Petrobras anuncia plano de privatização de quatro refinarias e doze terminais



Por: Everton Bertucchi

Foi anunciada, nesta quinta-feira (19), a privatização das refinarias Abreu e Lima (RNEST – PE), Landulpho Alves (RLAM – BA), Alberto Pasqualini (REFAP – RS) e Presidente Getúlio Vargas (REPAR – PR), além de 12 terminais.

No modelo divulgado pela direção da Petrobras, a empresa que comprar as refinarias ficaria com 60% das ações, adquirindo também o controle da operação desses ativos.

Já estão ocorrendo atos em duas refinarias até o momento: Alberto Pasqualini (REFAP – RS), Capuava (RECAP) e Paulínia (REPLAN).

Os petroleiros preparam uma greve nacional para maio. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) convocou assembleias, que começam a partir de 26 de abril. Os sindipetros São José dos Campos, Litoral Paulista e Alagoas/Sergipe declararam apoio à greve contra a privatização.

Petroleiros da REFAP(RS) já amanhecem mobilizados contra privatização

A notícia de que a empresa vem sendo desmontada não é nova. Ocorreram leilões de campos de petróleo, inclusive um dos maiores do mundo, o de LIBRA, que traria investimentos em educação como nunca vistos antes. Venda de campos com capacidade subestimada como Tartaruga Verde e o caso mais escandaloso, o de Carcará, que o barril saiu por um dólar. Ainda, a venda da Nova Transportadora do Sudeste por US$ 5,19 bilhões para fundo de investimento liderado pela Brookfield.

Em menos de dois anos foram vendidos 29 ativos do Sistema Petrobras, como é o caso da Liquigás Distribuidora S.A., Parque das Conchas, Campos de Roncador e Lapa, as Sondas P-03, P-10, P-14, P-17, P-23, P-59, P-60, Carcará, Petroquímica Suape, as Térmicas Rômulo Almeida e Celso Furtado. E mais 20 estão em fase final de negociação, como as Fafens, a PBIO, Campo de Baúna, campos terrestres, campos em águas rasas e a Transportadora Associada de Gás S.A. (“TAG”).

Apesar dos planos de negócio 2017-2021 e 2018-2022, a petroleira declara abertamente a saída do setor de Fertilizantes e Biocombustíveis e também parcerias no setor de refino. É preciso esclarecer que estes planos são feitos de maneira anti-democrática sem consulta às organizações dos trabalhadores como sindicatos, associações e coletivos. Além do mais, feitos sob o comando de um presidente que sofre processo por conflito de interesse, já que é presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de São Paulo. Pedro Parente foi indicado por um presidente ilegítimo, Michel Temer, que tenta aplicar um novo modelo de país com aumento do nível de exploração do trabalho e reforma da previdência e que não tem aprovação popular como foi provado na histórica greve geral contra a reforma da previdência de 28 de abril de 2017, greve dos trabalhadores dos Correios e dos professores do município de São Paulo.

Veja como respondemos aos principais argumentos da direção da Petrobras

  1. O petróleo não será mais a fonte de energia principal – Realmente os pesquisadores vêm encontrando alternativas ao uso dos hidrocarbonetos, como os veículos movidos a biocombustíveis e eletricidade. Entretanto, a empresa decidiu arbitrariamente sair do ramo de fontes renováveis como os biocombustíveis. E os planos de negócio não preveem investimentos em outras fontes de energia. Além do mais, por que “desvestir um santo para vestir outro”? A Petrobras tem capacidade para se adequar a estas mudanças, que podem acontecer de maneira qualitativa daqui a mais de dez anos, no mínimo.
  1. Abrir o mercado para novos competidores – Hora parece que Parente esqueceu que seu ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), já que foi seu ministro, decretou o fim do monopólio do petróleo através da lei 9478/ 1997 há mais de 20 anos. Não cabe à Petrobras ajudar os seus competidores a superá-la.


Mobilização na Refap contra a venda de 4 refinarias e 12 terminais

Diretoria do Sindipetro-LP denuncia venda de refinarias e terminais

Foto: EBC

Comentários no Facebook

Post A Comment