força militante.

Achamos lamentável que uma parte da esquerda socialista não convoque nenhuma manifestação ou atue de forma isolada. A importância histórica do Primeiro de maio e as necessidades da atual conjuntura não permitem isso. Travamos uma batalha interna à CSP-Conlutas, contra a sua direção majoritária para que a resolução sobre o Primeiro de Maio não deixasse os trabalhadores sem orientação sobre o que fazer. E para impedir que a indisponibilidade de realizar manifestações em unidade tenha como consequência fortalecer saídas políticas que não servem à classe trabalhadora. Infelizmente, a posição oficial da central que construimos, a CSP-Conlutas será falar para os trabalhadores não fazerem nada ou participar de ações isoladas.

Estamos nas ruas para denunciar todos os ataques aos direitos sociais democráticos, fortalecer a construção da frente única e apresentar uma alternativa de independência de classe à dura realidade que nosso País enfrenta.

  • Viva o Primeiro de Maio!
  • Viva o dia de luta dos trabalhadores e trabalhadoras no Brasil e no mundo!