Bolsonaro e a desmoralização da cidadania



Por: Gleide Davis, colunista do Esquerda Online

2018 tem sido um ano conturbado já no seu início. Sendo um ano de eleições, a tendência é que a correlação de forças se mostre cada vez mais latente. Isso também se revela pelo fato de que o ano passado foi marcado por diversos retrocessos aos poucos direitos conquistados pelos trabalhadores, mulheres, pessoas negras e oprimidas de forma geral.

Nessa brincadeira de cabra cega que tem sido a política nacional, Bolsonaro e a ditadura militar representam o mesmo lado da corda. Grandes marcadores da ignorância, do fascismo e da violência, que tentam se esconder se apoiando em apelos populares como a corrupção, a moral religiosa e o patriotismo. Entretanto, na realidade, nada do que ele se apoia, se sustenta de fato.

Um candidato que se mostra indiferente ao genocídio da população jovem e negra, pois, para ele, a população “de bem” deve andar armada para combater a violência de forma eficaz. Sabemos quem Bolsonaro considera como população de bem e sabemos que, para ele, jovens negros amarrados em postes, representam a união da sociedade cansada de ser roubada. Bolsonaro subalterniza a cidadania de pessoas negras adolescentes. Para ele, essas são pessoas de quinta categoria, que merecem morrer porque furtaram. Não se questiona a pobreza, a falta de oportunidade, a desigualdade social e o inchaço do desemprego no país como despontador da violência.

Bolsonaro ainda julga justo que mulheres ganhem menos, ainda que trabalhem sob a mesma carga horária que um homem, sob a justificativa de que mulheres engravidam, então rendem menos. Isso não tem qualquer apoio científico para justificar tal afirmação. Ele também é um forte apoiador de empresas que queiram fatiar a Petrobras em mil pedaços, retirando-a da posse do nosso país. Ora, não seria ele um candidato que se orgulha de ser patriota? Quem Bolsonaro considera digno de cidadania e respeito de fato, num país em que mais de 50% da população é feminina e, ou negra?

Se um candidato se julga um grande defensor do “cidadão”, mas exclui a maior parcela da sociedade brasileira do que ele julga ser “de bem”, ele não só se contradiz com o que julga ser correto, como não consegue mascarar seu discurso excludente e fascista, demarcado por seus interesses pessoais e manipuladores de ideais que subjugam qualquer pessoa que não seja branca, homem e dono de grandes empresas que possam lucrar com a venda da floresta amazônica, por exemplo. Projeto o qual o mesmo defende com unhas e dentes.

Precisamos do poder da consciência para apontar as contradições de alguém que julga defender muito, mas não consegue lutar por nada que esteja longe do seu próprio umbigo. Bolsonaro não representa ninguém de fato, ele apenas utiliza seu pequeno eleitorado como fantoche para tentar ter poder o suficiente para impor um coronelismo doentio que desmoraliza e ridiculariza a cidadania.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
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